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Em carta, Flávio Bolsonaro diz ser “verdadeiro presidente eleito” e que liderará oposição no exterior

Derrotado por Lula, senador descumpriu ordem de retenção de passaporte do STF e viajou em jatinho particular com a família para os EUA

, em Uberlândia

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Após deixar o Brasil em um jatinho particular e desembarcar na Flórida nesta quarta-feira (28), o senador Flávio Bolsonaro (PL) divulgou uma carta aberta dirigida “ao povo brasileiro e à comunidade internacional”.

No documento, o parlamentar, que foi derrotado no segundo turno das Eleições 2026 pelo presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT), alega ter sido vítima de uma “fraude eleitoral”, se autodeclara o “verdadeiro presidente eleito” e afirma que liderará a oposição brasileira a partir do exterior.

Flavio Bolsonaro chegando aos EUA
Flávio Bolsonaro escreve carta ao povo brasileiro, após fuga para os EUA – Crédito: Reprodução

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Carta aberta: alegação de exílio, críticas ao STF e apoio de Trump e Milei

Na carta, Flávio Bolsonaro resgata a questão da prorrogação do horário final das eleições 2026, destaca abuso de poder por parte da chapa Lula-Alckmin e alega que não fugiu do país, mas que decidiu sair do Brasil por uma “perseguição política” que já teria começado com seu pai, Jair Bolsonaro.

“Não fugi do Brasil, eu saí pelo Brasil, saí de um regime de exceção para poder ser o líder que o meu povo merece, pois calado, preso e censurado, como meu pai está, eu não poderia ser essa liderança”, escreveu o senador.

O Parlamentar ainda comparou sua situação à de figuras históricas que atuaram no exílio, como Rui Barbosa, Charles de Gaulle e os opositores venezuelanos Juan Guaidó e Edmundo González. “Não sou o primeiro a ter que lutar pelo próprio país longe dele. […] Este é apenas o começo da nossa luta pela democracia“, escreveu.

Ele agradeceu o acolhimento do ex-presidente americano Donald Trump e do presidente argentino Javier Milei, além de criticar as decisões do STF e a atuação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) no pleito do último domingo (25).

Ele também fez um apelo para que as instituições brasileiras reestabeleçam o “equilíbrio entre os poderes” e que a comunidade internacional não “normalize” o cenário político brasileiro e prometeu manter transmissões regulares aos seus apoiadores nos próximos dias.

Leia a carta na íntegra ao final da reportagem ⬇️

A rota de saída do Brasil até os Estados Unidos

A saída de Flávio do país ocorreu em meio a determinações do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que havia ordenado a apreensão dos passaportes do senador e proibido sua saída do território nacional.

Para realizar a viagem, a Família Bolsonaro fez o cruzamento terrestre de fronteira até a Argentina e o uso de uma aeronave executiva para chegar aos EUA.

De acordo com informações da Direção Nacional de Migrações da Argentina e dados da plataforma de rastreamento de voos FlightAware, o percurso seguiu o seguinte cronograma:

  • Terça-feira (27/10) – 22h50: Flávio, a esposa Fernanda e as duas filhas cruzaram a fronteira do Brasil com a Argentina de carro;
  • Terça-feira (27/10) – 23h30: A família embarcou em um voo particular em solo argentino com destino ao Equador;
  • Quarta-feira (28/10) – 05h46: A aeronave realizou uma escala técnica no aeroporto de Guayaquil, no Equador;
  • Quarta-feira (28/10) – 06h22: O avião decolou do Equador em direção aos Estados Unidos;
  • Quarta-feira (28/10) – 10h24: Pouso confirmado no aeroporto executivo Opa-locka, em Miami, na Flórida.

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Prazos descumpridos e pedidos de prisão

A movimentação de Flávio ocorreu poucas horas após ser intimado pela Polícia Federal para entregar seus passaportes no prazo de 24 horas — determinação expedida por Moraes logo após a confirmação matemática do resultado das urnas no domingo (25).

Como o senador não entregou os documentos e deixou o país antes da expiração do prazo, a Polícia Federal cancelou os passaportes oficiais e abriu apuração sobre a saída. Em reação à viagem, o Partido dos Trabalhadores (PT) acionou o STF solicitando a prisão preventiva do senador e a inclusão de seu nome na Difusão Vermelha da Interpol.

Carta de Flávio Bolsonaro, na íntegra

Dirijo-me ao povo brasileiro e à comunidade internacional como o verdadeiro presidente eleito do Brasil.

Antes de mais nada, queria agradecer ao Presidente Milei, pela coragem, senso de justiça e legalidade, ao Presidente Trump e ao maravilhoso povo americano por me acolher. Essa é uma terra de liberdades e irmãos que comungam dos mesmos valores das boas pessoas do meu país. O Presidente Trump é um grande defensor da liberdade de expressão.

Na noite de domingo, vi estarrecido uma fraude eleitoral se concretizar diante dos meus olhos. A atuação ilegítima e ilegal do ex-advogado do Lula permitiu que uma impossibilidade matemática se concretizasse e Lula acrescentasse mais de 10 milhões de votos do primeiro para o segundo turno.

Uma decisão do STF, tomada por cima da competência do TSE, estendeu a votação no apagar das luzes, e a ordem só chegou depois do fim do horário legal, quando as urnas já estavam encerradas. Eleitores ficaram submetidos a regras diferentes. Até agora, o TSE se limitou a defender a prorrogação do horário e não há sequer uma única resposta crível. E as nulidades não são o único problema. Ao longo de toda a campanha, houve abuso de poder político, econômico e uso da máquina pública em favor da reeleição. São fatos graves, expressamente vedados por lei, que justificam a cassação da chapa Lula-Alckmin.

A resposta do regime ao meu questionamento veio rápida. Como num plano previamente elaborado, sete minutos após essa repugnante fraude eleitoral, o juiz, implicado em um imenso escândalo de corrupção, diretamente citado no inquérito que usou para tentar sequestrar meus passaportes, e que muito provavelmente estaria preso, se eles não tivessem impedido a minha posse, pôs em andamento a máquina de perseguição política do regime. Sendo impedido de origem e completamente suspeito para iniciar qualquer procedimento judicial contra mim, a sua mera participação em atos processuais mostra o tamanho da arbitrariedade e ilegalidade em andamento.

Não era minha intenção deixar minha pátria, mas eu sei exatamente onde isso vai dar. Isso é o manual clássico de qualquer golpe de Estado. A perseguição política que começou com meu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, e se espalhou para milhares de outros brasileiros patriotas comuns e até mesmo cidadãos americanos, tem um único objetivo: silenciar qualquer pessoa que não concorde com o regime de exceção instaurado no Brasil, através de uma Suprema Corte aparelhada pela organização criminosa petista.

Para deixar claro, não existe nenhum mandado de prisão contra mim, porque eu não cometi nenhum crime. O que existe é uma caça às bruxas politicamente motivada, que visava me colocar como refém e objeto de chantagem para proteger os juízes corruptos da Suprema Corte do impeachment. Eis o roteiro da perseguição: apreensão de passaporte, tornozeleira eletrônica, censura, prisão domiciliar, julgamento de fachada e, finalmente, condenação política.

Não vou submeter minha família a isso e meu país não merece passar novamente por este vexame internacional. Diante da instrumentalização política da Justiça no Brasil, trouxe minha família para os Estados Unidos, onde estamos em segurança. Agradeço, mais uma vez, ao Presidente Trump e ao governo americano por nos acolherem e nos darem a segurança jurídica que não temos mais no Brasil.

Quero deixar claro: não fugi do Brasil, eu saí pelo Brasil, saí de um regime de exceção para poder ser o líder que o meu povo merece, pois calado, preso e censurado, como meu pai está, eu não poderia ser essa liderança e seríamos entregues ao teatro institucional de uma oposição castrada e controlada pela Suprema Corte repleta de serviçais do regime.

Não sou o primeiro a ter que lutar pelo próprio país longe dele. Rui Barbosa foi para o exílio por enfrentar o arbítrio de Floriano Peixoto e de lá seguiu defendendo a lei e a liberdade. Charles de Gaulle liderou a França Livre a partir de Londres, condenado à morte pelo regime de Vichy, e voltou para libertar o seu país. José Martí organizou a luta pela independência de Cuba a partir de Nova York.

Na Venezuela, Juan Guaidó e Edmundo González tiveram que deixar o país por enfrentar a ditadura chavista, e María Corina Machado, mesmo perseguida, se recusou a legitimar a fraude e se tornou um símbolo mundial da resistência democrática. Todos eles foram tratados como criminosos pelos regimes que enfrentavam. A história os chamou de outra coisa.

Este é apenas o começo da nossa luta pela democracia, pelos direitos humanos e pela liberdade no Brasil. Quero dizer, não só para os meus 60 milhões de eleitores, mas para o povo brasileiro, que eu sou o presidente eleito e os criminosos que roubaram a eleição do Brasil são parte de uma organização criminosa que implementou uma tirania. Vocês que almejavam a mudança, e eu não vou abandoná-los, eu serei a voz e a liderança livre da nossa nação.

Às instituições brasileiras, faço um apelo: essa sandice precisa acabar. O Brasil vive hoje um caos jurídico, de corrupção e de perseguição política, em que a oposição tem medo de falar e a família de um ex-presidente é tratada como inimiga do Estado. Nenhuma nação consegue viver em paz ou prosperar assim. Ainda há tempo de restabelecer o equilíbrio entre os Poderes e devolver aos brasileiros a confiança que perderam.

À comunidade internacional, peço: não normalizem o que está acontecendo no Brasil. O que acontece hoje no meu país não é normal e não pode ser tratado como normal.

Aos senadores, deputados e governadores que ajudei a eleger, e em especial ao meu candidato à presidência do Senado, Rogério Marinho: sei que hoje vocês não têm a liberdade necessária para o pleno exercício da atividade política. Por isso, liderarei a oposição daqui. Direi o que vocês, aí, não podem dizer, e assumirei os riscos que vocês não podem correr.

E a você, que votou em mim e sonha com a mudança: não estamos derrotados e não estamos sozinhos. Este é apenas o começo da nossa luta pela democracia, pelos direitos humanos e pela liberdade no Brasil. Nos próximos dias, vou me dirigir regularmente ao povo brasileiro, e apresentaremos uma estratégia para mobilizar a oposição e o imenso apoio popular que temos, por todos os meios pacíficos e legítimos, para impedir que Lula consolide um regime ditatorial no Brasil. Peço a cada um que permaneça firme e jamais desista.

Saí do Brasil, mas não abandonei os brasileiros. Esta luta não terminou no dia 25 de outubro. Ela só termina quando o Brasil voltar a ser um país livre. E esse dia vai chegar.

Que Deus abençoe o Brasil.

Flávio Bolsonaro

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