Caso Noah Miguel: família ainda pede justiça 1 ano após a morte

Tragédia que tirou a vida de menino de 8 anos no Residencial Integração completou um ano nesta terça-feira (7); motorista não tinha CNH, omitiu socorro e veículo operava de forma clandestina

, em Uberlândia

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Há exatamente um ano, em 7 de julho de 2025, Noah Miguel, de apenas oito anos, teve a vida interrompida após ser atropelado por uma van escolar, no bairro Residencial Integração, em Uberlândia. Nascido em 18 de maio de 2017, Noah Miguel teria completado 9 anos em 2026.

“Foi um ano muito difícil e pesado, a cada dia buscamos forças para continuar. Praticamente tudo dele ainda está guardado, estou esperando o meu momento para conseguir me desfazer”, desabafou a mãe, Jhamila dos Santos Macedo, em entrevista à TV Paranaíba.

Criança morre atropelada por van
Família de Noah quer justiça – Crédito: Reprodução / Redes sociais

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O dia do acidente de Noah Miguel

Na tarde do dia 7 de julho de 2025, Noah Miguel aproveitava o fim do dia para soltar pipa na porta de casa. “Eu cheguei do serviço e sentei na porta pra ele soltar pipa. Depois que brincou com o irmão, falei pra ele guardar e perguntei se ele ja queria ir embora ou se queria esperar a avó. Ele disse que já queria ir para fazer tranças no cabelo“, contou a mãe.

pais de Noah
Família de Noah Miguel enfrenta dor profunda e pede justiça após a tragédia que tirou a vida do menino em um atropelamento em Uberlândia – Crédito: Jeferson Xavier

A menos de 50 metros de chegar ao portão, Noah foi atingido e atropelado pela van escolar. “Como ele era manhoso, achei que ele tinha tropeçado e caído. Uma vizinha pegou ele no colo, ele ficou com o rosto virado para mim e me olhou pela última vez. Não tem um dia que eu não reviva esse momento. Essa foi a pior coisa que já presenciei“, relembrou.

O menino foi socorrido por moradores e levado para a Unidade de Atendimento Integrado (UAI) do bairro Morumbi, após o motorista da van não prestar socorro. Devido a gravidade dos ferimentos, Noah não resistiu.

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Imprudência, omissão de socorro e clandestinidade

Segundo a investigação, Noah Miguel caminhava pela calçada com a mãe e o irmão mais novo quando atravessou a rua. Ao tentar retornar, foi atropelado pela van escolar, conduzida por um homem de 29 anos.

O motorista fugiu sem prestar socorro e abandonou o veículo em um galpão da empresa Transporte Escolar Tia Fernanda. As investigações mostraram que ele não possuía carteira de habilitação e que a van não tinha autorização para transporte de estudantes, estando em situação irregular junto à Secretaria Municipal de Trânsito e Transportes (Settran).

local onde aconteceu o acidente e onde a familia de Noah deu entrevista
O acidente aconteceu na Rua União, no bairro Residencial Integração, em Uberlândia – Crédito: Deborah Peres

“Quebrou meu neto inteiro. Queria saber se eles estão conseguindo dormir, porque eu não estou conseguindo”, desabafou a avó do menino, Maria Tereza. “Eu dirijo e sei que acidentes acontecem, mas prestar socorro é uma obrigação. Foi muita irresponsabilidade“, concluiu.

Uma moradora da região, que preferiu não se identificar à reportagem da TV Paranaíba, relatou que o veículo continua circulando pelo bairro. “A van continua rodando normalmente. Já vi ela descendo e levando crianças até a sala de uma EMEI. Mas anda de vidros fechados, de óculos escuros e baixa a cabeça quando passa por nós. Ela sabe o que fez. Como os pais ainda deixam uma pessoa dessa levar os filhos?”, questionou.

Próximos passos e a busca por justiça

O inquérito da Polícia Civil foi concluído em agosto de 2025 e indiciou o motorista por homicídio culposo e pelo crime de fuga do local do acidente. A família agora espera pelo dia 5 de outubro, data em que está marcada uma audiência na Justiça. Nesse dia, serão ouvidas as testemunhas do caso e definidos os próximos passos da ação judicial.

Apesar da dor revivida a cada intimação e trâmite processual, o pai de Noah, Obede Santos Macedo, ressalta que o sentimento não é de vingança, mas de justiça. “A cada audiência é aquele choque de realidade. Sei que nada traz de volta a vida do meu filho, mas quero que a justiça seja feita e que arquem com o que fizeram“, concluiu.