Caso Gustavo: tudo o que se sabe sobre a morte de criança em Tocantins
Menino de 3 anos foi encontrado morto após o pai relatar um afogamento; perícia apontou sinais de violência e tortura.
A morte de Gustavo Veloso Feitosa, de 3 anos, em Palmas (TO), é investigada pela Polícia Civil como um caso de violência. O menino foi encontrado morto no início desta semana, depois de o pai comparecer a uma delegacia, na manhã de segunda-feira (3), e relatar que a criança teria se afogado na piscina da residência. As investigações, no entanto, apontaram sinais de agressão e tortura. O pai e a madrasta do menino foram presos preventivamente na madrugada desta quinta-feira (6).

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O principal suspeito é Ígor Gustavo Veloso, advogado e pai da criança. Até pouco tempo, ele presidia a Comissão de Ética da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). A versão apresentada por ele sobre a morte do filho foi questionada ainda na segunda-feira, após laudos periciais da Polícia Civil apontarem múltiplas lesões.
Segundo o laudo, a criança morreu em decorrência de hemorragia interna causada por violência sexual. Durante entrevista à TV Record, o delegado responsável pelo caso afirmou que os peritos descartaram a hipótese de relação sexual entre pai e filho e concluíram que as lesões anais inicialmente interpretadas como indícios de violência sexual teriam sido provocadas por instrumentos utilizados para torturar a criança.
Morte do menino Gustavo
Segundo a apuração da TV Record, o pai de Gustavo relatou à polícia que o filho teria se afogado na piscina no início da noite de domingo (2). O suspeito afirmou que prestou os primeiros socorros à criança e, em seguida, a colocou para dormir.
Na manhã seguinte, segundo o relato apresentado pelo advogado, ele encontrou o filho sem vida. O pai, porém, só compareceu a uma delegacia durante a tarde.
Ainda de acordo com a emissora, os pais de Gustavo mantinham disputas judiciais. Há três anos, a mãe registrou um boletim de ocorrência contra o ex-companheiro após relatar ameaças.
Familiares do menino, por parte da mãe, afirmam que o pai era violento com ela. A mulher tinha uma medida protetiva contra o advogado, concedida após ele danificar, durante a madrugada, o portão da casa onde ela morava com o filho.
Antes de levar Gustavo para a casa do pai, a mãe gravou um vídeo em que a criança pedia para não ser levada e afirmava sofrer agressões. A defesa da mulher afirmou que ela não impedia o filho de visitar o pai porque temia ser acusada de alienação parental.
Segundo os advogados, o descumprimento da decisão judicial que regulamentava a convivência entre pai e filho poderia resultar em medidas relacionadas à guarda da criança.
“Ele ameaçava ela o tempo todo e ninguém fez nada. A situação é que o Gustavo morreu. Ele não está mais aqui”, afirmou uma familiar durante o velório.
A mãe do menino também declarou estar arrependida por não ter denunciado anteriormente as ameaças que teria recebido do ex-companheiro. Segundo informações obtidas pela RECORD, áudios registrariam ameaças feitas pelo pai da criança contra a mulher.
Mesmo diante dos episódios relatados, a mãe precisava cumprir as determinações judiciais que garantiam ao homem o direito de convivência com o filho.
Durante uma coletiva de imprensa, as autoridades também apontaram contradições nos depoimentos do pai e da madrasta sobre as circunstâncias que antecederam a morte da criança.
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Prisão do pai e da madrasta
Na madrugada desta quinta-feira (6), Ígor Gustavo Veloso de Souza e Kathleen Moreira, pai e madrasta de Gustavo, foram presos preventivamente.
Kathleen é investigada principalmente por suposta omissão diante das agressões cometidas contra o menino. Segundo a polícia, é improvável que ela não tivesse conhecimento dos episódios ocorridos na residência.
A inscrição de Ígor na OAB também foi suspensa.
Os advogados de Ígor afirmaram que ele colaborou com as autoridades desde o início das investigações e permanece à disposição para prestar os esclarecimentos solicitados. A defesa informou, porém, que não comentará detalhes do caso enquanto o procedimento estiver sob sigilo.
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