Filmes gravados no Piauí durante a ditadura militar são restaurados e voltam às telas; conheça as obras
Sete produções feitas entre 1978 e 1985 em Super-8 foram restauradas em 2K e serão exibidas na 9ª Parada de Cinema, em outubro
Imagens de um Piauí de mais de quatro décadas atrás vão voltar às telas de Teresina. Sete filmes produzidos pelo Grupo Mel de Abelha entre 1978 e 1985, durante a ditadura militar, foram restaurados digitalmente em 2K e serão exibidos na 9ª Parada de Cinema, entre 7 e 10 de outubro.
Gravados em Super-8, formato de filme bastante usado na época, os trabalhos registraram cenas da vida cotidiana e da cultura piauiense. Entre os temas estão moradia, trabalho, religiosidade, festas populares, manifestações culturais e a transformação das cidades.
A seleção conta com todos os sete filmes produzidos pelo grupo e marca a estreia de uma mostra dedicada ao coletivo. A iniciativa é realizada pela Mostra Parada de Cinema em parceria com a Cinelimite.
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Quem foi o Grupo Mel de Abelha
O Grupo Mel de Abelha surgiu em Teresina no fim dos anos 1970, formado por estudantes da Universidade Federal do Piauí (UFPI) ligados ao Cineclube Teresinense.
O grupo usava o cinema para registrar histórias e acontecimentos do estado em um período marcado pela ditadura militar e pelas mudanças sociais e políticas que antecederam a abertura do país.
O coletivo era formado por Valderi Duarte, Luís Carlos Sales, Socorro Melo, Dácia Ibiapina e Lourena Rego, com colaboração de Rosemberg Vieira Peixoto.
Ao longo da produção, os integrantes registraram diferentes aspectos da vida no Piauí, desde as condições de moradia nas periferias até tradições religiosas e manifestações culturais do interior.
Os 7 filmes que serão exibidos
A mostra reúne produções feitas entre 1978 e 1985. Cada filme aborda um aspecto diferente da sociedade e da cultura piauiense.
Povo Favela — 1978
O documentário registra a vida nas primeiras favelas de Teresina. A produção mostra as condições de moradia, o cotidiano dos moradores e as mudanças urbanas na periferia da capital no fim dos anos 1970.
O filme foi financiado pelo Programa Bolsa Trabalho-Arte, por meio de um convênio entre o Ministério da Educação, o governo estadual e a UFPI.

Pai Herói — 1980
O curta aborda o trabalho, a figura paterna e as relações familiares a partir da realidade social piauiense daquele período. A produção faz parte dos registros do grupo sobre a vida das pessoas comuns e as relações de trabalho e família.
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Relógio de Sol — 1981
O filme acompanha a construção e o funcionamento de um relógio de sol. A produção mistura imagens documentais com uma abordagem mais poética para falar sobre tempo, natureza e cotidiano.

Espaço Marginal — 1981
Em Espaço Marginal, o grupo percorre as ruas de Teresina para registrar pichações tratadas como mensagens sociais. O filme mistura elementos de ficção e documentário. Um personagem interpretado por Raimundo Nonato Monteiro caminha pela cidade observando os muros.
O sociólogo Antônio José Medeiros também aparece em depoimentos. As imagens registram uma Teresina em transformação durante o período de abertura política da ditadura militar.

Pagode de Amarante — 1983/1984
O documentário registra o pagode de Amarante, uma manifestação cultural do interior do Piauí que já estava desaparecendo naquele período. O filme mostra a dança, a festa popular e aspectos da religiosidade e das tradições da comunidade.

Dia de Passos — 1984
O curta registra uma celebração religiosa, com imagens da tradição popular e do convívio entre moradores. A produção preserva registros de manifestações de fé e costumes presentes no Piauí da época.

Da Costa e Silva — 1985
Com cerca de 26 minutos, o documentário conta a história e apresenta a obra do poeta piauiense Antônio Francisco da Costa e Silva (1885–1950). O filme reúne depoimentos do filho do escritor, Alberto da Costa e Silva, do diplomata José Guilherme Merquior, além de professores, poetas e pessoas próximas ao autor.
A produção foi realizada em homenagem ao centenário do poeta, com apoio da Secretaria de Cultura do Estado. O trabalho também recebeu prêmio pelo roteiro.

Filmes voltam às telas após mais de 40 anos
As sete produções foram restauradas digitalmente em 2K, permitindo que os filmes sejam novamente exibidos com qualidade de imagem adequada. A recuperação faz parte do trabalho de preservação desenvolvido pela Mostra Parada de Cinema. Em 2025, o evento apresentou a mostra Cinema Marginal Piauiense.
Neste ano, a parceria com a Cinelimite aumenta esse trabalho ao recuperar todos os sete filmes do Grupo Mel de Abelha.
Com a iniciativa, imagens registradas há mais de quatro décadas voltam ao público e ajudam a preservar registros da história, da cultura e do cotidiano do Piauí. A 9ª Parada de Cinema será realizada de 7 a 10 de outubro de 2026, em Teresina.
O evento é patrocinado pelo Governo do Estado do Piauí, por meio da Secretaria de Estado da Cultura (Secult-PI), e pela Equatorial Energia, por meio do Sistema de Incentivo Estadual à Cultura (SIEC).
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