Novas regras da CNH já provocaram 100 mil demissões e viram caso no STF

Federação das autoescolas afirma que mudanças na habilitação eliminaram cerca de 100 mil empregos e contesta no Supremo pontos que, segundo a entidade, podem facilitar fraudes

, em Uberlândia

Google News

As mudanças nas regras para tirar a Carteira Nacional de Habilitação (CNH), em vigor desde maio de 2026, já provocaram cerca de 100 mil demissões no setor de formação de condutores, segundo a Federação Nacional das Autoescolas e Centros de Formação de Condutores (Feneauto). As alterações também são questionadas no Supremo Tribunal Federal (STF), onde entidades apontam possíveis inconstitucionalidades e riscos de fraudes.

Entre as principais mudanças estão a digitalização do curso teórico, a redução das 20 aulas práticas obrigatórias para duas e a autorização para que instrutores autônomos ministrem aulas sem vínculo com autoescolas.

📲 Siga o canal de notícias do Paranaíba Mais no WhatsApp

CNH para bons condutores
Entre as principais mudanças das novas regras da CNH estão a digitalização do curso teórico – Crédito: Detran/Divulgação

Feneauto estima 100 mil demissões

Em entrevista à revista Exame, o presidente da Feneauto, Ygor Valença, afirmou que cerca de 60 mil diretores gerais e diretores de ensino perderam o emprego após a entrada em vigor das novas regras.

Segundo ele, entre 35 mil e 40 mil professores teóricos também foram demitidos.

A entidade afirma que o impacto foi maior nas pequenas autoescolas. Em estabelecimentos com apenas um carro e uma motocicleta, as demissões chegaram a 80% do quadro de funcionários.

O que mudou para tirar a CNH?

As novas regras foram definidas pelo governo federal no fim de 2025 e passaram a valer em maio de 2026. Segundo o governo, o objetivo é reduzir o custo da habilitação e aumentar o acesso da população ao documento.

As principais mudanças incluem:

  • curso teórico totalmente on-line, realizado pelo aplicativo CNH do Brasil;
  • redução das 20 aulas práticas obrigatórias para duas;
  • autorização para instrutores autônomos ministrarem aulas sem vínculo com Centros de Formação de Condutores (CFCs);
  • processo simplificado para credenciamento de novos instrutores, também pelo aplicativo.

De acordo com o governo, o novo modelo busca tornar o processo da CNH mais simples, rápido e acessível.

Entidade aponta risco de fraudes

Embora apoie a redução das aulas práticas obrigatórias, a Feneauto afirma que o principal problema está na autorização para atuação de instrutores autônomos.

Segundo Valença, as autoescolas registram as aulas em sistemas dos Departamentos Estaduais de Trânsito (Detrans), integrados aos órgãos estaduais e submetidos aos mecanismos tradicionais de fiscalização.

Já os instrutores autônomos utilizam o sistema da Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran), por meio do aplicativo CNH do Brasil.

Na avaliação da entidade, a existência de plataformas diferentes dificulta a fiscalização e pode favorecer irregularidades, como o registro de aulas com duração inferior aos 50 minutos exigidos.

LEIA MAIS!

Ação no STF questiona parte das mudanças

As novas regras também são alvo da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 7.978, apresentada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) com apoio de sindicatos estaduais de autoescolas.

A ação questiona:

  • a autorização para instrutores autônomos;
  • o modelo de fiscalização adotado;
  • dispositivos que, segundo as entidades, comprometem a segurança da formação de novos condutores.

O relator do processo é o ministro André Mendonça.

No fim de junho, Mendonça determinou que a Presidência da República, o Conselho Nacional de Trânsito (Contran) e o Ministério dos Transportes prestassem informações sobre a política antes das manifestações da Advocacia-Geral da União (AGU) e da Procuradoria-Geral da República (PGR).

Entidades não querem derrubar toda a reforma

A Feneauto afirma que não pretende invalidar todas as mudanças nas regras da CNH.

Segundo a entidade, o objetivo é revogar os meios considerados inconstitucionais ou que possam comprometer a fiscalização e a segurança da formação de condutores, preservando medidas como a redução das aulas práticas obrigatórias.

Continue acompanhando o Paranaíba Mais para ficar por dentro das principais mudanças na CNH, das decisões do STF e de outras notícias que impactam milhões de motoristas em todo o Brasil.