MPMG denuncia 31 suspeitos por tráfico e transações de R$ 79 milhões no Triângulo Mineiro
Ao todo, 31 pessoas foram denunciadas por crimes relacionados à organização criminosa, tráfico de drogas e lavagem de dinheiro
O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) apresentou uma denúncia nesta última terça-feira (07) à Justiça de Tupaciguara-MG sobre uma suposta organização criminosa com base no Triângulo Mineiro e envolvimento, segundo as investigações, com o tráfico interestadual de drogas e a lavagem de dinheiro.

A denúncia é embasada a partir das investigações da Operação Mens Occulta, conduzida pela Polícia Federal (PF). Ao todo, 31 pessoas foram denunciadas por crimes relacionados à organização criminosa, tráfico de drogas e lavagem de dinheiro.
De acordo com o MPMG, o grupo teria uma estrutura organizada e permanente, com divisão de tarefas entre integrantes responsáveis pela liderança, logística, transporte de drogas, armazenamento, distribuição e movimentação de recursos financeiros.
Mais de 2,2 toneladas de cocaína
Segundo a denúncia, a organização estaria relacionada a 10 grandes apreensões de drogas realizadas entre 2024 e 2026, que somaram mais de 2,2 toneladas de cocaína interceptadas pelas forças de segurança.
As investigações tiveram como ponto de partida uma apreensão de 312,1 quilos de cocaína, realizada em 5 de setembro de 2024, na MGC-452, na região do Triângulo Mineiro. A droga estava escondida em um compartimento no assoalho de um caminhão.
Entre os episódios citados na denúncia estão apreensões de centenas de quilos de cocaína e pasta base em Minas Gerais, Goiás, São Paulo e Mato Grosso do Sul.
R$ 79 milhões em movimentações
Outro ponto da denúncia é a suposta estrutura financeira utilizada pelo grupo. O MPMG afirma que foram identificadas movimentações financeiras consideradas atípicas superiores a R$ 79 milhões, apontadas em relatórios de inteligência financeira.
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Segundo a acusação, os recursos teriam sido movimentados por meio de empresas de fachada, contas de terceiros, pessoas apontadas como “laranjas”, depósitos fracionados e transferências de bens. A investigação também aponta a existência de patrimônio considerado incompatível com a renda formal de alguns dos denunciados.
Mário Sérgio Nunes é apontado como líder
Na denúncia, o MPMG aponta Mário Sérgio Nunes, conhecido como “Serjão do PCC”, como suposto líder da organização criminosa.

Segundo os investigadores, ele seria responsável pelo comando financeiro e operacional do grupo, incluindo a contratação de carregamentos de drogas, definição de rotas, aquisição e utilização de veículos e coordenação de integrantes responsáveis pelo transporte dos entorpecentes.
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O MPMG também afirma que Nunes teria utilizado patrimônio registrado em nome de terceiros e de familiares para dificultar a identificação da propriedade dos bens.
A denúncia cita, entre outros exemplos, imóveis, veículos de alto padrão e empresas que, segundo a acusação, teriam sido utilizados no esquema de ocultação patrimonial.

Suposta tentativa de blindagem patrimonial
O documento também descreve movimentações realizadas pouco antes da realização da operação.
Segundo o MPMG, Mário Sérgio Nunes teria vendido uma propriedade no Condomínio Praia de Miranda, em maio de 2026, e adotado outras medidas para desvincular formalmente seu nome de determinados bens.
A denúncia afirma ainda que dois veículos BMW teriam sido devolvidos a uma concessionária e posteriormente apreendidos pela PF.
Os investigadores também encontraram, segundo o documento, pesquisas realizadas no celular de Nunes relacionadas à possibilidade de um telefone estar sendo grampeado e a operações policiais em Uberlândia.
Para o MPMG, esses elementos, analisados em conjunto com outras provas, indicariam uma preocupação do investigado com a possibilidade de ser alvo das autoridades.
Família também é citada na denúncia
A esposa, Maria Lourdetis Ferreira Silva Nunes, e as filhas Brenda Silva Nunes e Bruna Silva Nunes são acusadas pelo Ministério Público de participação na movimentação financeira e na ocultação patrimonial.
Segundo a denúncia, contas bancárias e empresas vinculadas aos familiares teriam sido utilizadas para movimentar recursos que, de acordo com a acusação, seriam provenientes do tráfico de drogas.
No caso de Brenda, o documento menciona ainda a apreensão de R$ 19.026 em dinheiro e cinco celulares durante o cumprimento dos mandados em um hotel de Uberaba.
Já em relação a Bruna, o MPMG afirma que foram identificadas movimentações financeiras incompatíveis com a renda formal atribuída a ela.
Investigação começou em 2024
A Operação Mens Occulta teve como base um inquérito da PF iniciado após a apreensão de 312,1 quilos de cocaína na MGC-452. Ao longo da investigação, foram utilizados, segundo o MPMG, relatórios de inteligência, análises financeiras, informações obtidas a partir de dados telemáticos, perícias e diligências de campo.
O MPMG afirma que esse conjunto de elementos permitiu identificar a estrutura e a divisão de tarefas atribuídas aos integrantes da organização.
Denúncia ainda será analisada pela Justiça
A apresentação da denúncia não significa condenação. O documento representa a denúncia formal apresentada pelo Ministério Público com base nos elementos reunidos durante a investigação.
Cabe agora à Justiça analisar a denúncia e dar andamento da ação penal. Os acusados terão direito à defesa do durante o processo.
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