Concorrência para deputado federal em Minas Gerais é de 13,37 candidatos por vaga
Justiça Eleitoral registra 709 candidaturas para as 53 cadeiras mineiras na Câmara dos Deputados; conta é apenas uma referência numérica, já que eleição proporcional distribui vagas entre partidos e federações
Minas Gerais chega às eleições de 2026 com 709 candidatos registrados para disputar uma das 53 cadeiras do Estado na Câmara dos Deputados. Considerando o número de candidaturas dividido pelo número de vagas, a média é de 13,37 candidatos por cadeira.
É um número que ajuda a dimensionar o tamanho da disputa eleitoral deste ano, mas precisa ser interpretado com cuidado. Isso porque não existe uma disputa individual de 13 candidatos por uma vaga na eleição para deputado federal. O sistema adotado no Brasil é o proporcional, no qual primeiro se define quantas cadeiras cabem a cada partido ou federação e, somente depois, quais candidatos daquela legenda ocuparão as vagas conquistadas.
Na eleição proporcional, os votos recebidos pelos candidatos e pelas legendas são considerados para determinar a força eleitoral de cada partido ou federação. Primeiro são distribuídas as cadeiras entre partidos e federações conforme sua votação. Depois, dentro de cada legenda ou federação que conquista vagas, são definidos os candidatos eleitos de acordo com a votação nominal e as regras legais aplicáveis.
É aí que entram conceitos como quociente eleitoral, quociente partidário e distribuição das sobras. O quociente eleitoral resulta da divisão dos votos válidos pelo número de cadeiras em disputa. Já o quociente partidário considera os votos válidos obtidos pelo partido ou federação em relação ao quociente eleitoral e as sobras leva em conta as vagas remanescentes depois da primeira distribuição.

Por que o voto de um candidato pode ajudar outro?
Um candidato pode receber uma votação expressiva e contribuir para que seu partido ou federação conquiste mais cadeiras. Depois, essas cadeiras serão ocupadas pelos candidatos mais votados daquela legenda, observadas as exigências legais de votação individual.
Entre outras regras, as cadeiras são inicialmente distribuídas aos partidos e federações que atinjam o quociente partidário (votos válidos conquistados pelo partido ou federação divididos pelo quociente eleitoral).
Depois as vagas remanescentes são ocupadas pelas sobras que considera os partidos que tenham no mínimo 80% do quociente eleitoral e, em sua lista, exista candidato que alcance a votação nominal mínima de 20% do quociente eleitoral. As cadeiras que ainda sobrarem são disputadas entre todos os partidos e candidatos sem obedecer ao desempenho mínimo, observando as maiores médias.
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Para calcular as médias soma o total de votos obtidos por cada partido ou federação divididos pelo número de cadeiras já conquistadas acrescido de uma unidade. O partido que apresenta maior média recebe a próxima vaga. Depois, o cálculo é refeito, considerando a nova cadeira conquistada, até que todas as vagas sejam preenchidas.
Por isso, a pergunta “quantos votos um candidato precisa para ser eleito?” não tem uma resposta única antes da apuração. Depende do desempenho do conjunto da chapa.
Minas também tem 915 candidatos a deputado estadual
A mesma fotografia eleitoral revela uma disputa ainda maior em números absolutos para a Assembleia Legislativa. O painel da Justiça Eleitoral registra 915 candidatos a deputado estadual.
Minas Gerais possui 77 cadeiras na Assembleia Legislativa. Se aplicada a mesma conta meramente matemática utilizada para a Câmara dos Deputados, seriam: 915 candidatos divididos por 77 vagas, o que resulta em 11,88 candidatos por vaga. Novamente, trata-se apenas de uma referência estatística para dimensionar o tamanho da disputa, e não da forma como as vagas serão efetivamente distribuídas.
Menos candidatos na disputa proporcional
Em 2022, Minas Gerais tinha 1.103 candidatos registrados para deputado federal e 1.411 para deputado estadual. Quatro anos depois, são 709 candidatos à Câmara dos Deputados e 915 à Assembleia Legislativa.
Na disputa federal, portanto, houve uma redução de 394 candidaturas, equivalente a 35,72%. Na disputa estadual, a queda foi ainda maior em números absolutos: 496 candidaturas a menos, ou 35,15%.
A redução ajuda a dimensionar uma transformação importante no sistema partidário brasileiro.
O fim das coligações mudou o jogo
Parte dessa mudança decorre da reforma do sistema partidário iniciada antes mesmo das eleições de 2020. A Emenda Constitucional nº 97/2017 proibiu as coligações partidárias nas eleições proporcionais. A partir de 2020, os partidos passaram a disputar essas eleições em listas próprias, sem poder somar seus votos aos de outras legendas por meio de coligações.
Na sequência, a Lei nº 14.208/2021 criou as federações partidárias, que estrearam nas eleições de 2022. Diferentemente das antigas coligações proporcionais, a federação pressupõe uma união partidária mais permanente e, nas eleições proporcionais, funciona como uma única legenda para fins eleitorais.
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Isso tem efeito direto sobre a quantidade potencial de candidaturas. Pelas regras eleitorais, cada partido ou federação pode registrar, nas eleições proporcionais, até 100% do número de vagas em disputa mais uma candidatura. Em Minas Gerais, portanto, uma legenda ou federação pode montar sua lista dentro desse limite para a Câmara dos Deputados (54) e para a Assembleia Legislativa (78).
Isso contribui para reduzir a quantidade potencial de listas e, consequentemente, pode reduzir o número total de candidatos. Mas a redução observada agora é resultado de um conjunto de fatores, entre eles a reorganização do sistema partidário, a consolidação das federações, mudanças na quantidade e na composição das legendas e as próprias estratégias dos partidos na formação das chapas.
O que os números mostram, de maneira objetiva, é que Minas Gerais chega a 2026 com cerca de um terço a menos de candidaturas proporcionais do que tinha quatro anos atrás.
E isso muda também a dimensão da disputa: menos nomes na urna não significa necessariamente uma eleição mais fácil, mas revela que o sistema partidário mineiro está apresentando uma competição proporcional muito mais concentrada do que aquela observada em 2022.