Danilo Caixeta

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Terreno do futuro Data Center de Uberlândia pertence a fundo administrado por empresa citada no caso Banco Master

Documentos da CNV e do MPF mostram que a Fazenda Bom Jardim, destinada ao futuro data center, integra o patrimônio do Fundo Bacuri. A atual administradora do fundo aparece em reportagens nacionais sobre o caso Banco Master

, em Uberlandia

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O anúncio da construção de um Data Center de Inteligência Artificial do Brasil em Uberlândia ganhou um novo e inesperado capítulo. Documentos oficiais analisados pelo Paranaíba Mais revelam que o terreno destinado ao empreendimento pertence ao Fundo de Investimento Imobiliário Bacuri, atualmente administrado pela WNT Capital, empresa que aparece no contexto das investigações envolvendo o caso Banco Master.

data center Uberlândia; Master
Terreno é localizado na Rodovia BR-497, s/n, Km 1- 480, Uberlândia – Crédito: Reprodução/Google Maps

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Embora os documentos oficiais não indiquem que o Fundo Bacuri seja investigado pelas autoridades financeiras, eles permitem reconstruir uma sequência de fatos que ajuda a compreender por que o empreendimento deixou de ser apenas uma notícia sobre tecnologia e desenvolvimento econômico para ingressar também no debate sobre transparência patrimonial, mercado financeiro e controle público.

Foi o Intercept Brasil, através de apuração conduzida pelas jornalistas Laís Martins, Isabella Mota e Gisele Lobato, quem revelou que o Fundo Bacuri, proprietário da área destinada ao futuro Data Center, passou por administradoras que posteriormente ganharam notoriedade em investigações envolvendo o sistema financeiro.

Os documentos analisados pelo Paranaíba Mais confirmam que atualmente o Fundo Bacuri é administrado pela WNT DTVM S.A., integrante da WNT Capital e que passou a ser citada em desdobramentos da Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal.

A WNT Capital assumiu a administração de um conjunto de fundos que antes estavam sob outras gestoras envolvidas nas estruturas financeiras do Banco Master, especialmente após a crise do banco e as intervenções regulatórias.

A Polícia Federal apura se administradoras de fundos, entre elas a WNT, tiveram participação na estrutura financeira utilizada nas operações investigadas no caso Banco Master. Entre as suspeitas investigadas pelas autoridades estão o uso de fundos de investimento para movimentação de ativos, ocultação de riscos e eventual superavaliação patrimonial.

Até o momento não há indicação, nos documentos oficiais, de que o Fundo Bacuri seja alvo dessas investigações.

O que os documentos oficiais mostram sobre o terreno

Os documentos entregues à Comissão de Valores Mobiliários mostram que um dos principais ativos do fundo é a Fazenda Bom Jardim, localizada às margens da BR-497, em Uberlândia. 

Segundo o próprio fundo, a propriedade foi adquirida em 2019 por R$ 14 milhões.

Ao final de 2025, entretanto, esse mesmo imóvel passou a constar nas demonstrações financeiras por aproximadamente R$ 76 milhões, após avaliação pelo critério de valor justo. A valorização patrimonial supera 440%.

Os documentos não explicam que essa reavaliação decorra do projeto do Data Center nem estabelecem relação entre os dois fatos, mas a contemporaneidade dos fatos leva a crer que o anúncio do investimento bilionário pode ter exercido forte influência na supervalorização.

O relatório, no entanto, aponta que não foram apresentados os laudos utilizados para avaliar os imóveis nem as matrículas atualizadas das propriedades, impossibilitando verificar se os valores patrimoniais registrados refletiam adequadamente a realidade dos ativos. 

O Ministério Público Federal investiga outro aspecto do empreendimento

Enquanto as discussões envolvendo o Fundo Bacuri se concentram na estrutura patrimonial e societária, o Ministério Público Federal abriu outra frente de atuação. O procurador da República Gustavo Kenner Alcântara determinou a abertura de um Inquérito Civil para apurar se o futuro Data Center poderá provocar impactos relevantes sobre os recursos hídricos, o sistema energético e a Bacia do Rio Paranaíba. 

Para isso, o MPF requisitou informações à RT-One, que é a responsável pela implantação do Data Center, além de diversos outros órgãos públicos. 

O despacho também cita estudos científicos que alertam para o elevado consumo de água e energia exigido por grandes centros de processamento de inteligência artificial.