Justiça goiana torna réu síndico acusado de homicídio
1ª Vara Criminal de Caldas Novas encerra o sigilo do processo e transforma prisão temporária em preventiva; acusado responderá por homicídio com 3 agravantes
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A Justiça goiana acatou a denúncia do Ministério Público do Estado de Goiás (MPGO) e tornou réu o síndico acusado de homicídio da corretora de imóveis uberlandense Daiane Alves de Sousa, 43 anos. Cléber Rosa de Oliveira, 49 anos, também mineiro, de Araxá, confessou o crime cometido em Caldas Novas (GO).
A decisão é da juíza Vaneska da Silva Baruki, da 1ª Vara Criminal da comarca. Com o recebimento da denúncia, tem início oficialmente a ação penal contra o investigado.
O processo tramitava sob segredo de Justiça para preservar as investigações. No entanto, com a conclusão do inquérito e o oferecimento da denúncia pelo MPGO, a magistrada determinou a suspensão do sigilo.

Justiça torna réu síndico acusado de homicídio e altera forma da prisão
Na mesma decisão, a juíza converteu a prisão do síndico acusado de homicídio de temporária para preventiva. Ele passa a responder por homicídio triplamente qualificado — por motivo torpe, mediante emboscada e com emprego de meio cruel, circunstâncias que podem agravar a pena em eventual condenação.
Relação comercial e conflitos
De acordo com a denúncia, Daiane morava em Caldas Novas e administrava imóveis da família localizados no complexo Golden Thermas Residence, onde também fica o Edifício Amethyst Tower, prédio em que residia.
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Durante um período, seis apartamentos da família permaneceram sob administração do síndico. Em novembro de 2024, a relação comercial foi encerrada e Daiane assumiu diretamente a gestão dos imóveis, incluindo contratos de locação e intermediação com hóspedes.
Segundo o Ministério Público, a mudança teria provocado deterioração na relação entre os dois. A denúncia aponta que, após o rompimento, o acusado passou a criar obstáculos às atividades profissionais da corretora e a praticar atos que afetaram também sua vida pessoal.
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Boletins de ocorrência e ação judicial
A primeira comunicação formal feita por Daiane à Polícia Civil relatando ameaças ocorreu em 29 de dezembro de 2024. A partir dessa data, foram registrados novos boletins envolvendo ameaça, perseguição, lesão corporal, violação de domicílio, constrangimento ilegal, difamação e injúria.
O último registro foi feito em 16 de dezembro de 2025 — um dia antes do desaparecimento de Daiane — quando a vítima relatou que três apartamentos de sua propriedade estavam com o fornecimento de energia interrompido.
Paralelamente, ela ingressou com ação judicial contra o condomínio, alegando abuso por parte da administração. Ela questionava a proibição de exercer a atividade de corretora no local, restrições ao uso de áreas comuns e interrupções no fornecimento de serviços essenciais, como energia elétrica.
A Justiça reconheceu o direito da corretora de circular e exercer suas atividades no edifício. O processo foi encerrado em 10 de dezembro de 2025, sete dias antes do crime.
Dinâmica do crime, segundo o MPGO
A denúncia sustenta que o acusado teria desligado o disjuntor geral do apartamento da vítima para atraí-la ao subsolo do prédio.
Desconfiada, Daiane registrou vídeos com o celular enquanto descia pelo elevador. Dois deles foram enviados em tempo real a uma amiga. Um terceiro, que registraria o momento da abordagem, foi posteriormente recuperado pela Polícia Civil.
Segundo o Ministério Público, ao chegar ao local do disjuntor, a corretora foi atacada de forma repentina. O acusado teria se aproximado por trás, usando luvas e cobrindo o rosto.
Após conter a vítima, ainda conforme a denúncia, ele teria provocado lesões e dado dois disparos de arma de fogo na cabeça de Daiane. Em seguida, utilizou uma caminhonete Fiat Strada para transportar o corpo até uma área de mata, onde foi encontrado em 28 de janeiro de 2026, já em avançado estado de decomposição.
Relembre o caso
O Paranaíba Mais acompanhou o caso desde o desaparecimento até a conclusão do inquérito policial. Daiane Alves desapareceu em 17 de dezembro de 2025, após descer ao subsolo do prédio onde morava, em Caldas Novas. Meses antes, entre dezembro de 2024 e dezembro de 2025, ela já havia registrado sucessivos boletins de ocorrência relatando ameaças, perseguições e outros episódios de conflito.
Uma semana antes do crime, em 10 de dezembro de 2025, foi encerrada a ação judicial movida por Daiane contra o condomínio, com decisão favorável à corretora, que teve reconhecido o direito de exercer suas atividades no local.
O corpo foi localizado no dia 28 de janeiro de 2026, em uma área de mata a cerca de 15 quilômetros da cidade, após o síndico indicar o local às autoridades.
Cléber Rosa de Oliveira, síndico acusado de homicídio, confessou o crime à Polícia Civil e foi preso. O filho dele, Maykon Douglas de Oliveira, chegou a ser investigado por suspeita de tentar atrapalhar as apurações.
Durante as investigações, o telefone celular de Daiane foi encontrado na rede de esgoto do condomínio, também após indicação do investigado. Mesmo danificado, os dados foram recuperados pela perícia, e o vídeo gravado pela vítima se tornou peça central do inquérito.
Ao final, a Polícia Civil descartou a participação do filho no planejamento ou execução do crime, mantendo o síndico como único responsável pelo homicídio.
O Paranaíba Mais entrou em contato com a defesa do acusado para manifestação sobre o recebimento da denúncia e a conversão da prisão em preventiva. Até o momento da publicação da reportagem, não houve retorno.