Caso Euclides: mensagens mostram bastidores de sequestro e morte

Conversas e imagens obtidas com exclusividade pelo Balanço Geral, mostram monitoramento da vítima e troca de veículos; Polícia Civil atribui participação no crime a seis investigados

, em Uberlândia

Google News

Conversas, vídeos e registros de localização analisados no Caso Euclides mostram elementos que, segundo a Polícia Civil (PC), ajudam a reconstruir o planejamento do sequestro e da morte de Euclides de Oliveira, de 62 anos, em Uberlândia. O material, obtido com exclusividade pelo Balanço Geral, inclui mensagens trocadas na véspera do crime, registros de monitoramento da vítima e uma troca de veículos que teria sido usada para dificultar a identificação dos envolvidos.

Euclides foi sequestrado na porta de casa, no bairro Tibery, em 8 de junho. Oito dias depois, a polícia encontrou o corpo dentro da carcaça de uma geladeira, no bairro Nossa Senhora das Graças. Segundo a investigação, o grupo teria levado a vítima para um galpão no Jardim Europa, onde ela teria sido torturada e morta.

Arquivos recuperados de contas e dispositivos analisados pela polícia ajudaram os investigadores a reconstruir a atuação atribuída a cada suspeito. Entre os registros estão mensagens de Railson Cauã Costa Lima, de 21 anos, apontado pela Polícia Civil como um dos articuladores do crime.

"Caso Euclides" segue sendo investigado
“Caso Euclides” segue sendo investigado – Crédito: Reprodução

📲 Siga o canal de notícias do Paranaíba Mais no WhatsApp

Caso Euclides: mensagens começaram na véspera do sequestro

Às 23h33 de 7 de junho, Railson enviou uma mensagem a Bruno Araújo Pereira: “Vai lá amanhã?”. Sem resposta imediata, voltou a procurá-lo, pediu o telefone dele e cobrou que estivesse pronto no horário combinado.

Depois de uma ligação, os dois retomaram a conversa por mensagens. Bruno perguntou se eles se encontrariam em algum ponto ou diretamente no local. Na sequência, Railson pediu que a conversa continuasse pelo WhatsApp.

Para a PC, os diálogos fazem parte dos elementos que indicam o planejamento da ação. A investigação também encontrou vídeos de Euclides em uma praça próxima à casa onde morava, no Tibery, além de imagens da entrada da residência. Segundo os investigadores, os registros indicam que a rotina da vítima era acompanhada antes do sequestro.

Troca de veículos entrou na mira da investigação

Uma Fiorino registrada em nome de Bruno tornou-se uma das principais pistas analisadas pela Polícia Civil. Segundo a investigação, os suspeitos teriam combinado previamente uma troca de veículos registrada por câmeras de monitoramento.

Depois das 20h de 8 de junho, quando Euclides já havia sido sequestrado, Bruno e Railson voltaram a conversar. Após uma ligação, Bruno enviou um número de telefone e o identificou como uma chave Pix de Fernando Oliveira Silva. O material também registra contato entre Railson e Fernando na sequência.

A polícia encontrou a Fiorino na casa de Fernando dois dias depois do sequestro. Segundo a investigação, ele teria monitorado a movimentação nas proximidades do local onde Euclides estava e ajudado a esconder o veículo durante a fuga de outro envolvido.

Em audiência de custódia, Fernando negou participação no sequestro e afirmou que guardou o veículo a pedido de um amigo.

Fotos e vídeos mostram investigados no galpão

Os arquivos analisados pela polícia também mostram a relação entre Railson e Lucas Silva Borges, apontado na investigação como responsável pelo galpão no Jardim Europa. Em uma imagem, os dois aparecem juntos em um elevador. Em outra, Railson usa uma camiseta da empresa de Lucas.

A polícia recuperou ainda uma foto de Railson no galpão e um vídeo de Victor Felipe Almeida Fernandes no mesmo endereço. Conforme o inquérito, Euclides teria sido levado para esse imóvel após o sequestro.

Outro registro analisado pelos investigadores envolve uma corrida por aplicativo solicitada pela conta de Victor. Segundo a Polícia Civil, o deslocamento teria sido utilizado por Bruno para deixar o local depois da troca dos veículos.

Investigação apura compra de materiais e movimentação no Tibery

A investigação também identificou Carlos Eduardo Alves Santos dirigindo um Renault Logan registrado em nome da mãe dele. Conforme o inquérito, Carlos Eduardo comprou areia e brita em uma loja de materiais de construção. A PC investiga a hipótese de que o grupo tenha utilizado os materiais para ocultar o corpo.

O veículo também apareceu nas proximidades da Rua Roma, no Tibery, onde Euclides morava. Segundo a polícia, Carlos Eduardo teria levado ao endereço um homem ainda não identificado. A investigação aponta que esse homem trocou a bateria do Honda Fit utilizado no início do sequestro e retirou o veículo da casa da vítima.

Em outra conversa, Carlos Eduardo enviou a Railson um trecho do Cidade Alerta Minas que mostrava a Fiorino. Na mensagem, escreveu: “Moiô, o carro do cara.” Para os investigadores, a conversa é um dos elementos que indicam que os suspeitos acompanhavam a repercussão do caso e a identificação do veículo. Veja o circuito do sequestro;

Polícia não encontrou elementos que confirmassem suspeita de abuso

A Polícia Civil aponta uma possível vingança como motivação para o crime. Segundo o inquérito, Railson acreditava que Euclides teria cometido violência sexual contra o irmão dele, uma criança.

A investigação, porém, não encontrou elementos que confirmassem a suspeita de abuso. As filhas de Euclides também afirmaram que não havia provas da acusação contra o pai.

Em uma das conversas recuperadas, Railson relatou a uma pessoa apontada na investigação como ligada a uma facção criminosa que um homem teria tentado abusar do irmão. Conforme a Polícia Civil, essa suspeita teria motivado o planejamento do sequestro.

Segundo a investigação, Euclides teria sido torturado para confessar o suposto abuso. A polícia também aponta que a vítima teria sido submetida ao chamado “tribunal do crime”, expressão utilizada para se referir a julgamentos e punições realizados por grupos criminosos à margem do sistema de Justiça.

MAIS! “Nós não acreditamos nisso”, diz filha sobre suspeita de abuso no Caso Euclides

Inquérito aponta participação de seis investigados

Ao concluir o inquérito, a Polícia Civil indiciou Railson Cauã Costa Lima, Bruno Araújo Pereira, Carlos Eduardo Alves Santos, Fernando Oliveira Silva, Lucas Silva Borges e Victor Felipe Almeida Fernandes.

Railson foi preso em 25 de agosto, em Arapiraca, Alagoas, quando chegava a uma academia.

Conforme as informações reunidas pela reportagem da TV Paranaíba, cinco dos seis investigados chegaram a ser presos durante a apuração. Fernando, o primeiro detido no caso, deixou a prisão em 23 de junho, depois que a Justiça considerou insuficientes os elementos disponíveis naquele momento para mantê-lo preso.

Posteriormente, a Polícia Civil encaminhou um novo pedido de prisão contra Fernando.

Para acompanhar os desdobramentos do Caso Euclides e outras notícias de Uberlândia, acesse o Portal Paranaíba Mais.