Dia Mundial do Queijo: produção familiar mineira atinge 43 mil toneladas em 2025
Setor movimentou 12 mil agroindústrias familiares em 2025; produtores de Araxá e Uberlândia se destacam como melhores do estado
Minas Gerais alcançou a marca histórica de 43 mil toneladas de queijo produzidas por agroindústrias familiares em 2025. O balanço inédito da Emater-MG, divulgado às vésperas do Dia Mundial do Queijo (20), revela a força de mais de 12 mil pequenos produtores que mantêm viva uma tradição agora reconhecida pela Unesco como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade.

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O levantamento aponta que Minas conta hoje com mais de 12 mil empreendimentos familiares dedicados à produção de queijos, espalhados por mais de 800 municípios, consolidando o alimento como um dos principais símbolos culturais e produtivos do campo mineiro.
Dia Mundial do Queijo revela tradição
A diversidade é uma das marcas do queijo feito em Minas. Segundo a Emater-MG, os dados revelam não apenas o alto volume produzido, mas também a variedade de tipos, métodos e histórias que se mantêm vivas no meio rural.
Uberlândia e o Triângulo Mineiro em destaque
O reconhecimento da qualidade também aparece nos concursos. A Queijaria Ouro das Gerais, de Uberlândia, levou o Queijo Minas ao 18º Concurso Estadual dos Queijos Artesanais de Minas Gerais, colocando a produtora Walkiria Borges Naves Loreno entre as cinco melhores do estado.
No Alto Paranaíba, o Queijo Minerim, produzido por Alexandre Honorato e Berenice Maria da Silva, em Araxá, conquistou o título de melhor Queijo Minas Artesanal de Minas Gerais, sagrando-se campeão na principal categoria do concurso estadual.
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Força do leite cru e o selo da Unesco
O grande protagonista dessa produção é o queijo feito a partir de leite cru. Os queijos artesanais somaram 32,1 mil toneladas em 2025, o que corresponde a quase 75% de toda a fabricação familiar do estado. O destaque absoluto fica para o Queijo Minas Artesanal (QMA), que sozinho atingiu 18,4 mil toneladas e envolve 3,5 mil famílias produtoras.
O sucesso produtivo é acompanhado de um reconhecimento histórico, desde o final de 2024, os “Modos de Fazer o Queijo Minas Artesanal” são considerados Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade pela Unesco. O título protege técnicas ancestrais preservadas em dez regiões tradicionais, como Araxá, Canastra e Triângulo Mineiro, além de outras áreas que produzem joias como o Queijo Alagoa e o Requeijão Moreno.
Para a Emater-MG, esse modelo de produção é um salto estratégico para as comunidades. “A atividade fortalece o desenvolvimento sustentável das famílias e agrega valor ao leite produzido nas propriedades”, explica a coordenadora Rayanne Soalheiro. O foco agora é a capacitação constante para que esses queijos alcancem mercados cada vez mais formais e exigentes.
Dois símbolos, uma mesma data
Além do queijo, o Fusca também ocupa lugar de destaque na data, reforçando o valor da tradição. Celebrados no mesmo dia, os dois ícones ajudam a contar partes importantes da história cultural, social e econômica de Minas Gerais.
Se o Fusca deixou sua marca nas estradas e na memória de gerações, o queijo construiu seu caminho nas cozinhas, nas fazendas e nas mesas dos mineiros, tornando-se símbolo de afeto, identidade e sustento para milhares de famílias do campo. Ambos ultrapassaram sua função original e hoje ocupam espaço de verdadeiro patrimônio cultural, profundamente ligados à memória coletiva do estado.