Deputado do PL é liberado após tiro: o que é a imunidade parlamentar?

Deputado do PL liberado após disparo em balada, onde Fred Bruno diz ter sido atingido, reacende o debate sobre imunidade parlamentar. Entenda a regra.

, em Uberlândia

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O deputado do PL Marcelo Aguiar deixou a delegacia na madrugada desta segunda-feira (19), depois de, segundo testemunhas, disparar uma pistola dentro de uma casa noturna na Vila Nova Conceição, zona sul de São Paulo. O apresentador Fred Bruno, que estava no local, confirmou ter sido atingido no pé. A liberação do parlamentar, atribuída à imunidade parlamentar, provoca uma dúvida em quem acompanha o caso: o que essa garantia permite e onde ela termina?

Marcelo Aguiar, deputado do PL, fez disparo de arma de fogo que atingiu Fred Bruno, apresentador de TV
Marcelo Aguiar, deputado do PL, fez disparo de arma de fogo que atingiu Fred Bruno, apresentador de TV – Crédito: Reprodução/Alesp/Redes Sociais

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O que aconteceu com o deputado do PL na casa noturna

Testemunhas relataram que o parlamentar estava visivelmente embriagado, derrubou vinho e abordou uma mulher de forma desrespeitosa. Na sequência, outros clientes foram em sua direção, ele caiu no chão e a arma disparou. Era uma pistola Glock calibre .380.

Fred Bruno afirmou, em vídeo, que não tinha relação com a confusão. Ele contou que ouviu o estampido e sentiu um impacto forte no pé, que começou a latejar e queimar. “Estou bem, porém é um problema muito sério”, disse. A informação sobre o ferimento não foi confirmada oficialmente pela polícia e não consta no boletim de ocorrência.

A Secretaria de Segurança Pública informou que a Polícia Civil investiga um homem de 53 anos por disparo de arma de fogo e que não há registro de feridos. Segundo a pasta, ele teria se desentendido com outras pessoas e o tiro teria sido acidental. O caso foi registrado no 14º Distrito Policial e será conduzido pelo 15º DP.

A autoridade policial optou por não formalizar a prisão em flagrante, levando em conta a imunidade parlamentar e a falta de indícios, naquele momento, de prática de crime inafiançável. A investigação continua em andamento.

A assessoria do parlamentar diz que ele estava sob efeito de medicamentos fortes, que causaram uma reação adversa. Afirma ainda que ele não foi preso, apenas prestou esclarecimentos e foi liberado. 

Há outro ponto em apuração: de acordo com informações da RECORD,  o carro que ele usava, um elétrico avaliado em cerca de R$ 200 mil, exibia placas oficiais da Alesp que pertencem a outro veículo. O automóvel seguia apreendido na manhã de segunda.

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O que é a imunidade parlamentar na prática

A imunidade parlamentar é um conjunto de garantias previstas no artigo 53 da Constituição Federal. Ela existe para proteger a independência do Poder Legislativo, de modo que deputados e senadores trabalhem sem medo de pressões ou represálias de outros poderes. O artigo descreve essas garantias para os membros do Congresso Nacional, e a forma como elas alcançam um deputado estadual, caso de Aguiar, é um ponto que as autoridades ainda precisam esclarecer.

A garantia tem duas faces. A material, também chamada de inviolabilidade, impede que o parlamentar seja responsabilizado civil ou penalmente por suas opiniões, palavras e votos. A formal, ou processual, trata de prisão e processo: desde a diplomação, o parlamentar só pode ser preso em flagrante de crime inafiançável.

Quando um deputado do PL ou de qualquer partido pode ser preso

A exceção é justamente o flagrante de crime inafiançável. Nesse caso, os autos seguem em até 24 horas para a Casa Legislativa, que decide por voto da maioria se a prisão se mantém. No caso do deputado do PL, a autoridade entendeu que não houve, na situação, indício de crime inafiançável. 

Há outro limite: a  imunidade não protege atos alheios ao exercício do mandato, como crimes comuns sem relação com a atividade legislativa. O Supremo Tribunal Federal (STF) também restringiu o foro especial a crimes cometidos durante e em razão do cargo. Os demais seguem para a Justiça comum.

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Como a imunidade parlamentar mudou ao longo dos anos

O Brasil retomou o caminho da democracia plena em 1985, e a Constituição de 1988 consolidou a imunidade em um clima de defesa da autonomia do Legislativo. Naquele modelo, a Casa Legislativa tinha de autorizar o andamento de processos contra seus membros.

O resultado foi pouco efetivo. Entre 1988 e 2001, o STF enviou 254 pedidos de investigação ao Congresso, e apenas um foi aceito. Sob pressão popular e da imprensa, veio a Emenda Constitucional 35, de 2001. Desde então, o STF pode abrir investigações e ações penais sem licença prévia. A Casa ainda pode sustar o andamento da ação, por iniciativa de partido e voto da maioria, em até 45 dias, e a prescrição fica suspensa enquanto durar o mandato.

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