Após denúncias, governo de Minas exonera secretário da Educação

Rossieli Soares deixa comando da pasta após pressão envolvendo contratos do programa Aprender Já; Sind-UTE cobra investigação e critica gestão de Zema e Mateus Simões

, em Uberlândia

O Governo de Minas Gerais anunciou a exoneração do secretário de Estado de Educação, Rossieli Soares. A saída ocorre em meio a denúncias envolvendo a compra de livros didáticos para o programa Aprender Já e críticas sobre a transferência da gestão de 95 escolas públicas ao banco BTG Pactual.

Governo de MG exonera secretário da Educação, Rossieli Soares – Crédito: Imprensa MG

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Para o lugar de Rossieli, o governo estadual confirmou o nome de Gustavo Braga, servidor de carreira do Estado desde 2013.

Formado em Administração Pública pela Fundação João Pinheiro e mestre em Liderança e Gestão Pública pelo Centro de Liderança Pública, Braga já ocupou cargos estratégicos dentro da própria Secretaria de Educação, como chefe de gabinete e chefe da Assessoria Estratégica. Mais recentemente, atuava como chefe de gabinete da Secretaria de Estado de Governo.

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Em nota, o governo informou que detalhes sobre a posse do novo secretário serão divulgados posteriormente.

A exoneração foi comentada pelo Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais (Sind-UTE/MG). A coordenadora-geral da entidade, Denise de Paula Romano, afirmou que a saída de Rossieli ocorre após uma série de denúncias relacionadas à compra de livros didáticos do programa Aprender Já.

Segundo o sindicato, a aquisição dos materiais, estimada em R$ 348,4 milhões, teria sido feita sem licitação junto a uma empresa que já havia negociado com Rossieli quando ele ocupava a Secretaria de Educação do Pará. O caso também foi alvo de denúncias apresentadas pela presidente da Comissão de Educação da Assembleia Legislativa de Minas Gerais, deputada Beatriz Cerqueira, além de reportagens publicadas pelo site The Intercept.

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Denise Romano afirmou que a demissão do secretário não encerra as discussões sobre os contratos firmados pela gestão estadual. Segundo ela, as denúncias precisam ser investigadas por envolverem recursos públicos e suposta falta de transparência.

A dirigente sindical também criticou a política educacional adotada pelos governos de Romeu Zema e Mateus Simões. De acordo com o Sind-UTE/MG, a gestão de Rossieli aprofundou a transferência de serviços da educação pública para a iniciativa privada, citando como exemplo o processo envolvendo 95 escolas estaduais vinculadas ao BTG Pactual.

Ainda segundo a entidade, a medida pode impactar trabalhadores da rede estadual e a gestão das unidades escolares.

Secretário da Fazenda também havia sido exonerado

Esta é a segunda mudança no primeiro escalão do estado desde que Mateus Simões assumiu o cargo de governador. Ainda em abril, o governador Mateus Simões anunciou a saída de Luiz Claudio Gomes do cargo de secretário da Fazenda de Minas Gerais, após polêmica com demissões de membros da corregedoria da Secretaria de Estado da Fazenda de Minas Gerais. Luciana Mundim foi o nome escolhido para assumir a pasta, sendo a primeira mulher na história do cargo.

O então secretário havia demitido o corregedor José Henrique Righi Rodrigues e sua equipe, mas revogou decisão no dia seguinte, após voltar atrás.

Após o caso, a Associação dos Funcionários Fiscais do Estado de Minas Gerais (Affemg) e o Sindicato dos Auditores Fiscais da Receita Estadual de Minas Gerais (Sindifisco-MG) manifestaram nas redes sociais “preocupação diante dos graves atos praticados pelo Secretário de Estado de Fazenda, Luiz Cláudio Lourenço Gomes”.