Mãe grava maus-tratos contra filho de 5 anos em escola de Uberlândia

Família afirma que criança teria sido alvo de punições, humilhações e contenção dentro de sala de aula em unidade municipal no bairro Mansour

, em Uberlândia

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Uma família denunciou supostos maus-tratos contra filho de 5 anos na EMEI Professora Veridiana Rodrigues Carneiro, no bairro Mansour, em Uberlândia. Segundo a mãe do menino, que é autista, a situação teria ocorrido durante trocas de profissionais na unidade escolar e motivou registro de boletim de ocorrência, além de denúncias encaminhadas à Prefeitura de Uberlândia.

De acordo com a mãe da criança, Andréa Soares, os primeiros sinais de que algo estava errado começaram após mudanças na equipe responsável pelo atendimento do filho. Ela afirma que percebeu comportamentos diferentes por parte das profissionais da escola e tentou resolver a situação diretamente com a unidade.

“Meu filho estava sendo recebido com cara feia pelas profissionais. Eu me atentei a essa situação, fui na escola, registrei atas tentando resolver o que estava acontecendo. Tentei tratar da melhor forma possível”, relatou à TV Paranaíba.

Família denunciou supostos maus-tratos contra criança de 5 anos em escola municipal de Uberlândia após gravações feitas dentro da unidade de ensino – Crédito: TV Paranaíba

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Ainda segundo Andréa, a escola informava constantemente que a criança apresentava “mau comportamento”. No entanto, a família afirma que, paralelamente, a psicóloga responsável pelo acompanhamento do menino relatava evolução no quadro comportamental.

A mãe contou que chegou a solicitar uma nova avaliação psicológica para apresentar à escola e tentar alinhar estratégias de acolhimento. A profissional teria se colocado à disposição para ir até a unidade escolar conversar com os servidores.

A desconfiança da família aumentou após conversas com outra mãe de aluno, que teria relatado situações envolvendo supostas restrições impostas à criança dentro da escola. “Ela comentou que já tinha visto algumas condutas de profissionais da escola e que meu filho estava sendo privado de algumas atividades”, afirmou.

Diante das suspeitas, os pais decidiram colocar um gravador na mochila da criança. Segundo Andréa, os áudios captados revelariam falas e comportamentos considerados abusivos por parte de profissionais da unidade.

Emocionada, ela relatou que ouviu comentários sobre a possibilidade de prender a criança à mesa e punições relacionadas ao impedimento de participar de atividades recreativas. “As profissionais falavam com nojo dele. A professora dava ideia para prender ele na mesa. Ele era punido e não podia sair para brincar com as outras crianças por causa do comportamento”, disse.

A mãe também afirma que, em um dos episódios registrados, uma professora teria incentivado outra criança a agredir o menino após uma confusão entre os alunos.

“Ela falou: ‘morde mesmo ele, morde até arrancar um pedaço’”, relatou.

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Segundo a família, o menino realiza terapias e recebe acompanhamento especializado. Andréa afirmou que ela e o marido sempre se colocaram à disposição da escola para buscar a criança caso houvesse qualquer dificuldade comportamental.

“Eu renuncio muita coisa depois da chegada do meu filho. Nós somos uma família acolhedora e estamos atrás do progresso do nosso filho. Isso revolta porque parece que estamos nadando contra a maré”, declarou.

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Após ouvir os áudios, os pais decidiram retirar imediatamente o filho da unidade escolar. O caso foi levado à Polícia Militar para registro de ocorrência e também denunciado à Prefeitura de Uberlândia. A família informou que pretende dar continuidade ao caso na esfera judicial. “O objetivo é dar voz às crianças não verbais. Elas merecem respeito, cuidado, carinho e amor. Que isso sirva de alerta para pais, mães, escolas e toda a sociedade”, afirmou a mãe.

Prefeitura apura maus-tratos contra filho

Em nota, a Secretaria Municipal de Educação informou que realizou o acolhimento da família e iniciou procedimentos para apuração do caso. Segundo a pasta, serão realizadas oitivas na escola e coleta de informações para encaminhamento aos órgãos competentes.

A secretaria informou ainda que a criança já está matriculada em outra unidade da rede municipal, garantindo a continuidade dos estudos.

A Prefeitura destacou também que mantém o Setor de Educação Especial e que reforçará os protocolos de atendimento nas escolas municipais, além de investigar possíveis denúncias semelhantes em toda a rede.