Carreta com gado entala no Pontilhão do Alvorada em Uberlândia
Caminhão mais alto que o limite de 4,5 metros ficou entalado na estrutura durante intervenções no viaduto, que acumula ao menos 26 ocorrências semelhantes desde 2018
Uma carreta carregada com 90 cabeças de gado ficou presa ao tentar atravessar o Pontilhão Helena Menezes de Almeida, conhecido como Pontilhão do Alvorada, na BR-365, em Uberlândia, na tarde desta sexta-feira (13). O incidente ocorreu por volta das 13h23, justamente enquanto eram realizadas obras na estrutura, alvo frequente de acidentes envolvendo caminhões.
Segundo informações do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), o caminhão ficou entalado devido à diferença de altura entre o veículo e o pontilhão. A carreta tem cerca de 4,70 metros de altura, enquanto o limite permitido na estrutura é de 4,50 metros.

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O veículo transportava 70 bezerros e 20 bois. A carga saiu de Campos Belos, no Sul de Minas, e seguia para São José dos Quatro Marcos, no Mato Grosso.
Equipes que atuavam no local tentaram reduzir a altura da carreta ao murchar os pneus do veículo, na tentativa de liberar a passagem, mas a estratégia não funcionou. Uma das alternativas avaliadas agora é serrar parte da estrutura da carreta para possibilitar a retirada do caminhão do pontilhão.
A carreta fazia parte de um comboio com três caminhões. Um deles ficou preso no pontilhão, outro permaneceu parado alguns metros atrás e o terceiro ainda não havia chegado ao ponto no momento do incidente.
Com o veículo atravessado na passagem, o trânsito na região ficou comprometido. As obras que estavam em andamento no pontilhão foram interrompidas temporariamente para a atuação das equipes na ocorrência.
Histórico de ocorrências
O episódio desta sexta-feira acontece em um ponto conhecido por registrar acidentes recorrentes. Na quinta-feira (12), o portal Paranaíba Mais publicou um levantamento indicando que o Pontilhão Helena Menezes de Almeida registrou ao menos 26 ocorrências entre 2018 e 2026 envolvendo caminhões que ficaram presos ou bateram na estrutura.
O pontilhão, localizado entre os bairros Alvorada e Residencial Integração, possui altura máxima de 4,5 metros e aguarda a realização de uma perícia da Justiça Federal. Enquanto isso, a concessionária responsável realiza apenas reparos emergenciais após impactos provocados por veículos.
A situação também é alvo de uma disputa judicial. O Ministério Público Federal (MPF) sustenta que, após recapeamentos realizados na rodovia, a altura livre da estrutura teria ficado abaixo do padrão de 5,5 metros exigido pelo DNIT.
De acordo com o inspetor da Polícia Rodoviária Federal (PRF), Filipe Saad, muitas das ocorrências envolvem falha de atenção dos condutores aliada ao uso de aplicativos de navegação.
“O motorista precisa prestar atenção na sinalização e não confiar cegamente no GPS. O aplicativo indica o melhor caminho, mas não sabe qual carga o veículo está levando ou a altura dele”, afirmou.
Segundo o inspetor, a aplicação de multas depende da situação. “Se o veículo precisa de autorização especial para transitar e está fora da rota, ele é multado. Caso contrário, quando o motorista apenas ignora a placa de altura, a equipe registra a ocorrência e atua na orientação do trânsito”, explicou.
Em alguns casos, os próprios motoristas precisam desengatar carretas para liberar a via, o que pode provocar congestionamentos por quilômetros.
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Posicionamento dos responsáveis
Em nota, o DNIT informou que reforçou a sinalização em todos os acessos ao pontilhão indicando o limite de altura de 4,50 metros. O órgão também estuda a implantação de pórticos de sacrifício, estruturas metálicas que funcionam como alerta adicional para veículos que ultrapassem a altura permitida.
Segundo o departamento, a solução definitiva será o rebaixamento da rodovia, medida que está em tratativas entre o DNIT e a VLI Logística, empresa responsável pela estrutura.
A VLI informou que as intervenções realizadas atualmente no pontilhão são de manutenção preventiva, com foco na segurança da estrutura. A empresa também afirmou que as obras em andamento não têm relação com a ação judicial que discute a altura do viaduto.