Samu vai incorporar Siate em Uberlândia; aporte chega a R$ 48 milhões por ano
Transição começa em junho e novo sistema de atendimento de urgência no município terá 11 ambulâncias e 6 bases operacionais
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O Serviço Integrado de Atendimento ao Trauma e Emergência (Siate) dará lugar ao Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) em Uberlândia a partir de junho, com um sistema que compreende 11 ambulâncias e seis bases operacionais instaladas em regiões estratégicas da cidade. Com a entrada do serviço, Uberlândia se torna o 27º município a integrar efetivamente o Consórcio Público Intermunicipal de Saúde da Rede de Urgência e Emergência da Macrorregião do Triângulo Norte (Cistri), que passará a receber um aporte de R$ 48 milhões por ano quando todo o sistema estiver em funcionamento. Em coletiva de imprensa nesta quinta-feira (21), o prefeito Paulo Sérgio Ferreira detalhou a transição dos atendimentos do Siate para Samu.

A frota de ambulâncias em Uberlândia contará com oito Unidades de Suporte Básico (USB) e três Unidades de Suporte Avançado (USA). A operação será administrada pelo Cistri em parceria com o município.
Além disso, os atendimentos do Samu irão abranger tanto a área urbana quanto a zona rural do município, além das rodovias da região. Os pacientes encaminhados pelo serviço móvel terão como referência as oito Unidades de Atendimento Integrado (UAIs).
Para a implementação do Samu em Uberlândia, o Ministério da Saúde realizou uma visita técnica em março de 2025, quando foram apresentadas a rede de urgência e emergência municipal, e o projeto para a construção da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) no bairro Morumbi.
No último mês, a Prefeitura de Uberlândia aderiu formalmente ao Cistri, que já gerencia o Samu nos 26 municípios do Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba que atuam em conjunto para atendimento de urgência e emergência.
Após negociações entre o Governo Federal e a Prefeitura de Uberlândia, o Ministério da Saúde anunciou a recomposição anual de R$ 56,5 milhões do Teto de Média e Alta Complexidade (MAC) para o custeio dos serviços de saúde de maior complexidade do Sistema Único de Saúde (SUS) no município. Os recursos servirão para garantir os atendimentos à população, além da adequação e/ou construção das UAIs que se tornarão UPAS.
O preço do Samu em Uberlândia
Durante a coletiva, o prefeito Paulo Sérgio detalhou a maneira com que serão distribuídos os custos do Samu em Uberlândia. De acordo com o prefeito, o custo do município será de R$ 4,7 milhões por ano, destinado ao Cistri. “Para o Cistri, isso é uma regra geral, cada habitante paga R$ 0,55 por habitante, por mês. Então, a prefeitura é obrigada a pagar para o Cistri R$ 0,55. Isso aí, em números, em grandes números, dá R$4,7 milhões por ano”, explicou Paulo Sérgio.

Ao final da implementação das novasUPAs, o Estado passará a contribuir com mais R$ 500 mil por mês para cada uma das 4 UPAs, totalizando mais R$ 24 milhões por ano. Também ao fim deste processo, o Governo Federal passará a repassar R$ 900 mil ao sistema.
Ao final da transição, a cidade terá quatro UPAs (Mobumbi, São Jorge, Roosevelt e Monte Hebron). Quando as unidades forem credenciadas, elas também receberão cerca de R$ 500 mil cada em novos recursos do governo federal. Somados, os novos repasses federais e estaduais para o custeio da Saúde em Uberlândia poderão alcançar R$ 48 milhões ao ano, quando o novo modelo estiver em pleno funcionamento.
Samu em Uberlândia: profissionais e localidades
A estrutura do Samu em Uberlândia terá 161 profissionais selecionados por meio de processo seletivo já concluído pelo consórcio gestor. O quadro será composto por 35 médicos, 21 enfermeiros, 32 técnicos de enfermagem, 17 auxiliares de regulação, 44 condutores e 12 operadores de frota.
Para evitar problemas pontuais na busca por resgate, a prefeitura esclareceu que o sistema de ligações será unificado até o fim da implementação do Samu em Uberlândia, onde os atendimentos serão devidamente encaminhados.
“Essa regulação, a partir do dia que o salão iniciar as suas atividades, ela deixa de existir e a regulação médica está totalmente no 1- 9-2. Mas se a pessoa ligar errado no 1-9-3, automaticamente ela é transferida para o 1-9-2, para que o médico possa fazer o atendimento”, explicou o secretário de Saúde.
Locais que abrigarão as seis bases operacionais do Samu em Uberlândia:
- 5º Batalhão dos Bombeiros – localizado na avenida Rondon Pacheco, 5715, no bairro Brasil;
- 5º Batalhão dos Bombeiros (Pelotão Oeste) – rua Sudepe, 1410, no bairro Chácaras Tubalina e Quartel;
- 5º Batalhão dos Bombeiros (Pelotão Sul) – rua Ângelo Cunha, 315, no bairro São Jorge;
- 5º Batalhão dos Bombeiros (Pelotão Norte) – avenida Antônio Thomaz Ferreira de Rezende, 3210, no Distrito Industrial;
- Base descentralizada – avenida da Esperança, 361, no bairro Residencial Integração;
- Base descentralizada – rua Martinésia, 34, Centro (em adequação, estará disponível em breve)
Como será a divisão entre Bombeiros e Samu em Uberlândia
A partir da implementação do novo atendimento à emergências, os bombeiros seguirão atendendo pelo número 193, enquanto o Samu atenderá as emergências pelo número 192. A Prefeitura, no entanto, esclareceu que os atendimentos serão distintos. Enquanto os bombeiros continuam lidando com eventos como incêndios, resgates e salvamentos, o Samu cuidará de urgências médicas e atendimentos pré-hospitalares.
Exemplos
Samu
- Dor no peito ou falta de ar
- Suspeita de AVC ou crise convulsiva
- Problemas cardiorrespiratórios
- Queimaduras graves
- Acidentes com vítimas e traumas
- Situações com risco de morte e sofrimento intenso
Bombeiros
- Incêndios
- Pessoas presas às ferragens
- Salvamentos aquáticos
- Resgate em altura ou em mata
- Soterramentos e deslizamentos
- Vazamentos de produtos tóxicos

A fim de agilizar o atendimento, ao acionar os serviços disponíveis o cidadão deve informar, se possível:
- Endereço e/ou ponto de referência;
- Acontecimento;
- Quantidade de vítimas;
- Se são adultos ou crianças;
- Condições das vítimas.
Atendimentos nos 3 primeiros meses de 2026
Durante a coletiva, a Prefeitura de Uberlândia também detalhou os indicadores do atendimento do Corpo de Bombeiros e do Siate no município, durante os três primeiros meses deste ano.
Segundo o relatório, foram registradas 7.662 chamadas de janeiro a março, o que representa uma média de 2.554 chamadas por mês. Cerca de 54% das chamadas tiveram registros em Boletim de Ocorrência. Outros 35% dos chamados foram solucionados pela regulação médica por telefone.
A Prefeitura também apontou, ao analisar o horário das ligações, que a média registrada no período foi de 319 chamadas para cada hora do dia, sendo que o maior volume se concentrou às 11h, com 480 ocorrências. Terça-feira foi o dia da semana que liderou o volume de chamadas, com 1.181 no período analisado. Um número pouco superior à média diária, de 1.095 por dia da semana.
Durante este período, o atendimento clínico liderou as ocorrências, com 63% dos chamados, seguido pelas ocorrências de trânsito (variação entre 19% a 22%) e traumas diversos ( variação entre 14% a 18%). As unidades de saúde mais sobrecarregadas com emergências foram as UAIs do Tubery e Planalto e o Hospital de Clínicas da UFU.