Feito Pipa é o Brasil para o Oscar 2027 com desafios
Escolhido para representar o Brasil no Oscar 2027, Feito Pipa precisa buscar distribuição e campanha agora no território dos Estados Unidos
A escolha de Feito Pipa para representar o Brasil no Oscar 2027 certamente não leva em consideração a questão da distribuição ou visibilidade fora do país na data de hoje, 16 de setembro. Particularmente, imaginava que Vicentina Pede Desculpas seria escolhido.
Contudo, Feito Pipa foi muito elogiado por quem pôde assisti-lo e isso é um passo importante. O próximo é conseguir uma distribuição nos Estados Unidos para a campanha pelo prêmio da Academia estadunidense. Sem essa rodagem forte, não existe indicação.
O longa chegou a ganhar publicações na The Hollywood Reporter e Variety e recebeu prêmios em Berlim, como o Urso de Cristal, concedido pelo júri jovem, e o Grande Prêmio do Júri Internacional. Mas ainda é preciso correr muito para ter a visibilidade que a Netflix dará a Vicentina Pede Desculpas, que vai lançá-lo mundialmente.

Ainda há tempo, por óbvio, e a escolha da Academia Brasileira como representante o ajuda nisso. O que se pode esperar é que haja o mesmo fôlego de partida de O Agente Secreto e Ainda Estou Aqui, que tiveram campanhas sólidas muito cedo por meio de companhias como Neon e Sony.
É preciso que os votantes do Oscar vejam Feito Pipa, e conseguir entrar na chamada shortlist de Filme Internacional pode ser um grande passo para que o olhar desses votantes se afunile para menos filmes e nós tenhamos chance de sermos indicados mais uma vez. A pré-lista da Academia será anunciada em 15 de dezembro. No dia 21 de janeiro, saem os indicados.
Feito Pipa é dirigido por Allan Deberton e tem produção da Deberton Filmes e da Biônica Filmes. O filme conta a história de Gugu, de 12 anos. Apaixonado por futebol, ele vive com a avó Dilma, uma professora aposentada que o criou. A relação do menino com o pai, Batista, contudo, é de ausências. O que vai ser uma forma de conflito quando Gugu precisa encarar a possibilidade de morar com ele.
O longa chega aos cinemas brasileiros no dia 5 de novembro.
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E Vicentina?
Vicentina ainda pode representar o Brasil no Oscar, como uma segunda opção. Se o longa vencer o prêmio principal da mostra Platform em Toronto — que será anunciado em 20 de setembro —, ele continua elegível para a corrida pelo prêmio da Academia norte-americana, mesmo sem ter sido escolhido pela Academia Brasileira de Cinema. Isso ocorre porque as regras deste Oscar permitem que filmes internacionais que conquistem determinados prêmios principais em grandes festivais sejam submetidos diretamente à Academia.
Vinícius Lemos é jornalista e repórter da TV Paranaíba
*Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a opinião do Paranaíba Mais