Graffiteiro homenageia Wagner Moura em Uberlândia após vitória no Globo de Ouro

Dequete, artista belo-horizontino que mora em Uberlândia, também fez arte de Fernanda Torres em 2025 e desde 2013 vem transformando a cidade numa galeria a céu aberto

, em Uberlândia

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O reconhecimento internacional do cinema brasileiro ganhou mais um destaque, agora pelas ruas de Uberlândia, com o novo mural do graffiteiro Dequete (o artista defende a grafia de ‘graffiti’ com “i” e “ff”, como forma de preservar o termo original usado pela cultura hip-hop).

O artista homenageou o ator baiano Wagner Moura, que ganhou o prêmio de melhor ator em filme de drama por “O Agente Secreto”, no último domingo (11).

Mural do artista Dequete homenageia Wagner Moura
Mural do artista Dequete homenageia Wagner Moura após premiação no globo de Ouro – Crédito: Arquivo pessoal/Dequete/Reprodução

A arte está no Beco do Planalto, uma galeria a céu aberto na periferia da cidade. No ano passado, o artista já havia causado grande repercussão ao pintar um mural inspirado na atriz Fernanda Torres, em referência ao filme “Ainda Estou Aqui”.

Wagner Moura pelos olhos de Dequete

Para Dequete, o momento vivido pelo cinema nacional representa um orgulho coletivo e uma oportunidade de reforçar a identidade cultural brasileira por meio do graffiti. “O mundo está olhando para o Brasil não só pelo futebol ou pelo samba, mas pela riqueza cultural que a gente tem. O cinema nacional tem despertado esse orgulho”, afirma.

O artista tem um jeito único de trazer cores às ruas de Uberlândia através de seus graffitis. Assim como no mural dedicado a Fernanda Torres, que está no bairro Fundinho, região central de Uberlândia, Wagner Moura não aparece em forma de retrato realista.

Graffiteiro homenageou Fernanda Torres
Graffiteiro homenageou Fernanda Torres em 2025, no bairro Fundinho – Crédito: Arquivo pessoal/Dequete/Reprodução

A figura do ator é reinterpretada dentro da identidade visual do artista: um felino de olhos amarelos, traços marcantes e a paleta característica em verde, laranja e azul.

“Não é um retrato fiel. É uma persona. Transformo essas figuras em gatos porque esse é o meu personagem, a minha assinatura estética”, explica. O mural é descrito pelo artista como vibrante, alegre e carregado de brasilidades, algo que ele chama de uma síntese do povo brasileiro.

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Uberlândia: o ateliê a céu aberto de Dequete

Natural de Belo Horizonte, Dequete conheceu Uberlândia em 2012 e se mudou para a cidade em 2013. Desde então, construiu uma relação íntima com o município, que define como um “ateliê gigante a céu aberto”.

“Uberlândia me acolheu, abriu os braços e me apresentou seus muros. Tenho a cidade como um grande laboratório de experimentação”, conta. Ao longo de mais de uma década, ele espalhou suas intervenções por muros de toda a cidade e já perdeu a conta de quantos murais produziu.

artes do graffiteiro dequete
Dequete acredita que a cidade é um espaço de experimentação e diálogo entre todos – Crédito: Arquivo pessoal/Dequete/Reprodução

Para o artista, o caráter efêmero do graffiti faz parte da essência da linguagem. Sol, chuva, reformas e o próprio tempo transformam ou apagam as obras. “A vida é como o graffiti: efêmera. Por isso meu trabalho fala de vida, de segunda chance, de alegria, esperança e novos começos.”

Projetos que ressignificam a cidade

O mural de Wagner Moura integra um projeto maior: o Beco do Planalto, também chamado de Beco do Graffiti ou Beco das Artes, é um espaço que ocupa cerca de 15 quarteirões de muros contínuos. Hoje, é tratado como um corredor cultural com potencial para se tornar a maior galeria de arte urbana a céu aberto do Brasil.

O projeto é coordenado pelo Instituto Aljava Cultural, liderado por Dequete e pela produtora cultural Preta em Flor. A proposta é transformar um “não lugar” da cidade em ponto turístico, espaço de convivência e acesso democrático à arte, onde todos são bem-vindos.

 

Projeto do Instituto Aljava Cultural
O Instituto Aljava Cultural oferecemos Graffiti Tour para escolas e pessoas interessadas em passear pelos murais da cidde – Crédito: Arquivo pessoal/Dequete/Reprodução

Além do Beco do Planalto, o Instituto Aljava Cultural desenvolve outros projetos importantes em Uberlândia. Um deles é o Reduto Negro, no bairro Patrimônio, que resgata a memória dos moradores mais antigos da cidade.

Outro é o Jardim Urbano, circuito itinerante de intervenções artísticas que já passou por diversos pontos do município. Entre as ações de destaque estão a ressignificação da Avenida Olímpio de Freitas, na zona oeste, e a intervenção em abrigos de ônibus da Avenida Monsenhor Eduardo, na região central.

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Graffiti, identidade e cultura hip-hop

Dequete se define como um escritor urbano. “O graffiti nasce da subversão, do diálogo com a cidade. Não é depredação. É encaixe, é conversa com o urbano”, afirma. Com o amadurecimento artístico, o trabalho evolui para projetos autorizados, pensados especificamente para cada espaço, sem perder a essência da rua.

Dequete reconhece avanços no apoio institucional ao graffiti em Uberlândia, especialmente por parte da Secretaria Municipal de Cultura, e destaca a importância de mecanismos de fomento como o PMIC, a Lei Paulo Gustavo e a Lei Aldir Blanc.

Festival Jardim Urbano
Festival Jardim Urbano, circuito itinerante, reuniu 60 artistas brasileiros e recebeu incentivo de parceiros – Crédito: Arquivo pessoal/Dequete/Reprodução

Ainda assim, defende mais envolvimento da iniciativa privada e da população. “A rua é o espaço da democracia. Quando criamos projetos como o Beco do Planalto, convidamos as pessoas a ocuparem a cidade”, diz.

Com ideias em construção para 2026, o artista prefere manter suspense sobre os próximos passos, mas reforça o convite para que a população conheça o mural, visite o Beco do Planalto e acompanhe os novos capítulos da arte urbana em Uberlândia.

“Viva a arte, viva a cultura, viva o cinema nacional. Paz e tinta”, completa.