“Nós não acreditamos nisso”, diz filha sobre suspeita de abuso no Caso Euclides

Em desabafo emocionante, filhas de Euclides contam como o idoso cuidava da criança e apontam ciúmes como possível estopim do crime

, em Uberlândia

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“Nós que somos familiares não acreditamos nisso. É doloroso, é traumatizante saber pelo que meu pai passou”. O desabafo é de uma das filhas de Euclides de Oliveira, idoso de 62 anos sequestrado e morto em junho, ao rebater as suspeitas de que a morte do pai teria sido motivada por um suposto abuso infantil.

Em depoimento exclusivo ao apresentador Thiago Bonfim, do programa Cidade Alerta, da TV Paranaíba, as duas filhas explicaram que o aposentado apenas acolheu e ajudou a família do garoto, que passava por privações financeiras, e tratava o menino como se fosse um filho.

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Caso Euclides: filhas falam pela primeira vez após denúncias de abuso – Crédito: TV Paranaíba/Reprodução

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Filhas não acreditam em abuso e relata que mãe da criança sabia da proximidade

Segundo os familiares, Euclides conheceu os parentes da criança em uma barraca de “jantinha”, mantida por ele no bairro Tibery. Como eles necessitavam de assistência, o idoso passou a ajudar com abrigo, alimentos e apoio aos irmãos mais velhos do garoto, que já teriam trabalhado com Euclides.

“Todos eles eram próximos da nossa familia e meu pai os abraçou. Eles viviam no nosso convívio e nas nossas casas”, disse uma das filhas. Durante a entrevista, ainda contaram que após essa primeira proximidade, a familia da criança chegou a retornar para a Bahia, de onde seriam naturais, mas retornaram a Uberlândia recentemente, momento em que a proximidade voltou.

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“Ele conhecia o menino desde os 9 meses. A própria mãe pedia que meu pai buscasse as crianças para ela trabalhar, para eles brincarem. Era um cuidado muito especial”, disse uma das filhas.

Ainda durante a entrevista, elas alegam que seria justamente esse laço paternal que deu origem aos elementos que mais tarde seriam usados para levantar suspeitas contra o idoso. As filhas esclareceram que as transferências de pequeno valor via Pix (entre R$ 10 e R$ 20), a compra de roupas e bicicletas, e até o hábito de dormirem na mesma cama aconteciam com o conhecimento e a permissão da mãe da criança.

“Era normal, porque ele tratava o menino como filho. Ele até falava com o menino, até a mae era ciente. A mae sabia que eles dormiam juntos na cama”, explicaram.

Uma das filhas relatou inclusive ter conversado com a própria criança logo após o desaparecimento. “Eu falei com a criança no dia do desaparecimento, perguntando se sabia se tinha alguém ameaçando meu pai, e ele falou que não sabia de nada. Disse que meu pai nunca mais chamou pra ir no rancho, mas que se soubesse de algo falaria”, revelou.

Suspeita de ciúmes poderia ser real motivação do crime

A família acredita que a motivação real do crime envolve o ciúme do atual companheiro da mãe do menino envolvido nas acusações de abuso.

As filhas relataram que, no passado, Euclides também manteve um breve relacionamento com a mãe da criança, mas que não teriam mais envolvimento para além da proximidade afetiva com a família.

Euclides Oliveira, de 62 anos
Euclides Oliveira, de 62 anos – Crédito: Redes sociais/Reprodução

Dias antes do sequestro, ao entregar uma cesta básica para a família da criança, Euclides teria sido questionado pelo atual companheiro da mãe, que demonstrou irritação e proibiu a convivência entre eles. “Quando meu pai apareceu lá, esse homem disse: ‘O que ele ta fazendo aqui? Não quero esse homem aqui em casa e nem você na casa dele”, relembrou a filha.

Família de Euclides quer que caso seja esclarecido

A notícia de que a morte de Euclides poderia ter sido motivada por um suposto abuso causou um forte impacto na família, que recebeu a informação com choque. Para as filhas, lidar com essa hipótese tem sido um processo extremamente doloroso. “É traumatizante, não comemos e não dormimos direito. É doloroso saber pelo que meu pai passou”, desabafou uma das filhas.

Para os familiares e pessoas próximas, a acusação de pedofilia não condiz com o histórico de Euclides. As filhas relatam que antigos alunos e conhecidos entraram em contato para prestar apoio e reforçar que ele sempre tratou a todos com respeito. Em busca da verdade, uma das filhas fez questão de conversar diretamente com as crianças acolhidas pelo idoso para saber se havia ocorrido qualquer conduta inadequada. “Um até falou: ‘eu juro, ele nunca me tacou a mão'”, revelou.

Sem entender como a suspeita surgiu, a família questiona a origem da história, apontando que a própria mãe do menino alega ter sabido do suposto abuso, mas sem apresentar provas. “Essa é uma pergunta que me faço todos os dias, e a única pessoa que poderia responder não está mais aqui para se defender”, afirmou.

Mesmo após meses do crime e convivendo com o medo, as filhas querem que o caso seja esclarecido. “Apesar do medo, não acho justo nos calarmos com informações que não são verdadeiras. Não quero que a imagem dele seja manchada e que ele seja acusado de abusador sem que exista nada que confirme isso”, concluiu.

Relembre o Caso Euclides

Euclides de Oliveira, de 62 anos, foi levado por homens armados em 8 de junho, no bairro Tibery, em Uberlândia. Câmeras de segurança registraram a abordagem e ajudaram a polícia a reconstruir o trajeto percorrido pelos envolvidos.

O corpo foi encontrado em 16 de junho, em um terreno no bairro Nossa Senhora das Graças. Segundo a investigação, Euclides sofreu tortura antes de morrer e teve o corpo escondido em uma estrutura coberta por concreto.

Euclides era presença constante na vida dos netos e costumava dedicar boa parte do seu tempo aos momentos ao lado da família – Crédito: Redes sociais/Reprodução

O laudo pericial apontou morte violenta, mas o estado do corpo impediu a definição exata da causa do óbito. A perícia também encontrou pregos e constatou a ausência de dentes. A Polícia Civil investiga a participação de diferentes pessoas no crime e busca esclarecer a atuação atribuída a cada uma delas.

Portal Paranaíba Mais acompanha o Caso Euclides desde o desaparecimento e seguirá trazendo as atualizações da investigação e os próximos desdobramentos após a prisão em Alagoas.