Pais de bebê morto em Uberlândia seguem presos após audiência

Segundo autos do processo, o genitor deverá responder por homicídio qualificado; a genitora pode responder por omissão e negligência

, em Uberlândia

-

A Justiça determinou a conversão da prisão em flagrante em prisão preventiva do casal, de 25 e 22 anos, investigado pela morte do pequeno Matteo, de apenas três meses de idade, em Uberlândia. A mudança foi feita a partir de pedido do Ministério Público, após audiência de custódia dos genitores, na tarde desta quinta-feira (04).

O resumo das decisões judiciais detalham o contexto de violência familiar e confirmam, mais uma vez, a causa da morte como traumatismo cranioencefálico grave provocado por ação contundente, após a criança ser atingida com golpes na cabeça.

audiência de custódia sobre bebê morto em Uberlândia
Justiça atualiza de flagrante para preventiva a prisão de pais de bebê morto em Uberlândia – Foto: TV Paranaíba/reprodução

📲 Siga o canal de notícias do Paranaíba Mais no WhatsApp

Pai deve responder por homicídio qualificado

De acordo com os autos do processo, o genitor da criança foi autuado por homicídio qualificado. Durante o interrogatório formal, o investigado confessou ter desferido tapas e socos na cabeça do próprio filho na noite de terça-feira (02). Ele admitiu, ainda, que agredia fisicamente o bebê há aproximadamente três semanas.

A decisão judicial aponta indícios de quatro qualificadoras para o crime praticado pelo genitor:

  • Motivo fútil: As agressões teriam sido motivadas pela irritação do autuado diante do choro do bebê;
  • Meio cruel: Elementos indicam que a vítima foi submetida a sucessivas agressões ao longo de semanas, evidenciando sofrimento anterior à morte;
  • Recurso que dificultou a defesa: A absoluta incapacidade de defesa do bebê de três meses;
  • Crime contra menor de 14 anos e praticado por ascendente (parente): O que configura causa especial de aumento de pena.

Leia mais:

Mãe poderá responder por omissão e negligência

Em relação à genitora, a autoridade policial e o entendimento judicial confirmaram que, embora não haja elementos de participação direta nas agressões, a justiça entendeu que a mulher deixou de adotar medidas para impedir a continuidade da violência, não acionando órgãos de proteção.

Em depoimento, a própria mãe declarou que possuía conhecimento das agressões contra Matteo. Ela relatou ter presenciado episódios em que Wandersson desferiu socos na cabeça do bebê e o arremessava contra o berço.

A Justiça ressaltou que, mesmo diante das lesões apresentadas pelo filho, a mãe tinha o dever jurídico de cuidado, proteção e vigilância. A defesa alegou a presença de outra filha de dois anos para requerer prisão domiciliar, mas o pedido foi negado pelo fato de o crime ter sido praticado contra o outro filho.

Relembre o caso de bebê morto em Uberlândia

O crime aconteceu na noite de terça-feira (2), em uma residência na Rua dos Marrecos. O Samu foi acionado por volta das 23h03 sob a alegação de que a criança havia sofrido um engasgo durante a amamentação. Chegando ao local, a equipe médica tentou a reanimação por 35 minutos, mas o óbito foi declarado às 0h02 de quarta-feira (3).

O laudo pericial desmentiu a versão de engasgo ao identificar hematomas na face e na cabeça da criança, além de hemorragia cerebral decorrente do traumatismo. A outra filha do casal, de dois anos, segue sob o acolhimento do Conselho Tutelar e os cuidados da avó.