‘DESÁGUE’: mostra no Centro de Uberlândia reúne 20 artistas neste sábado (12)
Idealizado por artistas locais, Ateliê Curva lança exposição coletiva para aproximar o público da produção visual independente da região; evento começa a partir das 17h
Com o objetivo de valorizar a produção autoral e reaproximar o público do fazer artístico, o Ateliê Curva realiza a exposição coletiva DESÁGUE neste sábado (12), a partir das 17h, na Av. Rio Branco, 765.
A mostra reúne criações de 20 artistas visuais e urbanos de Uberlândia e região, apresentando produções de graffiti, ilustração, xilogravura, pintura e artes aplicadas. E além da exposição e do bar que estará aberto, todos os trabalhos estarão à venda no local.

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O nome da mostra ‘DESÁGUE’ nasce da relação com a ideia de “Curva de Rio” e da convergência de percursos. Segundo Ronaldo Botelho (conhecido como Folye), artista e cofundador do Curva, ao lado de Isaac (conhecido por Joga), a curadoria se deu de forma orgânica, pautada no afeto e na admiração pelos artistas, sem a exigência de que as obras tivessem alguma padronização de assuntos ou estéticas entre si.

“São artistas com trajetórias, técnicas e linguagens muito diferentes, e justamente por isso achamos interessante colocá-los lado a lado. A ideia do DESÁGUE é deixar que essas diferentes produções encontrem um ponto de contato sem abrir mão da identidade. Às vezes, o mais interessante é justamente o contraste e o diálogo que aparecem quando colocamos pesquisas diferentes convivendo no mesmo espaço”, explica Ronaldo.
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Exposição busca reforçar a importância de valorizar o consumo da arte
Além da exposição e venda das obras, a mostra ‘DESÁGUE’ traz ao debate a importância do consumo consciente de arte autoral e a valorização do tempo do artista, em um momento em que a geração de imagens por Inteligência Artificial ganha força.
Para os organizadores, a tecnologia é uma ferramenta inevitável, mas não substitui a vivência e a intenção do trabalho feito à mão. “Existe uma diferença muito grande entre consumir uma imagem e se relacionar com uma obra. Quando alguém compra uma pintura ou gravura, está levando uma parte da trajetória daquele artista. No trabalho autoral existe repertório, erro, experimentação e escolha”, pontua Ronaldo.

O gestor reforça que a cena independente precisa do suporte direto do público para se manter viva. “Para criar a cena, a gente tem que ensinar a importância de valorizar e consumir a arte local, porque senão todo mundo vai virando artista por hobby. O papel do Ateliê também é desmistificar isso, para que comprar arte deixe de ser visto como algo distante ou inacessível. Não é só curtir e compartilhar: é comprar, encomendar e contratar quem produz”, explica.
Conheça um pouco dos artistas que estarão presentes no evento:
A seleção de obras apresenta pesquisas que atravessam entre diferentes temáticas, estilos e composições, como a arte urbana, o muralismo, a tipografia, a ancestralidade e as identidades de gênero.
Entre os 20 expositores, estarão presentes os fundadores no Ateliê, Folye, que transita entre a pintura, o muralismo e o minimalismo visual, e Joga, grafiteiro desde 2016 que traz a cultura de rua em cores vibrantes.

Também compõem a lista, com produções que valorizam o Cerrado e a cultura popular, o muralista Kim Ferreira, formado pela UFU e com passagem pelo circuito europeu Meeting of Styles e o designer Guideki, fundador do Estúdio Farândola.
A cena do graffiti e do Hip Hop também será bem representada no sábado, por veteranos como Julio Neguela, pioneiro em Uberlândia e autor do livro “O Beabá do Graffiti”, e Dequete, expoente da Geração 90 de Belo Horizonte famoso pelo personagem Ogato.
Questões espirituais, de gênero e raciais também ganham espaço em trabalhos específicos:
- Buson apresenta a xilogravura “Porteira de Exú”, ligada à espiritualidade e à transição acadêmica;
- Noemia Teixeira (Nit) expõe “Nit e o Pé de Antúrio”, em mista de acrílica, pastel e spray, focada no protagonismo de mulheres negras;
- PWR BIXA traz “PINK BAIT”, obra que une cultura pop, erotismo e horror sob perspectiva queer.
A mostra ainda completa a lista de 20 artistas com Lu Guedes, Juhju, Hannya, Monk, Barb, Sivirinu, Deslaias, Eu Felipe, Curió, Pipa e Maria Mars.
Sobre o Ateliê Curva
Fundado em maio de 2026 pelos artistas visuais e grafiteiros Folye e Joga, o Ateliê Curva surgiu da necessidade de conectar frentes criativas e criar um espaço de visibilidade para quem produz arte fora dos grandes eixos das capitais. O local funciona de forma híbrida: é ateliê de produção, galeria de arte e ponto de convivência.

Serviço
- Evento: Exposição Coletiva ‘DESÁGUE’
- Data: Sábado, 12 de setembro de 2026
- Horário: A partir das 17h
- Local: Ateliê Curva — Av. Rio Branco, 765, Centro — Uberlândia (MG)
- Entrada: Gratuita (obras à venda no local)
Para ficar por dentro de outros eventos da cena cultural de Uberlândia e região, acompanhe o portal Paranaíba Mais.