O que se sabe sobre caso de pai suspeito de matar bebê em Uberlândia

Wandersson Benedito Pereira da Silva, de 25 anos, estava preso preventivamente em Uberlândia por homicídio qualificado do filho de 3 meses

, em Uberlandia

Neste sábado (6), o caso do bebê morto em Uberlândia teve novo desdobramento: o pai, Wandersson Benedito Pereira da Silva, 25 anos, foi encontrado morto em uma cela do Presídio Professor Jacy de Assis. Ele era investigado por supostamente agredir o filho de três meses até a morte na madrugada de terça-feira (2).

O caso começou após o Samu ser acionado para reanimar a criança, que, segundo familiares, teria entrado em parada cardiorrespiratória após engasgar durante a amamentação. Matteo Silva Costa tinha três meses e morava com os pais. A irmã, de 1 ano e 10 meses, está sob tutela de tios-avós.

Abaixo, o Paranaíba Mais reuniu as principais informações sobre o andamento das investigações, os depoimentos à polícia e a situação dos envolvidos.

pai bebe morto
Wandersson Benedito Pereira da Silva havia sido admitido na unidade em 3 de junho de 2026 e encontrava-se em cela individual – Crédito: Reprodução/Redes Sociais

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A ocorrência chegou ao Samu por volta das 23h03 de terça-feira (2), para atendimento em uma residência na Rua dos Marrecos. Pelo telefone, os familiares relataram que o bebê havia se engasgado durante a amamentação. Receberam, então, instruções para manobras de salvamento enquanto a viatura se deslocava.

Ao chegar ao local, os socorristas encontraram a criança em parada cardiorrespiratória. A equipe realizou manobras de reanimação por cerca de 35 minutos, sem sucesso. O óbito foi declarado às 0h02 de quarta-feira (3).

Apesar da versão familiar, os socorristas identificaram hematomas no corpo da criança. No IML, foi apontado possível sinal de traumatismo. Diante desses indícios, a Polícia Civil passou a investigar o caso.

Segundo o delegado de homicídios Carlos Fernandes, a equipe de legistas constatou hemorragia cerebral decorrente de traumatismo cranioencefálico (TCE) grave. O laudo indicou que a morte ocorreu após sucessivos golpes na cabeça.

Após o resultado do laudo, a Delegacia de Homicídios de Uberlândia localizou os genitores. Em depoimentos, os pais admitiram o crime.

No interrogatório, o pai relatou que, no dia do ocorrido, levou o filho, que chorava, para o quarto. Saiu do cômodo e, posteriormente, disse que a criança havia engasgado; pediu que a mulher não chamasse o resgate e afirmou que tentaria reanimá-la. Quando a criança entrou em parada cardiorrespiratória, as equipes foram acionadas.

A mãe relatou ter presenciado o companheiro agredir o bebê com socos na cabeça e arremessá-lo contra o berço alguns dias antes. O genitor confessou as agressões e foi preso em flagrante por homicídio qualificado.

A mulher também foi presa em flagrante. A polícia identificou indícios de que ela tinha conhecimento das agressões e de que omitiu socorro, não adotando medidas para interromper a violência.

prisão de genitores de bebê de 3 meses morto pelo pai - morte de bebê em Uberlândia
Momento da prisão dos genitores da criança – Crédito: TV Paranaíba/Reprodução

Depoimento à Polícia Civil

Segundo o documento policial obtido pelo Paranaíba Mais, o investigado declarou que os episódios de violência não teriam ocorrido apenas no dia da morte.

Em depoimento, ele afirmou que “já havia umas três semanas que estava agredindo a criança” e relatou que costumava perder a paciência quando o filho chorava. O suspeito também declarou no documento que, em uma das agressões, “deu um soco na sua cabeça que o local da agressão ficou bastante inchado”.

O homem afirmou ainda que “nunca levou a criança para atendimento médico após as agressões” e admitiu que escondia os episódios de violência.

O trecho mais contundente do depoimento aparece no encerramento do interrogatório, quando o investigado declara que “confessa ter agredido seu filho até a morte”.

A mãe de Matteo, de 22 anos, também foi ouvida pela Polícia Civil e afirmou ter presenciado episódios de agressão contra o bebê.

Segundo o depoimento, ela contou que viu o companheiro atingir a criança na cabeça e relatou que, após uma das agressões, “um dos olhos da criança ficou arroxeado”. A mulher também afirmou ter presenciado uma ocasião em que o bebê foi arremessado dentro do berço.

Aos investigadores, ela declarou que o companheiro “demonstrava nervosismo quando a criança chorava” e que, em algumas situações, retirava o bebê de seus braços quando ela tentava acalmá-lo.

A mulher afirmou que não denunciou os fatos por medo. Em depoimento, relatou que sofria ameaças e agressões do companheiro e disse acreditar que, caso procurasse ajuda, poderia sofrer represálias.

Segundo sua versão, o investigado dizia que, se fosse denunciado, iria agredi-la e retirar a guarda dos filhos. Ela também afirmou que acreditava que, caso fugisse com as crianças, ele “a procuraria e a encontraria em qualquer lugar”.

Segundo a Polícia Civil, há indícios de que ela tinha conhecimento das agressões sofridas pelo bebê e não adotou medidas para interromper a violência ou buscar atendimento médico para a criança. 

Após a morte do bebê Matteo, os pais foram presos em flagrante e encaminhados ao sistema prisional- Crédito: PCMG/Reprodução

Audiência de Custódia 

Após audiência de custódia, realizada nesta quarta-feira (4), a Justiça converteu a prisão em flagrante em prisão preventiva dos pais do bebê morto em Uberlândia.  A mudança foi feita a partir de pedido do Ministério Público.

O resumo das decisões judiciais detalham o contexto de violência familiar e confirmam, mais uma vez, a causa da morte como traumatismo cranioencefálico grave provocado por ação contundente, após a criança ser atingida com golpes na cabeça. 

De acordo com os autos do processo, o genitor da criança foi autuado por homicídio qualificado. A decisão judicial aponta indícios de quatro qualificadoras para o crime praticado pelo genitor:

  • Motivo fútil: as agressões teriam sido motivadas pela irritação do autuado diante do choro do bebê;
  • Meio cruel: elementos indicam que a vítima foi submetida a sucessivas agressões ao longo de semanas, evidenciando sofrimento anterior à morte;
  • Recurso que dificultou a defesa: a absoluta incapacidade de defesa do bebê de três meses;
  • Crime contra menor de 14 anos e praticado por ascendente (parente): o que configura causa especial de aumento de pena.

Em relação à genitora, a autoridade policial e o entendimento judicial confirmaram que, embora não haja elementos de participação direta nas agressões, a justiça entendeu que a mulher deixou de adotar medidas para impedir a continuidade da violência, não acionando órgãos de proteção. 

Pai de bebê morto em Uberlândia é encontrado morto

Wandersson foi encontrado morto na manhã deste sábado (6) em uma cela do Presídio Professor Jacy de Assis, em Uberlândia. Segundo o Samu, ele apresentava sinais compatíveis com autoextermínio por enforcamento. A Polícia Civil instaurou procedimento para apurar as circunstâncias da morte.

A Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (SEJUSP) informou que policiais penais foram acionados para verificar uma ocorrência em uma das celas. Ao chegarem, encontraram Wandersson sem sinais vitais, suspenso pelo pescoço com uma corda artesanal. O Samu confirmou o óbito no local.