Governo prepara fim das bets e decisão pode mexer com R$ 1 bilhão no futebol; entenda
Proposta do governo pode atingir 13 dos 20 clubes da Série A, que têm contratos com empresas de apostas
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) indicou que quer acabar com as bets e os cassinos on-line no Brasil. Para isso, o governo prepara uma medida provisória (MP), que pode suspender o funcionamento das plataformas de apostas no país e atingir diretamente o futebol brasileiro, que recebe mais de R$ 1 bilhão em patrocínios de empresas do setor.
As informações sobre a preparação da MP foram divulgadas pela CNN, que apurou que equipes do governo trabalham na elaboração do texto. A preocupação é garantir que a medida tenha respaldo nas leis brasileiras e não seja derrubada pela Justiça depois de publicada. As empresas de apostas já indicaram que podem recorrer à Justiça caso o governo proíba a atividade.
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Lula quer proibir bets e “jogo do tigrinho”
Segundo a CNN, o governo analisa duas possibilidades. A primeira é proibir todas as apostas, incluindo os jogos de cassino on-line e as apostas em resultados de eventos esportivos. A segunda seria uma proibição parcial, com o fim dos cassinos on-line e novas regras para impedir ou limitar a publicidade das bets.
Lula indicou preferência pela primeira opção, que atingiria tanto as plataformas conhecidas pelas apostas esportivas quanto os sites de jogos on-line, como o chamado “jogo do tigrinho”.
O texto está sendo preparado por equipes da Casa Civil, do Ministério da Fazenda e do Ministério do Planejamento e Orçamento.
O que é uma medida provisória?
A medida provisória é uma decisão tomada pelo presidente que passa a valer imediatamente após ser publicada. Ela, porém, precisa ser analisada e aprovada pelo Congresso Nacional para continuar valendo. Caso os deputados e senadores não aprovem a medida dentro do prazo previsto, ela perde a validade.
Por isso, o governo trabalha para definir exatamente como a proibição seria aplicada antes de publicar a MP.
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Governo estuda cobrar prejuízos de apostadores
Além de discutir o fim das plataformas, o governo também avalia maneiras de fazer com que as empresas do setor possam pagar prejuízos de pessoas que se endividaram com apostas. A ideia ainda está em estudo e depende da forma como a medida será construída.
Na quarta-feira (23), durante um evento com artistas na Fundição Progresso, na Lapa, região central do Rio de Janeiro, Lula voltou a defender o fim das bets.
O presidente afirmou que terá “imenso prazer” em acabar com as plataformas caso seja reeleito.
“Eu terei o imenso prazer de acabar com as bets, eu terei o imenso prazer em regular plataformas como nós fizemos com o ECA Digital”, afirmou Lula.
Por que os clubes estão preocupados?
A possível proibição das bets preocupa o futebol porque as empresas se tornaram uma das principais fontes de dinheiro para os clubes por meio de patrocínios. Atualmente, 13 dos 20 clubes da Série A têm empresas de apostas como patrocinadoras.
Segundo levantamentos em portais de transparência dos times, os contratos com bets renderam cerca de R$ 1,03 bilhão aos clubes da elite do futebol brasileiro em 2025. O valor representou aproximadamente um terço de todo o dinheiro recebido pelos 20 clubes da Série A em patrocínios naquele ano.
Lula critica presença das bets no futebol
Durante o evento na capital carioca, Lula também falou sobre a relação entre as empresas de apostas e os clubes.
O presidente afirmou ter tomado conhecimento de que equipes prepararam um documento contra o fim das bets. Segundo Lula, um dos argumentos apresentados seria o de que a medida poderia “acabar” com o futebol.
Lula questionou a dependência dos clubes em relação ao dinheiro das empresas de apostas e citou equipes tradicionais que conquistaram títulos antes da popularização desse mercado.
O que pode acontecer com os clubes?
Se o governo realmente proibir as bets, os clubes poderão perder uma importante fonte de receita com publicidade e patrocínios. A dimensão do impacto, porém, dependerá do texto final da medida e de como ela será aplicada.
Também será necessário acompanhar a reação das empresas e possíveis ações na Justiça, além da análise da proposta pelo Congresso Nacional. Por enquanto, o governo ainda não publicou a medida provisória. O texto continua sendo preparado pelas equipes técnicas e pode sofrer mudanças antes de ser apresentado.
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