Procuradoria define regras para formação da CPI da Saúde em Uberlândia

Parecer jurídico da Câmara orienta sobre composição da comissão que vai investigar suspeita de desvio de R$ 6,5 milhões na Saúde

, em Uberlândia

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A Procuradoria da Câmara Municipal emitiu um parecer jurídico que define como deverá ser composta a CPI da Saúde em Uberlândia que investigará o suposto desvio de R$ 6,5 milhões do programa Tratamento Fora do Domicílio (TFD), vinculado à Secretaria Municipal de Saúde. O documento foi elaborado após questionamentos sobre a forma de escolha dos integrantes da comissão.

Segundo o parecer assinado pela procuradora Aline Ribeiro de Sousa, a CPI deve ter cinco membros, sendo dois deles considerados “membros natos”: o vereador Conrado Augusto (PSB), primeiro signatário do requerimento que originou a investigação, e o vereador Ronaldo Tannús (PSDB), integrante da Comissão de Legislação, Redação e Justiça. As outras três vagas serão preenchidas proporcionalmente entre os blocos parlamentares da Câmara.

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CPI da Saúde em Uberlândia
Sede da Câmara Municipal de Uberlândia, onde será instalada a CPI do TFD para apurar suspeita de desvio de recursos públicos – Crédito: TV Paranaíba/Reprodução

A composição definida pela Procuradoria inclui os vereadores Conrado Augusto (PSB), Ronaldo Tannús (PSDB), Pezão do Esporte (Cidadania), Jair Ferraz (PP) e Neemias Miquéias (Podemos).

O bloco “Uberlândia pra Frente”, que reúne 21 parlamentares, ficou com quatro das cinco vagas, enquanto o bloco “Independente”, com seis membros, terá uma representação.

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O parecer também faz observações sobre a liderança dos blocos, apontando que o vereador Adriano Zago (Avante) não apresentou ata de escolha para ser reconhecido como líder.

Além disso, a Procuradoria entendeu que, apesar de Conrado Augusto ter solicitado sua saída do Bloco Independente após o protocolo do requerimento, a alteração não tem validade para a composição da CPI.

A escolha do presidente e do relator da comissão será feita por votação entre os membros. No entanto, conforme o Regimento Interno da Câmara, o autor do pedido — no caso, Conrado Augusto — não poderá ocupar esses cargos.

A CPI do TFD vai apurar suspeitas de desvio de recursos públicos e possíveis irregularidades em contratos com Organizações Sociais (OSs) e laboratórios que prestam serviço à Prefeitura de Uberlândia.

Entenda o caso da CPI da Saúde em Uberlândia

A CPI da Saúde, que vai investigar o suposto desvio de R$ 6,5 milhões do programa Tratamento Fora de Domicílio (TFD). O pedido foi protocolado por vereadores com base em uma investigação do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG).

golpe milionário na saúde
Criado para ajudar quem precisa de tratamento fora da cidade, o TFD, da Secretaria Municipal de Saúde, funciona no anexo da avenida João Naves de Ávila – Crédito: PMU/Reprodução

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) vai apurar o esquema descoberto durante a “Operação Tratamento Fantasma”, deflagrada no dia 14 de julho deste ano pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco).

A operação revelou que uma servidora pública municipal seria a principal responsável por um golpe milionário que desviou recursos da Secretaria de Saúde de Uberlândia.

De acordo com as investigações, a funcionária utilizava nomes de pacientes falsos, os chamados “laranjas”, para simular autorizações e repasses de valores do programa Tratamento Fora de Domicílio (TFD). O dinheiro, segundo o Ministério Público, era transferido para contas de terceiros e posteriormente revertido em joias, serviços e repasses aos envolvidos.

Como funcionava o desvio

O esquema teria funcionado por cerca de três anos, até ser descoberto e vir a tona, após uma denúncia de um relojoeiro, que alertou a Secretaria de Saúde sobre movimentações suspeitas.

O caso chamou a atenção, pois além da quantia milionária, o fato não foi identificado nem pelo controle interno, nem por auditorias da Prefeitura, o que levantou questionamentos sobre a efetividade dos mecanismos de fiscalização da administração municipal.