Retrato de Flávia Reis, jornalista especializada em Gestão Estratégica de Marketing Digital e Gerenciamento de Projetos.

Flávia Reis

Toda semana, a jornalista Flávia Reis traz um olhar direto sobre temas que a maioria só comenta entre amigas: carreira, dinheiro, relacionamentos, saúde, segurança e tudo o que pesa de verdade na vida das mulheres 30+

Você conhece as 5 linguagens do conflito? Elas podem valer mais que as linguagens do amor

Terapeutas de casal criaram essa versão do teste mais famoso sobre relacionamento, só que aplicada à briga

, em Uberlândia

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Você provavelmente conhece o teste das 5 linguagens do amor, mas talvez nunca tenha ouvido falar nas 5 linguagens do conflito, a versão do mesmo raciocínio aplicada à briga, não ao afeto. Palavras de afirmação, tempo de qualidade, atos de serviço, toque físico. O livro de Gary Chapman sobre as linguagens do amor saiu em 1992, vendeu mais de 17 milhões de cópias só em inglês e foi traduzido para 50 idiomas. Ajudou muita gente a entender por que o parceiro nunca lembra de comprar flores, mas troca o pneu do carro sem reclamar, e por que isso também é amor, só que falado num idioma diferente do seu.

Um framework recente, criado por terapeutas de casal, descreve como cada pessoa processa desentendimento. Não o assunto da briga, mas a forma de lidar com ela.

Flávia Reis pensativa tentando entender as 5 linguagens do conflito, com balão de pensamento cheio de símbolos de confusão
Essa é a minha cara toda vez que tento entender por que a mesma discussão nunca se resolve. Spoiler, a resposta está nas 5 linguagens do conflito – Crédito: Ana Valente

As 5 linguagens do conflito

A terapeuta de casal April Eldemire e o parceiro dela, Jeremy Roberts, descrevem cinco estilos a partir da prática clínica com casais. Tem quem seja direto, quer resolver ali, na hora, sem rodeio. Tem quem seja prático, foca em fatos e solução, quebra o problema em etapas até virar algo administrável. Tem quem precise se sentir ouvido antes de qualquer coisa, validado primeiro, resolvido depois. Tem quem processe por dentro, sozinho, em silêncio, antes de conseguir sentar pra conversar. E tem quem só se sinta bem quando os dois lados constroem a solução juntos, no mesmo ritmo, sem ninguém decidindo primeiro.

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Quero reforçar algo importante aqui. Esse framework não passou por validação científica formal, é uma ferramenta observacional, construída em consultório, não em laboratório. A mesma ressalva vale, aliás, para as linguagens do amor originais de Chapman, que também nunca tiveram comprovação empírica robusta apesar do sucesso mundial. Isso não invalida a utilidade prática de nenhum dos dois. Só significa que estamos falando de vocabulário útil, não de ciência dura.

Por que a mesma briga nunca sai do lugar

Boa parte das discussões que se repetem, ano após ano, no mesmo casal, não tem a ver com o assunto que está sendo discutido. Tem a ver com duas pessoas tentando se comunicar em idiomas incompatíveis.

Uma pessoa direta tentando puxar conversa com uma pessoa que ainda está processando por dentro gera a sensação de perseguição de um lado e de fuga do outro, quando na verdade os dois só falam línguas diferentes.

Uma pessoa que precisa ser validada emocionalmente antes de qualquer solução sente frieza vindo de uma pessoa prática que já foi direto pro “e agora, o que fazemos”. Nenhum dos dois lados está errado. Só estão desencontrados.

Escrevi aqui, há algumas semanas, sobre como o controle coercitivo raramente é físico. O mecanismo por trás de muita coisa que parece incompatibilidade de personalidade tem uma raiz parecida, embora bem mais leve. Falta vocabulário compartilhado pra lidar com o momento em que os dois discordam.

Como reconhecer a sua

Algumas perguntas ajudam a identificar a própria linguagem, e a do outro também. Quando algo te incomoda, você fala na hora ou precisa de um tempo sozinha antes? Você quer ser ouvida antes de qualquer solução, ou prefere ir direto pro “o que fazemos agora”? Uma discussão que termina sem solução visível no mesmo dia te deixa mais ansiosa, ou mais aliviada, porque ainda dá tempo de pensar?

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As respostas não são fixas pra sempre e podem mudar dependendo de quem está do outro lado da conversa. Com a mãe pode ser um jeito, com o parceiro outro, com uma sócia outro ainda. O que muda o resultado da próxima briga não é descobrir quem tem razão. É descobrir que idioma cada um está falando.

Uma pergunta pra fechar

Não existe linguagem de conflito certa nem errada. Existe incompatibilidade que ninguém nunca parou pra explicar. Reconhecer a sua e perguntar qual é a do outro, seja parceiro, filho adolescente, sócia ou mãe, já muda o que acontece na próxima vez que vocês discordarem de alguma coisa.

Se você leu e pensou em alguém específico, manda esse texto pra essa pessoa agora. E se quiser continuar essa conversa comigo, me segue aqui no Paranaíba Mais, toda quinta-feira tem coluna nova.

Flávia Reis é jornalista, gerente de conteúdo digital do Grupo Paranaíba e fundadora da Holis Comunicação. Escreve toda semana sobre carreira, relações, saúde, dinheiro e identidade.