PF indicia pai e filhas por tráfico e lavagem de milhões em Uberlândia
Relatório detalha que líder tentou vender e esconder bens antes de ser preso e usava nome das filhas para adquirir e blindar bens de luxo
A Polícia Federal (PF) concluiu o relatório de indiciamento de um homem, suas duas filhas e outras 25 pessoas envolvidas em um esquema milionário de tráfico transnacional de drogas.
O documento final faz parte da Operação Mens Occulta (“mente oculta”, em latim), que desarticulou o núcleo familiar que chefiava a ação e a lavagem de dinheiro em Uberlândia.

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Líder usava nome das filhas para bancar vida luxuosa
Segundo o relatório, o grupo movimentou R$ 79 milhões em transações suspeitas nos últimos cinco anos. O líder da organização, conhecido como “Serjão”, utilizava empresas de fachada e o nome das próprias filhas para adquirir e blindar bens de luxo, como ranchos, cavalos de raça, embarcações e imóveis.
De acordo com as investigações, as irmãs atuavam de forma consciente na ocultação patrimonial e na movimentação dos recursos ilícitos da quadrilha.
Entenda o indiciamento da família ligada a tráfico e lavagem:
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Pai e líder da organização (Serjão do PCC): Indiciado por tráfico interestadual de drogas, liderança de organização criminosa e lavagem de dinheiro. Possuía patrimônio incompatível com sua capacidade econômica declarada, como imóveis urbanos, rancho de alto padrão, veículos de elevado valor e empresas registradas em nome de terceiros, utilizados para ocultar a propriedade dos bens e dissimular a origem dos recursos empregados em sua aquisição.
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Filha 1: Indiciada por integrar organização criminosa e lavagem de dinheiro. Ela segue recolhida na Casa de Custódia do Policial Penal e Agente Socioeducativo. A PF constatou que ela usufruía de um altíssimo padrão de vida, possuindo cavalos de competição de raça (como “Pretty ta Fame” e “Fly to Fame”), sem possuir renda formal compatível. No dia da operação, ela foi flagrada com o pai em um hotel de Uberaba (MG) em tentativa de fuga, portando R$ 19 mil em espécie e cinco celulares.
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Filha 2: Apontada como operadora financeira, administrava contas bancárias e cedia seu nome para a ocultação de imóveis, como um apartamento no Edifício Antares, no Bairro Brasil, em Uberlândia. Embora trabalhasse em uma clínica recebendo R$ 3.750, as contas movimentadas por ela bancavam despesas familiares de até R$ 30 mil mensais. Bruna se entregou no dia 4 de junho e, após 18 dias detida, recebeu alvará de soltura em 22 de junho para responder em liberdade.
Ao todo, 28 pessoas foram indiciadas no encerramento desta fase. Ao longo de dez grandes apreensões realizadas pela polícia em rodovias pelo país, foram interceptadas cerca de 2,9 toneladas de cocaína vinculadas ao grupo.

Fuga de bens: venda de chácara e BMWs devolvidas
O relatório final revelou que, ao suspeitar do avanço das investigações, “Serjão” iniciou uma corrida para se livrar do patrimônio físico antes da deflagração da operação.
Em áudios interceptados, ele exigiu de forma urgente que o síndico de um condomínio de luxo na represa de Uberlândia transferisse sua chácara para o nome de um comprador, afirmando que precisava “tirar a responsabilidade do meu nome”. Ele vendeu o imóvel às pressas por R$ 230 mil semanas antes de ser preso.
Além disso, o investigado havia presenteado as filhas com duas BMWs X2. Dias antes de a polícia bater à sua porta, ele recolheu os dois veículos importados e os devolveu a uma concessionária de Uberlândia para evitar que fossem apreendidos.
Para conter as finanças da quadrilha, a PF representou na Justiça pelo sequestro de um imóvel comercial avaliado em milhões de reais, localizado no Bairro Brasil, que teria sido adquirido com o dinheiro do tráfico.
Avó usava neto no tráfico
No dia 25 de junho, a Polícia Federal havia deflagrado um desdobramento da operação em Uberlândia, cumprindo dois mandados de prisão preventiva e um de busca e apreensão no bairro Laranjeiras.
Os alvos foram uma mulher de 65 anos e seu companheiro, de 34. A mulher presa seria mãe de um dos investigados apontado como motorista particular de “Serjão” e que já teria sido preso em junho.

Segundo o delegado responsável pelo caso, o casal de 65 e 34 anos utilizava o próprio neto, um adolescente de apenas 13 anos e filho do motorista de “Serjão”, para realizar a pesagem, separação e entrega de entorpecentes na residência. Devido a essa prática, ambos responderão também pelo crime de corrupção de menores.
Durante as buscas no imóvel em junho, os policiais federais apreenderam:
- Tabletes de maconha;
- Duas bicicletas elétricas novas, ainda acondicionadas na caixa e sem nota fiscal, avaliadas em R$ 20 mil cada.
O casal foi autuado em flagrante por tráfico de drogas e, caso a perícia comprove a origem ilícita das bicicletas elétricas, eles também responderão por receptação.