Ana Paula Leão: “Paulo Sérgio hoje é altamente petista”
Em entrevista ao Política Cruzada, deputada federal Ana Paula Leão afirma que o prefeito de Uberlândia rompeu compromissos políticos, o acusa de traição, diz que ele migrou para a esquerda e revela supostos episódios de perseguição dentro da Prefeitura
Durante uma entrevista ao programa Política Cruzada, da TV Paranaíba, neste domingo (19) a deputada federal Ana Paula Leão (Progressistas) fez aquilo que, até então, vinha sendo evitado publicamente: escancarou o rompimento político com o prefeito de Uberlândia, Paulo Sérgio Ferreira.
As declarações não ficaram restritas ao campo das divergências administrativas. A parlamentar utilizou palavras duras para descrever a relação com o antigo aliado e fez afirmações que devem movimentar o cenário político regional.
“Hoje ele é altamente petista”
A fala que mais chamou atenção ocorreu quando Ana Paula foi questionada sobre o relacionamento dela com o prefeito.
Ao comparar a postura de Paulo Sérgio com a do ex-prefeito Odelmo Leão, ela fez uma distinção entre manter diálogo institucional e assumir alinhamento político. “Eu vou buscar recurso com quem quer que seja. Odelmo sempre fez isso, mas nunca agarrou no PT. Odelmo recebeu o prêmio de melhor merenda do Brasil do presidente Lula, mas nunca foi agarrado no PT, nunca pendurou no pescoço do Lula e saiu por aí”, afirma a deputada.
Na sequência, ao ser questionada se estava afirmando que Paulo Sérgio faz exatamente isso, respondeu sem hesitar: “É claro, gente. Está nítido aí. Hoje ele é altamente petista. Ele está totalmente para a esquerda. Olha os programas. Olha o que ele está implantando em Uberlândia.”
A declaração representa uma das críticas políticas mais contundentes já dirigidas ao prefeito por uma liderança que participou diretamente de sua eleição.

Paulo Sérgio “traidor”
Outro momento de forte impacto ocorreu quando o assunto foi a aproximação entre Paulo Sérgio e o deputado federal Zé Vitor (PL).
Para Ana Paula, o prefeito estaria repetindo um comportamento que, segundo ela, já teria adotado com antigos aliados. “O Paulo vai fazer com ele a mesma coisa que fez com o Weliton (Prado), a mesma coisa que fez comigo… Ele está traindo o Weliton para ficar com o Zé Vitor agora. Porque ele pegou a pecha de petista, então está trazendo um PL para o lado dele para falar que é do PL”, diz Ana Paula.
A fala reforça a tese defendida pela deputada de que o prefeito estaria reorganizando suas alianças políticas visando novos projetos eleitorais.
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Acusação de perseguição política
A entrevista também ganhou um tom ainda mais sensível quando Ana Paula afirmou possuir relatos e gravações envolvendo integrantes do primeiro escalão do governo municipal.
Segundo ela, servidores estariam sendo pressionados por motivos políticos. “Eu tenho relatos e gravações de secretários ameaçando o servidor que, se votar ou curtir qualquer coisa minha ou do Odelmo, vai ser mandado embora.”
Questionada se realmente estaria falando de secretários municipais, reafirmou a acusação: “Secretário. Secretário. E que foi secretário do Odelmo.”
Ao ser perguntada sobre quem seria o responsável, preferiu não revelar nomes. Caso confirmadas, as acusações possuem gravidade institucional. Até o momento da entrevista, entretanto, a deputada não apresentou publicamente o conteúdo das gravações mencionadas.
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A ruptura deixa os bastidores
Independentemente das versões que venham a ser apresentadas pelas demais partes envolvidas, a entrevista marca um divisor de águas na política de Uberlândia.
O grupo que conduziu Paulo Sérgio à Prefeitura já não fala a mesma língua. E, pela contundência das declarações, a impressão deixada é que a disputa deixou de ser apenas administrativa para assumir contornos eminentemente políticos.
Se antes o rompimento era comentado nos corredores do poder, agora passou a ser declarado diante das câmeras e dificilmente deixará de influenciar o debate público até as próximas eleições.
Mais do que uma troca de críticas, o episódio pode redesenhar alianças, fortalecer novos grupos e antecipar movimentos que deverão influenciar as eleições municipais de 2028.
Enquanto isso, a entrevista concedida ao Política Cruzada passa a integrar o conjunto de acontecimentos que ajudam a compreender a nova configuração política de Uberlândia. Quando divergências deixam os bastidores e são expostas diante do eleitorado, elas deixam de ser apenas conflitos entre lideranças e passam a fazer parte do próprio debate sobre os rumos da cidade.