Entenda todos os detalhes do polêmico caso da stalker de Ituiutaba, Kawara Welch
Crimes de perseguição aconteceram em Ituiutaba e a jovem foi condenada a mais de 10 anos de prisão nesta semana
-
Acusada de perseguir obsessivamente um médico de Ituiutaba, a jovem Kawara Welch Ramos de Medeiros, de 24 anos, foi condenada a 10 anos, 7 meses e 2 dias de prisão por perseguição, roubo e desobediência.
O caso, que ganhou destaque por envolver mais de mil ligações em um único dia, criação de perfis falsos e até agressões físicas, também resultou na condenação da avó da jovem, Dalva Pereira Ramos, a 6 anos e 8 meses de prisão em regime semiaberto.

📲 Siga o canal de notícias do Paranaíba Mais no WhatsApp
Quem é a stalker
Nas redes sociais, a jovem se apresentava como artista plástica e modelo. Sua primeira publicação no Instagram é de 2015, e os perfis mostram fotos de ensaios, momentos com familiares e amigos, além de quadros pintados por ela.
Antes de ser presa, a mulher cursava Nutrição em uma universidade particular de Uberlândia, onde levava uma rotina aparentemente comum.
Início da perseguição
Em 2018, Kawara Welch iniciou um comportamento obsessivo após ser atendida por um médico em Ituiutaba. A partir de 2019, as perseguições se intensificaram: ela enviava mensagens, fazia ligações incessantes e criava perfis falsos nas redes sociais para manter contato com o profissional.
As vítimas do caso são um médico de Ituiutaba, sua esposa e o filho do casal, de 11 anos.
Em um único dia, a vítima recebeu 1.300 mensagens e mais de 500 ligações. A jovem chegou a cadastrar mais de 2.000 números de telefone diferentes após ser bloqueada repetidamente.
Além das mensagens e ligações, ela passou a perseguir o médico em locais públicos, incluindo seu local de trabalho e residência.

Em janeiro de 2023, Kawara Welch, acompanhada de sua avó, abordou a esposa do médico em via pública, agrediu a mulher e roubou seu celular, a chave do carro e um par de chinelos. Os objetos foram entregues à avó, que também foi condenada a 6 anos e 8 meses de prisão em regime semiaberto.
Prisões e descumprimento de medidas
A stalker foi presa em flagrante em janeiro de 2023, mas foi liberada após pagar fiança e teve medidas cautelares impostas. Em março de 2023, sua prisão preventiva foi decretada por descumprimento dessas medidas, e ela ficou foragida até ser presa em 8 de maio de 2024, em uma universidade de Uberlândia.
Durante o julgamento, a defesa alegou que ela e o médico mantinham um relacionamento amoroso, iniciado quando ela era menor de idade. O médico negou qualquer envolvimento.
Na ocasião, o juiz rejeitou o pedido de exame de sanidade mental, afirmando que a jovem demonstrava plena capacidade de discernimento e entendimento de seus atos.
Leia Mais
Diante da gravidade e da repetição das ações, além dos danos causados às vítimas — como uso de medicamentos psiquiátricos, perda de emprego e medo constante — o regime de cumprimento da pena foi fixado como fechado. Além da prisão, Kawara Welch e a co-ré foram condenadas a pagar R$ 33.500,00 de indenização por danos morais e materiais.
O que diz a defesa
A defesa contesta a versão apresentada pela acusação, alegando que há distorções nos fatos narrados pelo Ministério Público. Segundo o advogado responsável, a promotora do caso teria “mentido deliberadamente” ao caracterizar como roubo a retirada de um aparelho celular e um molho de chaves durante uma discussão envolvendo a investigada e familiares do médico que a denunciou.
A defesa sustenta ainda que o comportamento ao longo dos anos é resultado de traumas psicológicos e danos emocionais sofridos durante o suposto relacionamento.