Em condição precária, Laboratório de anatomia animal da UFU é interditado

Registros divulgados nas redes sociais e relatos de estudantes apontam risco à saúde, presença de mofo, pragas e intoxicações por formol

, em Uberlândia

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O Laboratório de anatomia animal da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), localizado no bairro Umuarama, região leste uberlandense, foi interditado de forma preventiva após a divulgação de imagens e relatos sobre as condições de funcionamento do espaço utilizado por estudantes do curso de Medicina Veterinária.

As denúncias vieram a público por meio de postagens nas redes sociais e de depoimentos de alunos, que relatam um ambiente considerado insalubre.

Em condição precária, Laboratório de anatomia animal da UFU é interditado
Imagens divulgadas nas redes sociais mostram mofo, deterioração de peças anatômicas e más condições no Laboratório de Anatomia da UFU, que foi interditado  – Crédito: Redes Sociais/Reprodução

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Segundo informações obtidas pelo Paranaíba Mais, a interdição do laboratório de anatomia animal da UFU ocorreu por indicação do Setor Especializado em Engenharia e Segurança do Trabalho (Seset), ligado à Pró-Reitoria de Gestão de Pessoas (Progep). O órgão realiza inspeções de segurança em todos os campi da universidade e apontou não conformidades nas condições de trabalho. A medida é cautelar e permanece “até segunda ordem”.

Um estudante de Medicina Veterinária, que preferiu não se identificar por medo de represálias, relatou que todos os meios administrativos já teriam sido esgotados sem que providências efetivas fossem tomadas. “A situação beira o insalubre. Tem peças com mofo preto e a gente precisa manusear isso durante as aulas”, afirmou.

Segundo o relato, há peças anatômicas, como músculos, nervos e órgãos, com menos de um ano de uso já em estado avançado de deterioração. O estudante também descreveu a presença constante de poeira, cheiro forte de mofo, salmoura e formol sem manutenção adequada, além de mesas enferrujadas que chegam a manchar roupas e jalecos de forma irreversível.

Calor é grande no Laboratório de anatomia animal, dizem alunos

Outro ponto destacado é a falta de ventilação adequada no laboratório. “São mais de 50 alunos para apenas quatro ventiladores fracos. Quem não consegue ficar perto deles sofre com o calor, mosquitos e o cheiro forte”, relatou. Segundo o estudante, já houve casos de intoxicação por vias aéreas devido à exposição ao formol.

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Além disso, foram observadas baratas, aranhas, formigas e outros insetos no local. Uma das salas, onde ficam armazenados crânios bovinos e equinos, é descrita como especialmente crítica, com infiltrações no teto, grande quantidade de mofo e presença de animais nas peças. “A gente entra com receio até de respirar”, disse.

Resposta da Universidade

Em nota enviada ao Paranaíba Mais, a Universidade Federal de Uberlândia (UFU) informou que a gestão do laboratório é de responsabilidade da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia (FMVZ). A UFU explicou ainda que cabe à Progep o provimento de técnico para atuar no laboratório, o que deve ocorrer no dia 26 de fevereiro, com a posse de um novo servidor, que passará por treinamento antes de assumir as funções.

Sobre as condições estruturais, a universidade afirmou que será agendada uma reunião com a diretora da FMVZ para traçar estratégias e atender às demandas apontadas em caráter emergencial.

Veja a íntegra da nota emitida pela UFU sobre a interdição do Laboratório de anatomia animal:

“A Universidade Federal de Uberlândia informa que a gestão do Laboratório de Anatomia Animal é de responsabilidade da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia (FMVZ). No entanto, cabe à Pró-Reitoria de Gestão de Pessoas (Progep) o provimento de técnico para atuar no laboratório, o que ocorrerá dia 26 de fevereiro, quando o novo servidor será empossado, passará por um treinamento e estará apto a assumir suas funções. A respeito das condições estruturais do laboratório, será agendada uma reunião com a diretora da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia para traçar estratégias e atender suas demandas em caráter emergencial.”