“Extremamente possessivo”, diz familiar sobre pai de bebê morto em Uberlandia
Prima da genitora revelou que soube do óbito por chamada de vídeo e que pai inventou engasgo; irmã de Matteo, de 1 ano e 10 meses, está sob tutela de tios-avós
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Após conhecimento dos detalhes sobre a morte do pequeno Matteo, que seria vítima de agressões do próprio genitor em Uberlândia, Sara Dutra, prima da mãe da criança, revelou em entrevista à TV Paranaíba que a mulher vivia sob ameaça do parceiro.
“A genitora estava sob ameaça. Ela não tinha forças e nem com quem contar porque tinha muito medo do que o pai pudesse fazer contra o restante da família. Não justifica, mas o genitor tinha ações muito agressivas. Ele se passava por alguém de bom coração para os outros, mas era extremamente possessivo com as crianças e com a esposa”, afirmou.

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O pai do bebê foi autuado por homicídio doloso com quatro qualificadoras: motivo fútil (irritação com o choro do recém-nascido), meio cruel (agressões continuadas há três semanas), recurso que impossibilitou a defesa da vítima e crime praticado por ascendente contra menor de 14 anos. À polícia, ele confessou formalmente os golpes durante interrogatório.
Familiar soube do bebê morto em Uberlândia por ligação de vídeo, ainda sob alegação de engasgo
De acordo com o relato da prima, que não mora mais em Uberlândia, ela recebeu uma chamada de vídeo de um número desconhecido por volta de 0h08 da quarta-feira (3), poucos minutos após o óbito do bebê ser declarado pelo Samu. Ao recusar a ligação e perguntar de quem se tratava, foi informada de que era a mãe da criança.
“Quando retornei, o casal falou que a criança tinha ido a óbito devido a um engasgo. Eu não questionei na hora, fiquei sem reação e pedi para a minha sogra ir até a casa deles, para dar suporte até que meus pais pudessem chegar”, relembrou a Sara.
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Segundo ela, a encenação do pai continuou mesmo com a chegada das primeiras pessoas ao local. “A todo momento em que a minha sogra esteve lá, o pai dizia que tinha tentado fazer de tudo, reforçando que a criança havia engasgado. Ninguém imaginou o que realmente tinha acontecido”, desabafou.
A farsa só foi desfeita horas depois com o exame necroscópico do IML, que apontou traumatismo cranioencefálico grave possivelmente por socos e tapas.
Perfil possessivo, agressões e ameaças
Ao falar sobre a conduta da mãe, que teve a prisão preventiva decretada pela Justiça, por ter se omitido e não acionado a polícia mesmo ciente de que o filho era espancado e arremessado no berço, a prima contextualizou o ambiente de medo em que ela vivia.

A familiar relatou que a jovem de 22 anos vivia isolada por imposição do companheiro. “Ela não podia visitar os familiares sem a presença dele. Eu cheguei a perguntar várias vezes se ela precisava de ajuda, mas ela afirmava que estava tudo bem. Hoje entendemos que ela estava sob forte pressão psicológica. Ficamos todos em choque quando descobrimos a verdade, a família inteira está sofrendo muito”, declarou.
A outra filha do casal, uma menina de 1 ano e 10 meses que também estava na residência no momento do crime, foi inicialmente acolhida pelo Conselho Tutelar. Sara confirmou que a menina agora está sob a tutela e os cuidados diretos de seus pais (tios-avós da criança), onde vem recebendo toda a assistência e amparo necessários.