Enchente no Nepal não foi causada por terremoto; entenda desastre que já matou 157

Tragédia provocada por avalanche de gelo já deixou dezenas de mortos e centenas de viajantes desaparecidos. Especialistas alertam para o risco de novas inundações na região, enquanto o Itamaraty monitora a situação.

, em Uberlândia

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O número de vítimas da enchente no Nepal subiu para pelo menos 157, enquanto centenas de pessoas continuam desaparecidas. O desastre ocorreu nesta quarta-feira (26), após uma avalanche de gelo e rochas atingir um rio na região e provocar uma elevação repentina do nível da água.

Enchente no Nepal deixa 157 mortos e centenas desaparecidos
Nepal busca centenas de desaparecidos após enchente devastadora – Crédito: Reprodução/Redes Sociais

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Inicialmente, o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) atribuiu o episódio a um terremoto de magnitude 4,4. O órgão, porém, voltou atrás e informou que os registros sísmicos foram provocados pelo próprio deslizamento. Especialistas ainda investigam as causas do fenômeno.

Informações preliminares divulgadas pelo Conselho de Turismo do Nepal apontam que pelo menos 384 viajantes, sendo 291 estrangeiros e 93 nepaleses, estão desaparecidos. Segundo o órgão, as autoridades locais trabalham para identificar as vítimas e verificar o paradeiro dos viajantes.

Na tarde desta quarta-feira, o governo brasileiro, por meio do Ministério das Relações Exteriores, informou que nenhum brasileiro foi identificado entre as vítimas da enchente no Nepal. A pasta também afirmou que as Embaixadas do Brasil em Katmandu e em Pequim acompanham os desdobramentos da tragédia.

O Itamaraty divulgou os seguintes canais para atendimento a brasileiros em situação de emergência:

  • O plantão consular da Embaixada do Brasil em Katmandu pode prestar assistência a cidadãos brasileiros no Nepal pelo telefone +977 9801032381.
  • Brasileiros na Região Administrativa Autônoma do Tibete, na China, podem entrar em contato com o plantão consular da Embaixada do Brasil em Pequim pelo telefone +86 138 0121 0722.
  • O plantão consular geral do Itamaraty atende pelo telefone +55 (61) 98260-0610.

As causas da enchente no Nepal

Inicialmente, o USGS informou que um terremoto de magnitude 4,4 havia ocorrido pouco antes do desastre, com epicentro a 10 quilômetros de profundidade. Em seguida, o órgão se retratou e admitiu um erro na classificação do fenômeno.

Segundo o serviço, análises de ondas sísmicas de longo período indicaram que a energia registrada veio de um deslizamento de terra, e não de um terremoto. A localização do evento foi estimada com base em imagens de satélite.

Especialistas em clima do Centro Internacional para o Desenvolvimento Integrado de Montanhas, sediado em Katmandu, avaliam que uma avalanche de gelo e rochas de uma geleira pode ter provocado a enchente no Nepal registrada na quarta-feira.

Dados hidrológicos indicam uma elevação excepcionalmente rápida do nível dos rios. Em um trecho do rio Trishuli, a água subiu cerca de nove metros em apenas 30 minutos.

O maior aumento ocorreu no rio Lhende Khola, afluente do Bhotekoshi. Segundo Saswata Sanyal, especialista em redução de riscos de desastres do centro de pesquisa, o curso d’água transbordou duas vezes nos últimos 14 meses.

No episódio mais recente, uma avalanche teria bloqueado temporariamente o rio. O rompimento do bloqueio liberou grande quantidade de água de forma repentina e provocou uma onda de inundação rio abaixo.

Sanyal também destacou a necessidade de ampliar os sistemas de alerta antecipado diante do aumento das temperaturas na região do Himalaia.

O episódio ocorreu após outra inundação repentina registrada em agosto do ano passado. Na ocasião, o transbordamento de um lago glacial no Tibete, associado às altas temperaturas, deixou nove mortos e danificou estruturas importantes, incluindo uma ponte que liga o Nepal à China.

Pesquisadores também apontam que as geleiras no topo das montanhas da região não armazenam apenas gelo. Grandes quantidades de água em estado líquido podem ficar retidas em diferentes camadas dessas estruturas.

O fenômeno pode se intensificar durante a estação chuvosa, quando o volume de água armazenado aumenta e eleva o risco de rupturas e inundações repentinas.

Risco de novas enchentes

Os mesmos especialistas alertam para o risco de uma nova inundação na região. Segundo Qianggong Zhang, chefe de riscos climáticos e ambientais do Centro Internacional para o Desenvolvimento Integrado de Montanhas, ainda existe um bloqueio a montante no rio que marca a fronteira entre Nepal e China.

A estrutura pode se romper e liberar novamente um grande volume de água, provocando uma segunda onda de cheia. Por isso, os pesquisadores defendem atenção das autoridades e o monitoramento contínuo da área.

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