Penitenciária investiga agressões contra médica acusada de raptar bebê em Uberlândia
Cláudia Soares Alves afirma ter sido agredida ao menos três vezes; denúncia afirma falta de acompanhamento médico e psiquiátrico na penitenciária e Estado nega
Cláudia Soares Alves, médica suspeita de raptar um bebê no Hospital da UFU e acusada de ser mandante de um homicídio em Uberlândia, relata sofrer agressão de outras detentas dentro da unidade prisional, a Penitenciária Professor João Pimenta da Veiga. A suspeita, que vai à júri popular, também relata ausência de acompanhamento médico e psiquiátrico. A Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) afirma que as agressões estão sob apuração interna e nega negligência médica.

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Cláudia Soares relatou ter sido agredida pelo menos três vezes por outras detentas. A suspeita está presa desde 5 de novembro de 2025 e, segundo apuração da reportagem, parte dos episódios já seriam antigos. Na agressão mais recente, no entanto, a médica apresentou ferimentos com sangramento e hematomas e não teria sido submetida a procedimento de corpo delito. As informações foram divulgadas por um jornal de Belo Horizonte e confirmadas pela reportagem com uma pessoa próxima à acusada.
A Sejusp, no entanto, afirma que Cláudia foi imediatamente encaminhada para o setor de atendimento de saúde da unidade prisional, além de ter sido remanejada de tela. “Sobre a situação, todas as providências administrativas foram tomadas pela direção da unidade prisional, inclusive com a confecção de um Reds (Boletim de Ocorrência). A ocorrência está, também, sob apuração administrativa”, conclui a nota.
A detenta também denuncia falta de acompanhamento médico. Desde que foi acusada de raptar um bebê no Hospital de Clínicas da UFU, a defesa alega que a médica possui transtorno afetivo bipolar e que o diagnóstico será provado em juízo. Neste contexto, Cláudia afirma não receber o devido acompanhamento psiquiátrico.
A Sejusp informou que a unidade prisional dispõe de atendimento médico-psiquiátrico tutoriado, mas que a médica optou por atendimento particular e que o acompanhamento teria sido realizado. No entanto, a denúncia alega que o médico contratado pela família em dezembro de 2025 só conseguiu autorização administrativa para acessar a penitenciária nas últimas semanas. Por isso, Cláudia teria tido uma piora do quadro, gerando crises relacionadas com a falta de acompanhamento especializado.
Além disso, a denúncia também afirma que a médica está com um furúnculo que demanda atenção médica imediata, algo que não estaria acontecendo dentro da unidade prisional. A secretaria afirma que “desde que foi admitida na unidade prisional, a custodiada vem recebendo o devido e contínuo acompanhamento médico. Sua medicação prescrita é entregue regularmente e a detenta possui retornos programados. […] Portanto, não procede a denúncia sobre suposta desassistência de saúde à presa” (veja nota na íntegra abaixo).
Relembre os crimes atribuídos à médica
O assassinato de Renata Bocatto Denari (2020)
O crime que motivou o pedido de juri popular ocorreu em 7 de novembro de 2020, no bairro Martins, em Uberlândia. A farmacêutica Renata Bocatto Denari chegava ao trabalho quando recebeu um envelope de um motociclista e, logo em seguida, foi atingida por seis disparos de arma de fogo.
Veja o momento do crime:
A investigação da Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) apontou que Cláudia Soares Alves foi a mandante do homicídio. A motivação apontada foi uma obsessão pela filha da vítima, após ter tido um breve relacionamento com o ex-marido de Renata.
Por considerar Cláudia perigosa e instável, a vítima havia restringido a convivência da filha com o pai, o que teria desencadeado o planejamento do assassinato. O inquérito policial indicou ainda que a médica adulterou placas de veículo, destruiu provas e falsificou prontuários para tentar criar um álibi.
O sequestro de recém-nascida em hospital (2024)
Quase quatro anos após o homicídio, na noite de 23 de julho de 2024, Cláudia Soares Alves foi presa em flagrante após invadir a maternidade do Hospital de Clínicas da Universidade Federal de Uberlândia (HC-UFU).

Usando jaleco, máscara e crachá falso da instituição, ela se passou por médica pediatra, entrou no quarto de uma família e retirou uma bebê de poucas horas de vida sob o pretexto de levá-la para se alimentar.
A recém-nascida foi colocada em uma mochila e levada em um carro que dava cobertura. Após intenso rastreamento policial, a investigada foi localizada e presa em sua clínica na cidade de Itumbiara (GO), onde a bebê foi resgatada saudável e devolvida aos pais.
Nota da Sejusp na íntegra
Informamos que a custodiada citada na demanda, após relatar agressões por parte de outras detentas, foi imediatamente encaminhada para o setor de atendimento de saúde da unidade prisional, além de ter sido remanejada de cela. Sobre a situação, todas as providências administrativas foram tomadas pela direção da unidade prisional, inclusive com a confecção de um Reds (Boletim de Ocorrência). A ocorrência está, também, sob apuração administrativa.
Com relação à assistência de saúde, informamos que desde que foi admitida na unidade prisional, a custodiada vem recebendo o devido e contínuo acompanhamento médico. Sua medicação prescrita é entregue regularmente e a detenta possui retornos programados.
Especificamente sobre à saúde mental e ao acompanhamento especializado, vale ressaltar que a unidade prisional dispõe de atendimento médico-psiquiátrico no formato tutoriado; entretanto, a custodiada optou por atendimento particular. Neste caso, de acordo com as normas previstas para atendimento de saúde externo, a consulta com o médico particular foi devidamente realizada em data programada, assegurando assim a assistência integral à saúde da custodiada. Portanto, não procede a denúncia sobre suposta desassistência de saúde à presa.
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