Crianças desaparecidas: advogada de família contesta PF sobre resgate nos EUA

Polícia Federal informou que não há brasileiros entre menores resgatados nos EUA; defesa das famílias afirma que não foi notificada e cobra laudos.

, em Uberlândia

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A advogada da família das crianças desaparecidas no Maranhão, Nathaly Moraes, foi às redes sociais reagir ao comunicado da Polícia Federal (PF), que afirmava que nenhuma criança brasileira estaria entre as 163 pessoas encontradas nos Estados Unidos. Segundo a criminalista, a família não descarta nenhuma possibilidade de identificação e não foi comunicada oficialmente pela Interpol. Os novos capítulos na busca pelos irmãos Ágatha Isabelly (6) e Allan Michael (4), e Edson Davi, que desapareceu em 2024 no Rio de Janeiro, foram causados após contato do órgão de segurança intergovernamental e o pedido de inclusão dos menores na Difusão Amarela da Interpol, mecanismo global voltado à localização de pessoas desaparecidas.

Crianças desaparecidas
Edson Davi desapareceu em 2024 e Ágatha Isabelly e Allan Michel em janeiro deste ano – Crédito: Reprodução/Redes Sociais

Na noite desta quarta-feira (9), após a repercussão da possível localização das crianças desaparecidas nos Estados Unidos, a Polícia Federal publicou um informe  de que irá encaminhar à Organização Internacional de Polícia Criminal (Interpol) o pedido para inclusão na lista de Difusão Amarela de Edson Davi, e que adotou as providências necessárias junto ao organismo internacional. 

Contudo, no mesmo comunicado, afirmou que “segundo informações das autoridades norte-americanas, nenhuma criança brasileira está entre as 163 pessoas localizadas recentemente nos Estados Unidos no âmbito da Operação Statewide Shield”. 

“Após o encaminhamento da solicitação pela autoridade policial competente, cabe à Interpol analisar as informações e decidir sobre a publicação e o compartilhamento do alerta com os países-membros da organização”, concluiu a PF em nota. 

Segundo o governo norte americano, a Operação Statewide Shield, realizada em agosto deste ano, aconteceu em cinco dias, focada na identificação, localização e recuperação de crianças desaparecidas.  A força-tarefa multidisciplinar localizou proativamente jovens vulneráveis ​​em todo o país e fora dos Estados Unidos . As crianças tinham idades entre 2 meses e 17 anos. Na divulgação da operação, realizada pelo procurador-geral da Flórida, a operação contou com atividades policiais no Brasil. 

Reação da representante das Crianças Desaparecidas no Maranhão 

Diante das informações divulgadas pela PF, a representante legal da família de Ágatha e Allan foi às redes sociais para atualizar a situação da família. Segundo a criminalista, nenhuma informação relacionada à não identificação de brasileiros  foi comunicado oficialmente à família. 

A advogada também afirmou que foi realizado o requerimento formal à Polícia Federal da inclusão das crianças no mecanismo de identificação, e que aguardam manifestação oficial da PF direcionada à família. 

“Enquanto não houver uma manifestação oficial da Polícia Federal dirigida a nós, acompanhada dos esclarecimentos necessários, não descartaremos nenhuma possibilidade de identificação. Nosso compromisso permanece sendo com a verdade, com a busca pelas crianças e, sobretudo, com o direito das famílias de obterem respostas oficiais, claras e fundamentadas”, declarou a advogada nas redes sociais (veja nota na íntegra abaixo)

Nesta quinta-feira (10), após o comunicado da PF voltado ao caso de seu filho,  a mãe de Édson Davi também foi às redes sociais para divulgar um vídeo que mostra sua passagem pela delegacia da Polícia Federal. “2 anos e 8 meses de luta, de portas fechadas, de perguntas sem respostas e de uma mãe que nunca aceitou que o sequ@stro do seu filho fosse tratado como apenas mais um caso. Ontem, mais um passo foi dado. Estive na INTERPOL para levar o nome do Édson Davi para além das fronteiras do Brasil”, escreveu na publicação.

Veja nota publicada pela advogada das crianças maranhenses:

Diante das informações divulgadas pelo Delegado-Geral de Polícia do Maranhão, no sentido de que a Polícia Federal teria informado não haver crianças brasileiras entre aquelas resgatadas nos Estados Unidos, esclarecemos que essa informação não foi oficialmente comunicada a nós.

Na data de hoje, comparecemos à sede da Polícia Federal para a realização dos procedimentos relacionados à coleta e comparação genética, com o objetivo de contribuir para a identificação das crianças e esclarecer, de forma técnica e definitiva, qualquer eventual correspondência.

Foi apresentado requerimento formal à Polícia Federal, ao qual aguardamos resposta oficial acerca das informações divulgadas e dos procedimentos de identificação realizados.

Enquanto não houver uma manifestação oficial da Polícia Federal dirigida a nós, acompanhada dos esclarecimentos necessários, não descartaremos nenhuma possibilidade de identificação.

Nosso compromisso permanece sendo com a verdade, com a busca pelas crianças e, sobretudo, com o direito das famílias de obterem respostas oficiais, claras e fundamentadas.

Reconhecemos a importância da imprensa nesse processo e agradecemos todo o apoio recebido. Sem a atuação e a repercussão da mídia, certamente não teríamos alcançado a dimensão que a busca exige.

Seguiremos acompanhando o caso com responsabilidade, cautela e firmeza, aguardando o pronunciamento oficial das autoridades competentes.

Relembre os casos das crianças desaparecidas

Os irmãos  maranhenses sumiram em janeiro deste ano, quando foram vistos pela última vez brincando em uma área de mata no Quilombo São Sebastião dos Pretos, em Bacabal. Até hoje, nenhum suspeito foi formalmente apontado pelas autoridades como responsável pelo desaparecimento das crianças. 

Edson Davi Silva Almeida, visto pela última vez na praia da Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, tinha 6 anos quando desapareceu, e a Polícia Civil concluiu que ele teria se afogado no mar. A família, porém, contesta essa versão e defende a hipótese de sequestro, mantendo viva a esperança de encontrá-lo com o apoio das ferramentas internacionais de busca. 

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