O TREM vem aí!
Em várias cidades da região e do interior paulista há uma praça, um monumento, um cartão postal com uma locomotiva ou um vagão relembrando e restaurando a epopeia do transporte ferroviário, menos em Uberlândia
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Me pergunto sempre por que é que Uberlândia, a cidade que deve boa parte do seu crescimento ao Trem de Ferro e às Ferrovias é única, exatamente, a única cidade que nunca homenageou ou festejou os ferroviários e seu legado. Em várias cidades da região e do interior paulista há uma praça, um monumento, um cartão postal com uma locomotiva ou um vagão relembrando e restaurando a epopeia do transporte ferroviário, menos em Uberlândia.

Não sei por que não há nenhuma menção ao governador paulista Abreu Sodré, autor do decreto que doou à Prefeitura de Uberlândia a área onde existiu a Ferrovia da Mogiana que hoje dá espaço a algumas avenidas, mas que somadas, compunham o antigo leito da ferrovia. Foi Renato de Freitas que ainda nos anos 70 pediu o trecho ao governo paulista, o que só foi feito quase quatro anos depois, e a partir daí os trilhos foram arrancados e por alguns anos, alguns vagões foram esquecidos na Praça Sérgio Pacheco, até serem consumidos pelo tempo no final dos anos 80.
Hoje, o leito da ferrovia no perímetro urbano de Uberlândia atende por Avenida João Naves de Ávila até a Avenida Floriano Peixoto, quando muda para Avenida Américo Salvador Tangari (leia-se Tângari e não Tangari), homenagem ao histórico dono da Fármacia do Américo, seguindo até a Fernando Vilela quando homenageia o Monsenhor Eduardo, que foi um dos construtores da Catedral de Santa Terezinha, vira Balaiadas ao chegar no Santa Rosa e por fim, se transforma na Avenida Dr Rofles Cecílio até findar nos antigos galpões da Casemg, numa homenagem a um dos históricos médicos do Uberlândia Esporte Clube.
O TREM
Já sugeri que as forças políticas de Uberlândia atuem junto à Ferrovia Centro Atlântica para que a antiga estação do Custódio Pereira seja doada ao município e que naquele espaço seja criado o TREM – Terminal de Resgate e Memoria de Uberlândia, com espaço para um museu, uma praça de alimentação, uma área para shows culturais, espaço para os Traillers de Fast Food e, é claro, uma locomotiva e alguns vagões para resgatar a história desta cidade que até hoje não reconheceu a importância da Ferrovia para o seu desenvolvimento. Até a construção da UAI Pampulha, ainda nos anos 90, a área onde ela está localizada era denominada de Praça dos Ferroviários, mas que nunca passou de um terreno sem qualquer benfeitoria ou monumento. Espero que o TREM venha.
Neivaldo Silva
Jornalista, radialista, ex-vereador
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