Enterrado como indigente: família só descobre morte de homem pela TV em Uberlândia

Erickson Marques, de 25 anos, foi encontrado com sinais de violência e enterrado sem identificação; Polícia Civil diz que o sepultamento foi em consonância com a legislação vigente e com o devido consentimento da família

, em Uberlândia

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A dor de uma família que buscava por notícias se transformou em revolta e indignação. O corpo de um homem encontrado em estado avançado de decomposição em um lote vago no bairro Chácaras Bonanza, zona oeste de Uberlândia, foi identificado como sendo de Erickson Marques, de 25 anos. A vítima já havia sido enterrada como indigente antes que os familiares soubessem da localização e pudessem reconhecê-lo.

Segundo a Polícia Civil (PC), a principal hipótese é de homicídio. O corpo estava enrolado em um lençol, apresentava marcas de violência, como hematomas e afundamento no crânio, além de sinais de que teria sido desovado no local. Havia também uma corda em seu pescoço, o que pode indicar uma tentativa de enforcamento ou, conforme apontam os investigadores, uma mensagem deixada pelos autores do crime.

homem morto em Uberlândia era Erickson Marques, de 25 anos
Erickson Marques, de 25 anos, era pai de dois filhos pequenos e havia desaparecido há dias – Crédito: Arquivo Pessoal/Divulgação

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A identificação foi possível graças à exibição das tatuagens da vítima em uma reportagem exibida no programa Cidade Alerta, na TV Paranaíba. Uma das inscrições dizia: “Não sou dono do mundo, mas sou filho do dono”. Ao assistirem à matéria, familiares reconheceram os traços e correram para a delegacia, mas receberam a trágica notícia, Erickson já havia sido sepultado como indigente no Cemitério Bom Pastor.

“Ele era muito carinhoso, um ótimo pai, filho, neto, irmão. Usava maconha, sim, mas nunca deu trabalho. Tinha muitos amigos, todos chamavam ele de Zói de Gato”, contou uma familiar, que preferiu não ser identificada. Erickson era pai de dois meninos, um de 3 anos e outro de apenas 1.

A família relata que o desaparecimento foi comunicado à Polícia por meio de boletim de ocorrência, e que a ausência de Erickson era fora do comum: “Ele sempre dava notícias. Falava com a mãe e com a irmã todos os dias. Quando sumiu, já sabíamos que algo ruim tinha acontecido”.

corpo de homem enrolado em um lençol
Corpo do homem estava enrolado em um lençol em terreno vago no bairro Chácaras Bonanza, zona oeste de Uberlândia – Crédito: Reprodução / TV Paranaíba

Após a exibição da matéria, o corpo foi transferido de volta para que a família pudesse prestar uma última homenagem. A mãe, abalada, não pôde nem abrir o caixão devido ao estado avançado de decomposição. Ainda assim, os parentes se mobilizam para realizar um sepultamento digno.

Apesar de ser usuário de drogas, Erickson não tinha antecedentes criminais, e a família acredita que ele não tinha envolvimento com o crime. A Polícia Civil segue investigando o caso para esclarecer a motivação do assassinato e identificar os autores. A suspeita é de que o crime tenha ocorrido em outro local e o corpo tenha sido apenas descartado no terreno do Chácaras Bonanza.

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Corpo estava em decomposição e foi enterrado como indigente com consentimento da família, diz Polícia Civil

Em nota, a Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) esclareceu que o corpo do jovem foi encontrado em avançado estado de decomposição, o que exigiu procedimentos específicos por questões sanitárias e legais. Segundo o órgão, mesmo diante das condições, a família conseguiu fazer o reconhecimento da vítima e foi devidamente informada sobre os trâmites.

O enterro como indigente foi realizado com o consentimento dos familiares, conforme previsto em lei para casos nos quais não há condições de arcar com os custos do funeral. A PCMG afirmou que todos os protocolos foram seguidos e reforçou seu compromisso com a legalidade, a transparência e o respeito às vítimas e seus entes.

Veja a nota na íntegra;

Prezados,

“A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) informa que o corpo em questão foi localizado em avançado estado de decomposição, o que exigiu a adoção de procedimentos específicos para a preservação da dignidade do falecido e a proteção da saúde pública.

Apesar das condições do corpo, foi possível o reconhecimento por parte da família. À época dos fatos, o Posto Médico-Legal da PCMG seguiu rigorosamente todos os protocolos legais e administrativos previstos para situações dessa natureza.

Os familiares foram devidamente cientificados sobre os procedimentos que seriam adotados, inclusive sobre a possibilidade de sepultamento sem custos, conforme previsto para casos em que não há viabilidade de realização de funeral por meios próprios. O sepultamento foi, portanto, realizado como indigente, em consonância com a legislação vigente e com o devido consentimento da família.

A PCMG reafirma seu compromisso com a legalidade, a transparência e o respeito às vítimas e seus familiares.”