Morte de bebê em Uberlândia: veja o que disseram os pais durante depoimento à Polícia Civil

Depoimentos prestados à Polícia Civil detalham histórico de agressões, ameaças e os momentos que antecederam a morte da criança

, em Uberlândia

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A morte do bebê Matteo Silva Costa, de apenas três meses, ganhou novos desdobramentos após a divulgação dos depoimentos prestados pelos pais à Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG). Presos em flagrante, os dois foram ouvidos pela Delegacia de Homicídios de Uberlândia e apresentaram relatos que ajudam a reconstruir os momentos que antecederam a morte da criança.

A audiência de custódia do casal está marcada para as 15h desta quinta-feira (4). Na ocasião, a Justiça vai analisar a legalidade das prisões e decidir se os investigados permanecerão detidos ou se poderão responder ao processo sob outras medidas cautelares.

Segundo documentos obtidos pela reportagem, o pai da criança, de 25 anos, afirmou ter agredido o filho na noite de terça-feira (2) após se irritar com o choro do bebê. Em depoimento, ele relatou que, por volta das 21h30, “se revoltou com o choro da criança e bateu nele”, desferindo tapas no rosto e socos na cabeça do bebê dentro do quarto da residência da família, no bairro Jardim das Palmeiras.

Ainda conforme o relato, após as agressões ele percebeu que Matteo não respirava. O investigado contou que tentou reanimar o filho e pediu ajuda à companheira. O bebê chegou a ser socorrido, mas não resistiu.

prisão de genitores de bebê de 3 meses morto pelo pai - morte de bebê em Uberlândia
Bebê de 3 meses foi morto pelo pai, após agressões que eram presenciadas pela mãe – Crédito: TV Paranaíba/Reprodução

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Depoimento aponta agressões anteriores

Segundo o documento policial, o investigado declarou que os episódios de violência não teriam ocorrido apenas no dia da morte.

Em depoimento, ele afirmou que “já havia umas três semanas que estava agredindo a criança” e relatou que costumava perder a paciência quando o filho chorava. O suspeito também declarou no documento que, em uma das agressões, “deu um soco na sua cabeça que o local da agressão ficou bastante inchado”.

O homem afirmou ainda que “nunca levou a criança para atendimento médico após as agressões” e admitiu que escondia os episódios de violência.

O trecho mais contundente do depoimento aparece no encerramento do interrogatório, quando o investigado declara que “confessa ter agredido seu filho até a morte”.

Após a morte do bebê Matteo, os pais foram presos em flagrante e encaminhados ao sistema prisional- Crédito: PCMG/Reprodução

Mãe relata que presenciou agressões antes da morte de bebê em Uberlândia

A mãe de Matteo, de 22 anos, também foi ouvida pela Polícia Civil e afirmou ter presenciado episódios de agressão contra o bebê.

Segundo o depoimento, ela contou que viu o companheiro atingir a criança na cabeça e relatou que, após uma das agressões, “um dos olhos da criança ficou arroxeado”. A mulher também afirmou ter presenciado uma ocasião em que o bebê foi arremessado dentro do berço.

Aos investigadores, ela declarou que o companheiro “demonstrava nervosismo quando a criança chorava” e que, em algumas situações, retirava o bebê de seus braços quando ela tentava acalmá-lo.

A mulher afirmou que não denunciou os fatos por medo. Em depoimento, relatou que sofria ameaças e agressões do companheiro e disse acreditar que, caso procurasse ajuda, poderia sofrer represálias.

Segundo sua versão, o investigado dizia que, se fosse denunciado, iria agredi-la e retirar a guarda dos filhos. Ela também afirmou que acreditava que, caso fugisse com as crianças, ele “a procuraria e a encontraria em qualquer lugar”.

Além do pai, a mãe também foi presa em flagrante.

Polícia investiga possível omissão

Segundo a Polícia Civil, há indícios de que ela tinha conhecimento das agressões sofridas pelo bebê e não adotou medidas para interromper a violência ou buscar atendimento médico para a criança.

As investigações apontam ainda que Matteo apresentava sinais de agressões anteriores, informação que deverá ser analisada em conjunto com os laudos periciais e os depoimentos colhidos durante o inquérito.

O caso segue sob responsabilidade da Delegacia de Homicídios de Uberlândia.

Morte de bebê em Uberlândia: audiência pode definir permanência dos pais na prisão

A audiência de custódia dos dois investigados está prevista para a tarde desta quinta-feira (4). O procedimento permitirá que a Justiça avalie a legalidade das prisões em flagrante e defina os próximos encaminhamentos do caso.

Enquanto isso, a outra filha do casal, uma menina de quase dois anos, permanece sob acompanhamento da rede de proteção e aos cuidados de familiares.

A Polícia Civil continua investigando o caso e aguarda novos laudos periciais que deverão ser incorporados ao inquérito nos próximos dias.