Homem encontrado morto no Shopping Park teria sido vítima de ‘tribunal do crime’
Segundo a Polícia Civil, vítima teria sido sequestrada e levada para um cativeiro após uma mulher relatar uma relação sexual sem consentimento; corpo foi enterrado em área de mata
O corpo de um homem foi encontrado enterrado em uma área de mata no Shopping Park, em Uberlândia, na madrugada desta quinta-feira (10). A principal linha de investigação da Polícia Civil (PC) é de que ele tenha sido sequestrado e morto após ser submetido a um “tribunal do crime”. O caso teria começado depois que uma mulher relatou ter sido vítima de uma relação sexual sem consentimento envolvendo o homem.
A investigação começou após a Delegacia de Homicídios receber, na quarta-feira (9), informações de que um vídeo de uma execução circulava pelo Shopping Park. A partir da denúncia, policiais foram ao bairro, conversaram com moradores e localizaram uma mulher que conhecia a vítima. “Ontem, as nossas equipes aqui da Delegacia de Homicídios receberam uma informação de que havia um vídeo circulando lá no bairro Shopping Park de uma execução”, afirmou o delegado Carlos Fernandes.
O depoimento da mulher permitiu aos investigadores reconstruir parte do que teria ocorrido entre a madrugada de domingo e a morte do homem. Segundo a PC, o relato também ajudou a esclarecer o que teria motivado o sequestro e o chamado “tribunal do crime”.

📲 Siga o canal de notícias do Paranaíba Mais no WhatsApp
Homem encontrado morto no Shopping Park teria sido sequestrado e levado para cativeiro
Conforme o delegado, a mulher relatou que passou a noite ingerindo bebida alcoólica com o homem e outras pessoas e também teria ido a uma festa. Posteriormente, ela contou à polícia que se deitou em uma cama e que o homem teria mantido uma relação sexual com ela sem consentimento.
O irmão da mulher teria tomado conhecimento do relato e repassado a informação a integrantes de um grupo criminoso que atua na região. “Essas pessoas se mobilizaram, foram até o local, retiraram essa vítima (o homem), levaram ela para um cativeiro, num outro bairro aqui de Uberlândia e, durante o domingo pela manhã, eles realizaram o chamado Tribunal do Crime”, relatou Fernandes.
Segundo a investigação, o suposto abuso sexual teria ocorrido por volta das 4h da madrugada de domingo. Cerca de uma hora e meia depois, o homem já teria sido retirado do local onde morava. “Rapidamente essas pessoas se mobilizaram ali. Segundo relatos, por volta de 5 e meia da manhã, a vítima já teria sido tirada do seu barraco ali e levada para outro local”, explicou o delegado.
Mulher teria acompanhado execução por transmissão ao vivo
De acordo com Carlos Fernandes, os envolvidos teriam realizado o chamado “tribunal do crime” ainda na manhã de domingo. A mulher que relatou o suposto abuso teria acompanhado a execução por meio de uma transmissão ao vivo.
Segundo o delegado, após o julgamento realizado pelo grupo, o homem teria sido morto com uma corda. O corpo, então, teria sido colocado em um veículo e levado até a área de mata no Shopping Park. “Depois de executar essa vítima, utilizando uma corda, segundo relatos, ele foi transportado em um veículo para o bairro Shopping Park, em uma área de mata ali. Realizaram uma escavação e depositaram o corpo dessa vítima”, afirmou.
A Polícia Civil passou a madrugada reunindo informações e analisando imagens para localizar o ponto onde o homem teria sido enterrado. Por volta das 4h desta quinta-feira (10), os investigadores encontraram uma cova na área de mata e acionaram o Corpo de Bombeiros para auxiliar na retirada do corpo. “A gente identificou ali a cova e solicitamos apoio ao Corpo de Bombeiros Militar, que prontamente nos atendeu, foi ao local, realizou a escavação e retirou o corpo, que foi encaminhado para o IML”, disse Fernandes.
O Instituto Médico-Legal (IML) deverá identificar as lesões e determinar a causa da morte. A identidade e a idade do homem não foram divulgadas. Veja o momento em que encontraram o corpo:
Polícia tenta identificar envolvidos no ‘tribunal do crime’
A Delegacia de Homicídios continua reunindo imagens, depoimentos e outras informações para identificar os envolvidos no sequestro, na possível tortura, no homicídio e na ocultação do corpo. Até a publicação desta matéria, a PC não havia informado prisões relacionadas ao caso.
Durante a entrevista, Carlos Fernandes afirmou que o relato de violência sexual também deveria ser investigado e que, caso o crime fosse comprovado, caberia ao Poder Judiciário responsabilizar o autor. “A gente quer que houvesse uma apuração rigorosa, a penalidade rigorosa que fosse aplicada a ele se ele assim tivesse praticado o crime. O que a gente não pode admitir é que esses criminosos façam o julgamento num curto espaço de tempo, torturem essa vítima”, afirmou.
O delegado acrescentou que a Polícia Civil trabalha para identificar e prender os envolvidos. “A Polícia Civil de forma alguma vai admitir justiça paralela aqui em Uberlândia e Minas Gerais”, declarou.
Fernandes também comparou o caso à morte de Euclides, investigada como uma possível ação de “tribunal do crime” em Uberlândia cerca de três meses antes. Segundo o delegado, a Polícia Civil identificou e prendeu os envolvidos naquele caso. “Três meses aí, dois casos muito semelhantes, dois casos que a Polícia Civil se debruçou sobre eles e identificou todos os envolvidos do caso do Euclides, com prisão de todos, e assim será com o caso de mais essa vítima”, disse.
Quer acompanhar as principais notícias de Uberlândia e região? Acompanhe o Portal Paranaíba Mais e fique ligado nas atualizações.