RT-One desiste de terreno do Fundo Bacuri e admite que data center pode deixar Uberlândia
Após repercussão nacional sobre a área destinada ao data center, empresa confirma encerramento dos contratos com o Fundo Bacuri e anuncia que avalia novos terrenos em Uberlândia e em outras cidades
O projeto do data center de Inteligência Artificial anunciado para Uberlândia acaba de ganhar um novo capítulo. Em resposta aos questionamentos do Grupo Paranaíba, a RT-One confirmou que encerrou, todos os contratos firmados com o Fundo de Investimento Imobiliário Bacuri, proprietário da área inicialmente escolhida para receber o empreendimento.
A empresa informou que iniciou um processo para escolha de um novo terreno e confirmou que o empreendimento poderá permanecer em Uberlândia ou ser transferido para outra cidade em Minas Gerais, dependendo da análise técnica das alternativas atualmente em estudo.
A declaração representa a primeira confirmação oficial de que o local inicialmente anunciado deixou de fazer parte dos planos da companhia.

Decisão após repercussão nacional
A mudança acontece poucos dias depois da revelação de conexões envolvendo administradora do Fundo Bacuri com as investigações relacionadas ao caso Banco Master.
O Portal Paranaíba Mais analisou documentos oficiais da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e mostrou que o terreno escolhido para o empreendimento pertencia ao Fundo Bacuri, atualmente administrado pela WNT Capital, além de revelar que o Ministério Público Federal instaurou um inquérito civil para analisar exclusivamente os impactos ambientais do projeto.
Agora, pela primeira vez, a própria RT-One admite que os acontecimentos envolvendo as administradoras do fundo influenciaram sua decisão de romper a relação contratual.
Segundo a nota encaminhada pela empresa, a rescisão ocorreu “diante dos fatos supervenientes envolvendo as administradoras do fundo”, ressaltando, entretanto, que isso não representa reconhecimento de qualquer irregularidade por nenhuma das partes.
Locação com valor simbólico
Outro ponto que chamou atenção desde a divulgação dos documentos era o contrato de locação firmado entre a RT-One e o Fundo Bacuri. A empresa confirmou que realmente existia um contrato de aluguel, mas explicou que ele possuía finalidade exclusivamente técnica.
Segundo a companhia, a locação tinha como objetivo permitir estudos preliminares de viabilidade do empreendimento, incluindo análises urbanísticas, estudos de conexão elétrica e demais levantamentos necessários para verificar a aptidão da área. Por esse motivo, o valor do aluguel era simbólico (R$ 1.000,00), prática que, segundo a empresa, é comum em projetos dessa natureza.
A RT-One disse também que a efetiva implantação do empreendimento estava vinculada a um segundo instrumento jurídico: um contrato de opção de compra do imóvel investimento firmado entre as partes.
A empresa também esclareceu que esse contrato de opção de compra já vinha sendo renegociado desde abril deste ano. Com a repercussão envolvendo a administradora do Fundo Bacuri, as duas partes decidiram encerrar definitivamente a negociação.
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Valorização do terreno
A companhia também respondeu aos questionamentos sobre a expressiva valorização da Fazenda Bom Jardim, apontada nas demonstrações financeiras do Fundo Bacuri. Segundo a RT-One, é natural que terrenos destinados a grandes projetos de infraestrutura digital se valorizem à medida que avançam etapas como mudança de uso do solo, estudos de viabilidade e obtenção de pareceres para conexão à rede elétrica.
Ao mesmo tempo, afirma que a avaliação financeira atribuída ao imóvel é de inteira responsabilidade da administradora do fundo e dos profissionais responsáveis pelos laudos de avaliação, sem qualquer participação da empresa.
O futuro do empreendimento indefinido
A principal novidade revelada pela nota está justamente no destino do projeto. Embora reafirme que pretende manter o investimento no Brasil, a RT-One informa que iniciou uma nova seleção de áreas capazes de atender às exigências técnicas do empreendimento.
Entre elas estão novas alternativas em Uberlândia, mas também outras localidades, sem que exista, até o momento, definição sobre onde o data center será efetivamente instalado. Na prática, isso significa que Uberlândia deixou de ser a única candidata a receber o empreendimento bilionário.