Por que Minas tem 35,7% menos candidatos a deputado federal?
Número de candidaturas a deputado federal em 2026 caiu de 1.103 para 709 em quatro anos; na disputa pela Assembleia, redução foi de 496 nomes.
Minas Gerais chega às eleições de 2026 com uma disputa proporcional significativamente menor em número de candidatos do que aquela registrada quatro anos atrás. Em 2022, 1.103 candidatos disputaram as 53 cadeiras destinadas ao Estado na Câmara dos Deputados. Agora, o painel da Justiça Eleitoral registra 709 candidaturas para o mesmo cargo. São 394 candidatos a menos, uma redução de 35,72%.
Na disputa pela Assembleia Legislativa, a queda é semelhante. Em 2022, eram 1.411 candidatos para 77 cadeiras. Em 2026, são 915. Nesse caso, são 496 candidaturas a menos, redução de 35,15%.
Em conjunto, as duas eleições proporcionais passaram de 2.514 candidaturas em 2022 para 1.624 em 2026. São 890 nomes a menos, uma redução global de aproximadamente 35,4%.
O sistema partidário mudou
Uma parte importante da resposta está nas mudanças promovidas pela legislação eleitoral nos últimos anos. A primeira delas foi o fim das coligações nas eleições proporcionais.
A Emenda Constitucional nº 97/2017 proibiu que partidos se coligassem para disputar conjuntamente eleições para deputado federal, deputado estadual, deputado distrital e vereador. A regra passou a valer nas eleições municipais de 2020.
Antes disso, diferentes partidos podiam formar uma única coligação proporcional e somar seus votos para efeito de distribuição das cadeiras. Agora, cada partido passou a precisar construir sua própria chapa proporcional.

Depois vieram as federações
Em 2021, o Congresso criou uma nova forma de união entre partidos: as federações partidárias. Elas passaram a participar das eleições a partir de 2022.
Na federação, os partidos permanecem formalmente existentes, mas atuam como uma única agremiação para fins eleitorais e devem permanecer unidos por, no mínimo, quatro anos.
Em Minas Gerais, cada partido ou federação pode registrar até 54 candidatos a deputado federal e até 78 candidatos a deputado estadual. Assim, dois partidos que disputassem separadamente poderiam, em tese, apresentar até 108 candidatos a deputado federal.
Se estiverem reunidos em uma única federação, o limite passa a ser o da própria federação: 54 candidatos.
Na disputa estadual, dois partidos separados poderiam chegar, em tese, a 156 candidatos. Unidos em uma federação, o limite permanece em 78.
União e Progressistas: de dois para um
Um dos exemplos mais claros desta eleição está no centro do tabuleiro político mineiro. Em 2022, União Brasil e Progressistas disputavam separadamente. Agora, os dois partidos estão reunidos na Federação União Progressista.
O TSE aprovou o registro da federação em março deste ano. Desde então, União Brasil e Progressistas passaram a atuar como uma única agremiação eleitoral.
É uma mudança importante porque duas estruturas partidárias que antes poderiam apresentar chapas próprias passaram a compartilhar uma única lista proporcional.
As federações que permanecem
Três federações já existiam nas eleições de 2022 e continuam funcionando em 2026: Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV; Federação PSDB Cidadania, formada por PSDB e Cidadania e Federação PSOL Rede, formada por PSOL e Rede Sustentabilidade.
Essas três foram registradas pelo TSE em maio de 2022, portanto, em 2022 havia três federações reunindo sete partidos. Em 2026, são cinco federações reunindo 11 partidos.
Além da União Progressista, outra novidade de 2026 é a Federação Renovação Solidária, formada por PRD e Solidariedade, que foi registrada pelo TSE em dezembro de 2025.
O PRD não existia como partido em 2022. A legenda nasceu posteriormente da fusão entre PTB e Patriota. O próprio TSE registra o PRD como resultado dessa fusão.
Leia Mais!
- Galassi entra no lugar de Aécio na corrida ao Senado
- Minas tem 1.810 candidatos nas Eleições 2026; veja o perfil
- Concorrência para deputado federal em Minas Gerais é de 13,37 candidatos por vaga
Em 2022, portanto, a composição partidária era diferente: Solidariedade e outras legendas que posteriormente passaram por mudanças estruturais disputavam separadamente. Em 2026, PRD e Solidariedade passaram a funcionar conjuntamente dentro da Federação Renovação Solidária.
É mais um exemplo de como o mapa partidário brasileiro se tornou diferente daquele encontrado pelo eleitor na eleição anterior.
A comparação entre os dois pleitos mostra uma mudança silenciosa, mas importante. Em 2022: PT + PCdoB + PV; PSDB + Cidadania; PSOL + Rede. Eram 7 partidos reunidos em 3 federações.
Em 2026: PT + PCdoB + PV; PSDB + Cidadania; PSOL + Rede; União Brasil + Progressistas; PRD + Solidariedade. Agora são 11 partidos reunidos em 5 federações.
Isso significa que mais legendas passaram a compartilhar estruturas eleitorais e, nas eleições proporcionais, passaram a ser tratadas como uma única agremiação para a formação das chapas.
Mas a federação explica tudo?
A redução de 394 candidatos a deputado federal e de 496 candidatos a deputado estadual não ocorreu exclusivamente porque existem mais federações. A mudança é resultado de um conjunto de fatores.
Somam-se ao fim das coligações proporcionais e o nascimento das federações outros fatores como mudanças na estrutura das legendas, reorganização partidária e as próprias estratégias adotadas pelos partidos para montar suas chapas.
O sistema partidário brasileiro também passou por uma redução do número de forças efetivamente competitivas depois da introdução da cláusula de desempenho e de outras mudanças legislativas.
A queda no número de candidaturas não significa necessariamente que ficou mais fácil ser eleito. A eleição para deputado federal e deputado estadual continua sendo proporcional. O resultado depende da votação obtida pelo conjunto da legenda ou federação e da distribuição das cadeiras conforme as regras eleitorais.
📲 Siga o canal de notícias do Paranaíba Mais no WhatsApp
O que os números revelam, afinal, é uma transformação do modelo de disputa. Em quatro anos, Minas Gerais saiu de 1.103 para 709 candidatos a deputado federal e de 1.411 para 915 candidatos a deputado estadual.
A urna terá menos nomes, mas, por trás dessa redução, existe algo muito maior: menos chapas independentes, mais partidos atuando em conjunto e um sistema partidário que passou a concentrar forças em federações e estruturas eleitorais mais amplas.