Filho suspeito de matar o próprio pai em Uberlândia teria movimentado R$ 65 mil e ido à França
Delegado responsável pelo caso detalhou à reportagem como a investigação de nove meses chegou ao filho da vítima; corpo do idoso ainda não foi localizado
A investigação sobre o desaparecimento de Alair Domingo de Araújo, de 78 anos, em Uberlândia, identificou uma série de movimentações financeiras e patrimoniais atribuídas ao filho do idoso, de 29 anos, apontado pela Polícia Civil como principal suspeito do homicídio. Segundo o delegado de homicídios Carlos Fernandes, o investigado teria movimentado mais de R$ 65 mil da conta do pai, vendido bens pertencentes à vítima e viajado para a França durante o período em que era procurado pelos investigadores.

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Alair foi visto pela última vez em 28 de novembro de 2025, no bairro Integração, em Uberlândia. O Corolla da vítima foi localizado em 22 de dezembro com vestígios de sangue, e as provas reunidas pela Polícia Civil apontaram que o idoso foi vítima de homicídio.
Filho teria movimentado mais de R$ 65 mil do pai
De acordo com Carlos Fernandes, a análise das movimentações bancárias foi um dos elementos que ajudaram os investigadores a reconstruir o que ocorreu depois do desaparecimento.
O pai mantinha mais de R$ 65 mil em uma conta bancária, valor que, segundo a Polícia Civil, teria sido movimentado pelo filho. Parte do dinheiro teria sido usada em compras e transferências.
Além da conta bancária, os investigadores encontraram indícios de que outros bens do idoso foram vendidos ou repassados após o desaparecimento.
Entre eles estava o Toyota Corolla de Alair, localizado em 22 de dezembro de 2025. O veículo, segundo o delegado, teria sido vendido posteriormente por R$ 10 mil.
A perícia realizada no carro havia encontrado sangue humano no porta-malas. Um exame genético apontou, posteriormente, que o material biológico era compatível com o pai biológico de dois filhos da vítima, com elevadíssimo grau de probabilidade estatística.
Aluguéis dos imóveis de Alair foram rastreados pela polícia
Além das movimentações bancárias e da venda de bens, a Polícia Civil identificou transações relacionadas aos imóveis que pertenciam a Alair.
Segundo os investigadores, o filho teria continuado a receber os valores dos aluguéis dessas propriedades mesmo após o desaparecimento do pai.
A movimentação dos imóveis foi analisada pela polícia durante os cerca de nove meses de investigação.
A apuração também incluiu análise de celulares, quebras dos sigilos telefônico, telemático e bancário, exames periciais, depoimentos e milhares de arquivos de áudio.
Suspeito de matar o próprio pai teria ido para a França
O delegado também explicou à reportagem como os investigadores chegaram ao paradeiro do suspeito no período em que tentavam localizá-lo.
Segundo Carlos Fernandes, até o fim de dezembro de 2025, a Polícia Civil procurava o homem para intimá-lo. A equipe chegou a procurar a mãe dele, já que o investigado não era localizado.
Conforme o delegado, o suspeito comprou uma passagem para a França e permaneceu no país por cerca de dez dias.
Ainda segundo Fernandes, o homem teria afirmado que ficou hospedado em um quarto alugado e decidiu retornar ao Brasil. A viagem de ida e volta teria custado mais de R$ 22 mil.
“Ele rapidamente comprou uma passagem pra França, ficou 10 dias. Aí, segundo ele, estava morando num quarto alugado, resolveu voltar”, afirmou o delegado.
Quando retornou ao Brasil, a situação já havia avançado no âmbito da investigação. A Polícia Civil havia conseguido uma ordem de prisão temporária, que foi cumprida.
Pai teria denunciado o filho antes do desaparecimento
Durante a investigação, a Polícia Civil também descobriu que Alair havia denunciado o próprio filho por crimes anteriores.
Segundo o delegado Carlos Fernandes, essa informação passou a ser considerada uma das possíveis motivações para o homicídio.
O investigado já possuía, de acordo com a Polícia Civil, registros anteriores relacionados à criminalidade, incluindo passagens por tráfico de drogas.
A possível motivação, no entanto, é uma das linhas apontadas pela investigação e deverá ser analisada pelas autoridades responsáveis pelo processo.
Prisão preventiva foi decretada pela Justiça
Após o cumprimento da prisão temporária, o Ministério Público se manifestou favoravelmente à manutenção da prisão. Conforme relatado pelo delegado, o Judiciário entendeu que havia elementos relacionados ao homicídio e decretou a prisão preventiva.
Segundo a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), o investigado foi admitido no Presídio Professor Jacy de Assis, em Uberlândia, em 8 de setembro de 2026, onde permanece preso e à disposição da Justiça.
O homem foi indiciado por homicídio qualificado e ocultação de cadáver. A investigação considerou, entre outros pontos, as qualificadoras relacionadas ao motivo torpe e à intenção de assegurar a impunidade de outro crime, além da causa de aumento relacionada à idade da vítima.
Também foi apontada a agravante prevista para crimes cometidos contra ascendente, já que a vítima era pai do investigado.
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Corpo de Alair ainda não foi localizado
Mesmo com a conclusão do inquérito, o paradeiro do corpo de Alair continua sem resposta.
A Polícia Civil informou que as buscas permanecem e que novas diligências podem ser realizadas para localizar o cadáver e esclarecer completamente as circunstâncias do crime.
O inquérito foi encaminhado ao Ministério Público, que deverá analisar os elementos reunidos pela Polícia Civil e decidir, dentro do prazo legal, sobre o eventual oferecimento da denúncia.
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