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Prefeitura de Uberlândia identifica R$ 598 mil sob suspeita após pente-fino no TFD

Revisão determinada pela Prefeitura de Uberlândia depois da Operação Fantasma identificou dezenas de casos considerados suspeitos, enquanto mais de 100 beneficiários do TFD comprovaram a regularidade das prestações de contas

, em Uberlândia

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Documentos obtidos com exclusividade pela Coluna Danilo Caixeta revelam que uma ampla revisão administrativa promovida pela Prefeitura de Uberlândia sobre as prestações de contas do Tratamento Fora do Domicílio (TFD), referentes aos exercícios de 2022 a 2025, identificou R$ 598.037,41, em valores atualizados, classificados pela administração municipal como de alta suspeita de ilegalidade.

O levantamento integra um trabalho de auditoria instaurado após a deflagração da Operação Tratamento Fantasma, investigação que revelou um esquema de desvios milionários envolvendo recursos do programa e que teve como principal alvo uma ex-servidora da Secretaria Municipal de Saúde.

Os valores apontados pela administração não representam, por si só, a comprovação de irregularidades, mas sim situações que, segundo os órgãos responsáveis pela análise, não foram suficientemente justificadas ou apresentam indícios que demandam responsabilização administrativa e, eventualmente, judicial.

O Tratamento Fora do Domicílio (TFD) é um programa do Sistema Único de Saúde destinado a assegurar que pacientes tenham acesso a tratamentos médicos indisponíveis no município onde residem. Podem ser custeadas despesas como transporte, alimentação e hospedagem do paciente e, quando autorizado, de acompanhante. Como se trata de dinheiro público destinado a uma finalidade específica, cada beneficiário deve comprovar posteriormente a correta utilização dos recursos recebidos.

LEIA MAIS: Entenda o que é o TFD, programa do SUS que está no centro de investigação por desvio em Uberlândia

O pente-fino no TFD

Os documentos analisados pela Coluna mostram que a Prefeitura revisou os processos administrativos entre 2022 e 2025. O resultado demonstra que mais de uma centena de beneficiários conseguiu comprovar a regularidade da utilização dos recursos públicos. Esses usuários receberam um comunicado informando que suas prestações de contas haviam sido aprovadas. O número exato de pessoas que receberam a mensagem não foi informado pela Prefeitura. A Secretaria de Saúde disse em nota que “os trabalhos estão em andamento e, portanto, é necessário aguardar a finalização do processo para compilação consolidada dos resultados”.

Outros processos terminaram com aprovação mediante ressalvas, alguns usuários efetuaram devoluções espontâneas de valores e diversos casos foram reprovados administrativamente por ausência de comprovação adequada das despesas.

Entre os registros analisados aparecem casos em que beneficiários ou depositários teriam utilizado a conta bancária do benefício para empréstimos pessoais, declarado desconhecer que eram beneficiários do programa, empregado recursos em despesas sem qualquer relação com tratamento médico como limpeza de piscina e manutenção de ar-condicionado ou apresentaram movimentações financeiras incompatíveis com a finalidade do benefício.

Em diversos processos, os relatórios administrativos registram o encaminhamento dos casos para a Procuradoria-Geral do Município após o encerramento da fase administrativa.

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Revisão do TFD identifica quase R$ 600 mil com indícios de irregularidades – Crédito: Secom/PMU

O reflexo da Operação Tratamento Fantasma

O novo levantamento tem origem direta nas consequências da Operação Tratamento Fantasma. A investigação policial revelou um esquema que teria provocado prejuízo milionário aos cofres públicos mediante fraudes relacionadas ao programa de Tratamento Fora do Domicílio.

Na ocasião, uma ex-servidora da Secretaria Municipal de Saúde tornou-se alvo das investigações sob suspeita de participação em desvios que, segundo as autoridades, ultrapassariam R$ 6,5 milhões.

A repercussão do caso levou a administração municipal a ampliar os mecanismos de controle e revisar milhares de documentos relacionados ao programa. Para os processos classificados como de suspeita de ilegalidade, ainda cabem as medidas administrativas como o ressarcimento dos valores aos cofres publicou ou até judiciais.

A Secretaria Municipal de Saúde informa que realiza trabalho, em conjunto com o Ministério Público de Minas Gerais, que envolve avaliar as prestações de contas de todos os pacientes do TFD desde 2022. Neste sentido, aquele paciente que teve sua prestação de contas analisada e aprovada já foi comunicado por meio de mensagem sobre o resultado. Por fim, a secretaria esclarece que os trabalhos estão em andamento e, portanto, é necessário aguardar a finalização do processo para compilação consolidada dos resultados.