Crianças desaparecidas no Brasil podem ter sido encontradas pela Interpol
Mãe de Ágatha e Allan pede à Polícia Federal a inclusão dos filhos na Difusão Amarela após suspeita de que estejam entre resgatados nos EUA
Duas famílias de crianças desaparecidas no Brasil recorreram nesta quarta-feira (9) à Polícia Federal para pedir a inclusão dos filhos na Difusão Amarela da Interpol, mecanismo internacional voltado à localização de pessoas desaparecidas, após uma operação que resgatou crianças nos Estados Unidos. Em Bacabal, no Maranhão, Clarice Cardoso solicitou o alerta para os filhos Ágatha Isabelly, de 6 anos, e Allan Michael, de 4, desaparecidos desde janeiro. No Rio de Janeiro, a família do menino Edson Davi Silva Almeida, sumido na praia da Barra da Tijuca há mais de dois anos, fez o mesmo pedido.
Os dois casos ganharam novo fôlego depois que uma operação contra o tráfico de pessoas na Flórida resgatou 163 crianças no fim de agosto, levantando a esperança de que os menores brasileiros possam estar entre os localizados.

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Os irmãos maranhenses sumiram em janeiro deste ano, quando foram vistos pela última vez brincando em uma área de mata no Quilombo São Sebastião dos Pretos, em Bacabal. Até hoje, nenhum suspeito foi formalmente apontado pelas autoridades como responsável pelo desaparecimento das crianças.
Em nota, a Polícia Federal confirmou que recebeu o pedido da família nesta quarta-feira e informou que a solicitação será avaliada internamente antes de seguir para a organização internacional. Segundo o órgão, cabe exclusivamente à Interpol decidir se o alerta será publicado e compartilhado com os 196 países que integram a entidade.
O que motivou o pedido de inclusão na Interpol
O pedido da família de crianças desaparecidas em Bacabal surge poucos dias depois de uma operação contra o tráfico de pessoas realizada na Flórida, nos Estados Unidos, ter resgatado 163 menores no fim de agosto. O grupo reúne meninos e meninas de 12 nacionalidades diferentes, com idades entre dois meses e 17 anos, incluindo brasileiros.
Clarice Cardoso relatou à Agência Brasil que já foi procurada pela própria Interpol para verificar se Ágatha e Allan estão entre os resgatados na operação americana. Nas redes sociais, a advogada da família, Nathaly Moraes, revelou que amostras de sangue das crianças da família foram coletadas na Superintendência da Polícia Federal em São Luís, também nesta quarta-feira, para exame comparativo com o material colhido nos Estados Unidos.
Até o momento, nem as autoridades norte-americanas nem a Interpol confirmaram se algum dos menores resgatados corresponde às crianças desaparecidas maranhenses.
Cooperação internacional reforça esperança da família
De acordo com a defesa, o Núcleo de Cooperação Internacional da Polícia Federal no Maranhão informou que a Interpol disponibilizará suas ferramentas de investigação para apoiar as buscas. A família também aguarda um posicionamento do Consulado Brasileiro sobre a identificação das vítimas resgatadas na operação dos Estados Unidos.
Nathaly Moraes afirmou à RECORD que a expectativa da família cresce a cada novo desdobramento do caso. Segundo a advogada, o apoio do setor de cooperação internacional fortalece a esperança de que o paradeiro dos irmãos finalmente seja esclarecido.
A Interpol também comunicou à família, por e-mail, que prestará auxílio no eventual processo de repatriação caso os exames confirmem que Ágatha e Allan estão entre os menores resgatados nos Estados Unidos.
Outro caso de criança desaparecida também busca apoio da Interpol
O episódio das crianças desaparecidas em Bacabal não é isolado. A família do menino Edson Davi Silva Almeida, desaparecido na praia da Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, desde janeiro de 2024, também procurou a Polícia Federal nesta quarta-feira para pedir a inclusão do caso na Difusão Amarela.

A mãe do garoto, Marize Araújo, esteve na sede da corporação no Rio para entregar documentos sobre o filho. O advogado da família, Cristiano Medina, explicou que a decisão de recorrer à cooperação internacional foi tomada depois da repercussão do resgate das 163 crianças na Flórida.
Edson Davi tinha 6 anos quando desapareceu, e a Polícia Civil concluiu que ele teria se afogado no mar. A família, porém, contesta essa versão e defende a hipótese de sequestro, mantendo viva a esperança de encontrá-lo com o apoio das ferramentas internacionais de busca.
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Operação Statewide Shield
Segundo o governo norte americano, a operação Statewide Shield, realizada em agosto deste ano, aconteceu em cinco dias, focada na identificação, localização e recuperação de crianças desaparecidas. Desenvolvida para proporcionar acesso imediato a serviços voltados para crianças, a investigação utilizou inteligência em tempo real e operações de campo para localização e recuperação. Suboperações ocorreram em Pensacola, Tallahassee, Jacksonville, Orlando, Tampa, Fort Myers e Miami, além de outras cidades da região.
A força-tarefa multidisciplinar localizou proativamente jovens vulneráveis em todo o país e fora dos Estados Unidos, incluindo 46 resgates na região de Tampa Bay, 41 em Miami, 32 em Jacksonville, 21 em Orlando, 12 em Fort Myers, 8 em Pensacola e 3 em Tallahassee. As operações ocorreram nos EUA e seus territórios nos seguintes estados e territórios: Alabama, Califórnia, Ohio, Nova York, Carolina do Norte, Porto Rico e Tennessee. Fora dos EUA, as operações foram realizadas no Brasil, Canadá, Colômbia, Dominica, Finlândia, Gana, Guatemala, Itália, Jamaica, México, Espanha e Taiwan.
As crianças tinham idades entre 2 meses e 17 anos. Muitas das crianças resgatadas haviam sofrido vários níveis de abuso, negligência, exploração ou exposição a outras atividades criminosas, incluindo o tráfico de pessoas.
Houve várias prisões, incluindo a de um réu procurado por três acusações de atos libidinosos com menor e que também tinha um mandado de prisão por interferência na guarda de uma criança; outro réu por agressão libidinosa contra uma vítima de 12 a 16 anos; e um por interferência em um caso de guarda de criança, além de resistência à prisão sem violência. Mais prisões são esperadas nos próximos dias.
As crianças resgatadas foram transportadas em segurança pelas autoridades policiais locais para centros de acolhimento designados, onde receberam apoio de serviços sociais, profissionais de proteção à infância, médicos, defensores das vítimas e outros recursos voltados para crianças. Todas as informações sobre o resgate foram documentadas no Centro de Informações sobre Pessoas Desaparecidas e em Perigo para garantir o encerramento do caso.
Repercussão do caso das crianças desaparecidas
Os casos ganharam repercussão nacional justamente pela ausência de pistas concretas sobre o paradeiro dos menores, mesmo meses após os desaparecimentos. Agora, famílias e advogados aguardam os resultados dos exames que poderão confirmar, ou descartar, qualquer ligação entre os casos brasileiros e o grande resgate ocorrido nos Estados Unidos.
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