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Retrato de Flávia Reis, jornalista especializada em Gestão Estratégica de Marketing Digital e Gerenciamento de Projetos.

Flávia Reis

Toda semana, a jornalista Flávia Reis traz um olhar direto sobre temas que a maioria só comenta entre amigas: carreira, dinheiro, relacionamentos, saúde, segurança e tudo o que pesa de verdade na vida das mulheres 30+

Política é substantivo feminino, e o voto é seu

Antes do segundo turno, em 25 de outubro, três perguntas ajudam a estudar a proposta dos candidatos e decidir com informação

, em Uberlândia

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No almoço de domingo, alguém opina. No grupo da família, circula um vídeo. No trabalho, na igreja, na academia, sempre tem alguém com certeza sobre quem merece o seu voto. Na cabine de votação, nada disso entra. Ali estão você, a urna e a sua decisão. A pergunta que vale fazer antes do segundo turno da eleição para presidente, dia 25 de outubro, é simples: de onde vem a minha opinião?

Flávia Reis em frente a uma tela do DivulgaCandContas, do TSE, que reúne as propostas dos candidatos para o voto consciente
Antes de votar, consulte a proposta de cada candidato no DivulgaCandContas, sistema oficial do TSE – Crédito: Ana Valente

As mulheres já comparecem e já decidem

Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), 83.877.126 dos 158.745.463 eleitores aptos em 2026 são mulheres, ou 52,84%. No primeiro turno desse ano, mulheres conquistaram 12 das 54 vagas do Senado em disputa, e a Câmara terá 109 deputadas a partir de 2027, o equivalente a 21% das 513 cadeiras, conforme informado pelo Paranaíba Mais. Em Minas Gerais, foram eleitas 11 deputadas federais e 20 estaduais, 26% das 77 cadeiras da Assembleia. É um avanço real, e ainda assim estamos longe de metade das cadeiras.

Todo mundo escuta alguém, e isso é normal

Uma pesquisa feita entre 29 de setembro e 1º de outubro de 2026, 43% dos entrevistados disseram que amigos próximos influenciam seu voto, 42% apontaram a imprensa, 39% os perfis em redes sociais e 30% os líderes da própria igreja. Quase todo mundo se deixa influenciar por alguém, seja homem ou mulher. Ouvir a família, o companheiro, a comunidade e os amigos faz parte de viver em sociedade. O que muda tudo é decidir sabendo de onde vem cada opinião, depois de olhar com os próprios olhos o que cada candidato propõe.

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O voto é secreto e é livre

Ninguém precisa dizer em quem votou. Convencer, pedir voto e discordar são parte do jogo democrático. O direito de votar, para as mulheres, existe no Brasil desde 1932, e a ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal, lembrou o que ele garante, durante entrevista concedida em julho para uma emissora de televisão:

“Se não tivessem voto, não teriam a liberdade para expressar o que a gente quer, inclusive para ser contra. É isso que a democracia garante, algo que uma ditadura não garante.”

Voto livre é o que permite a cada uma escolher diferente de quem está ao lado.

Voto consciente: como estudar uma proposta em poucos minutos

O DivulgaCandContas, sistema oficial do TSE, reúne as informações que os candidatos registram na Justiça Eleitoral, entre elas as propostas de governo, os bens declarados e as contas de campanha. Em vez de ler tudo, vale começar por três perguntas, que são uma sugestão minha, não uma regra oficial: 

1) O que a proposta promete para o tema que mais pesa na sua decisão, seja saúde, segurança ou emprego? 

2) Existe meta e prazo, ou só intenção? 

3) De onde sairia o dinheiro?

Antes de compartilhar qualquer conteúdo político, o próprio TSE, no Manual do Eleitor, orienta conferir quem é o autor, se o perfil é autêntico, a data da publicação e se veículos confiáveis noticiaram o mesmo fato. Para checar o que circula, existe a página Fato ou Boato da Justiça Eleitoral.

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Política é lugar de mulher em todas as pontas

“Política é substantivo feminino” foi o nome de uma campanha do Ministério Público Federal contra a violência política de gênero, que a Lei 14.192/2021 define como “toda ação, conduta ou omissão com a finalidade de impedir, obstaculizar ou restringir os direitos políticos da mulher”.

Assediar, constranger, humilhar, perseguir ou ameaçar candidata ou detentora de mandato é crime, com pena de 1 a 4 anos de reclusão e multa, segundo o artigo 326-B do Código Eleitoral. O MPF acompanha cerca de 400 casos desde 2021.

Pego emprestada a frase para dizer que política é lugar de mulher em todas as pontas: candidatar-se, votar com informação e cobrar depois da eleição.

Votar é só o começo. Cármen Lúcia também disse: “A gente tem que permanentemente estar em vigilância para a manutenção dos direitos conquistados.” Ler a proposta, guardar a resposta e voltar a ela quando o mandato começar também é uma forma de vigilância.

Então fica a minha pergunta: qual proposta você leu antes de decidir o seu voto consciente, e que pergunta faria a quem pede o seu apoio? Conta para mim nos comentários do @paranaibamais no Instagram.

* Flávia Reis é jornalista, gerente de conteúdo digital do Grupo Paranaíba e fundadora da Holis Comunicação. Escreve toda semana sobre carreira, relações, saúde, dinheiro e identidade.