Pra não dizer que não falei das flores: lembranças de Lya, J.R. Guzzo e Pompeu de Toledo
Entre memórias e inspirações, uma homenagem aos mestres da palavra que moldaram gerações de leitores
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Lya Luft, J.R. Guzzo e Roberto Pompeu de Toledo praticamente pegaram na minha mão direita e me orientaram na escrita. Ases da linguagem simples, porém lúcida e objetiva. Verdade que muitas vezes salpicada de pitadas irônicas, mas sem perderem o tom respeitoso ao leitor.
Compuseram a fase mais deslumbrante, para mim, de VEJA. O hábito de aguardar ansiosamente a campainha tarde da noite de sábado ou domingo bem cedo para ir até a caixa de correios e rasgar o invólucro plástico.
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Quem aí tem a mania esquisita de ler uma revista de trás pra frente. Não é maluquice, é peculiaridade. JR e Toledo se alternavam no artigo final enquanto Luft estava lá no começo. Os “rapazes” testavam nossa resiliência com potes fartos de realidade e crueza nas palavras da semana. A dama da escrita me acalmava dando sopapinhos nas costas de que “a vida presta, sim”.
Foi num desses momentos reclusos dominicais que Lya me sussurrou nos ouvidos: “Há gente que, em vez de destruir, constrói; em lugar de invejar, presenteia; em vez de envenenar, embeleza; em lugar de dilacerar, reúne e agrega”.
Que delícia de alento! As coisas boas ficam por último, é a parte que importa.
O título deste artigo é uma homenagem a Geraldo Vandré, o ídolo mal interpretado e resumido a uma bandeira vermelha de esquerda. Vandré nos sorveu de sensibilidade ao misturar política e flores. Apesar de tudo, elas existem e precisamos falar sobre tal.
Outros colunas
Lya Luft nos deixou nos últimos dias de 2021. Guzzo neste mês de agosto. Sua foto de assinatura nas colunas e artigos me remetem a um galã de Hollywood na época de ouro do cinema americano.
“Dá licença que é minha hora de falar”, pensava eu ouvindo sua voz imaginária antes de ler suas elucubrações semanais. Falava da Terra do Nunca, dos malfeitos de mandatários de qualquer lado, defendia sempre a liberdade de expressão.
Na escrita derradeira narrou seu ponto de vista sobre o imbróglio de Trump, tarifaço, família Bolsonaro e governo Lula. Uma bofetada crítica ao seu melhor estilo.
O texto nasce da indignação com algo, vociferou certa vez Ferreira Gullar em palavras parecidas. E o meu aprendizado, ou pretensão de aprendiz, me aponta para o legado de Pompeu de Toledo na minha escrita. Único ainda vivo dessa academia literária magnífica, me abriu os olhos para o fantástico universo da análise afastada dos interesses pessoais.
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Chegou a me causar estranheza considerar plausível a atitude de um agente público pelo qual não nutria simpatia, mas que em determinado episódio lhe pareceu sensato.
Admirador compulsivo da cultura humana, declarou sabiamente: “Estou convencido não só de que a literatura muda o mundo, mas também que ela criou o mundo. O que seria da Grécia se não fosse Homero, por exemplo? Homero criou a Grécia. Não existiria Grécia sem Homero. Que seria da Itália sem a Divina comédia? Ou da língua portuguesa sem Camões?”.
Vem, vamos embora… Quem sabe faz, não espera acontecer.
Qualquer hora apareço por aqui novamente para falar de flores. Como elas nos são necessárias!