“Risco iminente”: plantas na Represa de Miranda ameaçam abastecimento de 300 mil pessoas em Uberlândia
MPE e órgãos ambientais monitoram avanço de macrófitas na Represa de Miranda; DMAE classifica situação como alerta para possíveis impactos no abastecimento
O avanço de uma grande quantidade de plantas aquáticas pelo Rio Araguari passou a ser tratado como risco iminente para a captação de água em Uberlândia. O alerta foi feito nesta quarta-feira (2) pelo diretor-geral do Departamento Municipal de Água e Esgoto (DMAE), Sávio Couto de Lacerda, durante reunião com o Ministério Público de Minas Gerais (MPE) e órgãos ambientais para discutir a proliferação de macrófitas na Represa de Miranda, em Indianópolis.
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Neste momento, o órgão afirma que monitora a distância entre a massa de plantas e o ponto de captação e avalia os possíveis impactos operacionais. Entre os riscos estão o bloqueio mecânico das estruturas e alterações de cheiro e sabor da água.
Captação de água é principal preocupação
O principal ponto de preocupação das autoridades é o sistema de Captação Capim Branco, responsável por 30% do abastecimento de água de Uberlândia. Segundo o diretor-geral do Dmae, Sávio Couto de Lacerda, o problema exige monitoramento rigoroso da distância em que se encontram as plantas para avaliar os impactos operacionais.
“A gente classifica como um risco iminente para a Prefeitura de Uberlândia e o Dmae no que diz respeito à captação de água. Existe o risco de desabastecimento. Capim Branco é responsável por 30% do abastecimento de água em Uberlândia, então estamos falando de cerca de 300 mil pessoas que podem ficar com o abastecimento comprometido”, afirmou o diretor-geral.
Entre os problemas técnicos avaliados pelas equipes de engenharia e saneamento estão o bloqueio mecânico das grades de captação pelo acúmulo de biomassa e a alteração drástica nos padrões de gosto e odor da água tratada, o que exigiria custos operacionais elevados de tratamento.
MPE busca solução emergencial
O promotor Breno Lintz afirmou que a investigação sobre a origem e as causas da proliferação está sendo conduzida no âmbito da coordenação do Ministério Público de Minas Gerais. Paralelamente à apuração, a prioridade neste momento é evitar que o fenômeno comprometa a água utilizada pela população de Uberlândia e Indianópolis.
De acordo com o promotor, o material transportado pela correnteza pode representar um problema relevante para o tratamento da água caso alcance as estruturas de captação.
“Estamos buscando uma solução imediata para a questão Uberlândia-Indianópolis, pela captação de água que é feita para servir à população. Esse material que vem sendo trazido pela correnteza pode trazer um problema muito sério no tratamento da água. Vai ser um custo muito grande e há uma preocupação com essa água sendo servida à população”, pontuou o promotor.
Retirada de plantas na Represa de Miranda é parcial
A ocorrência ganhou repercussão depois que imagens feitas na região da balsa, em Indianópolis, mostraram uma extensa área do Rio Araguari coberta por vegetação. O material foi identificado pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Planejamento de Indianópolis como plantas aquáticas do gênero Salvinia.
A vegetação se concentra principalmente na Represa de Miranda, mas o fenômeno também é acompanhado em outros pontos da bacia.
Imagens aéreas feitas pela equipe da TV Paranaíba mostraram que, mesmo após a retirada de parte do material, grandes concentrações continuam espalhadas pelo rio.
Até o momento, aproximadamente quatro caminhões de vegetação foram retirados da região da balsa.
Leia Mais: Vegetação é retirada da balsa, mas drone revela o que ainda ficou na Represa de Miranda
De onde veio a vegetação?
A Engie, responsável pela Usina Hidrelétrica de Miranda, informou que a massa de macrófitas observada no reservatório veio de montante, a partir do reservatório da Usina Hidrelétrica de Nova Ponte.
A Cemig, responsável pela operação da Usina de Nova Ponte, informou que já acompanhava a presença de algas e plantas aquáticas no reservatório.
A companhia também confirmou que houve uma abertura temporária das comportas da usina em 16 de agosto. Segundo a Cemig, a operação ocorreu em razão de uma determinação do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) para redução da geração de usinas hidrelétricas.
Ainda de acordo com a empresa, a abertura teve como finalidade manter o fluxo de água no Rio Araguari durante a interrupção temporária da geração da usina, seguindo os procedimentos operacionais previstos para o reservatório.
A Engie informou que passou a acompanhar a chegada da vegetação à Represa de Miranda e relatou que, conforme as informações recebidas, as plantas começaram a descer pelo Rio Araguari após a abertura do vertedouro de Nova Ponte.
Órgãos monitoram proliferação
A ocorrência mobilizou uma força-tarefa com participação da Prefeitura de Indianópolis, Cemig, Engie, Defesa Civil, Polícia Militar de Meio Ambiente, Ministério Público, órgãos ambientais e Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Araguari (CBH Araguari).
O comitê também acompanha o crescimento de macrófitas nos reservatórios de Nova Ponte e Miranda.
O diretor-geral do DMAE afirmou que a quantidade de vegetação registrada chamou a atenção das equipes técnicas. Especialistas, biólogos e profissionais de diferentes instituições participam do monitoramento.
Uma das hipóteses apontadas para a intensificação da proliferação é a elevação das temperaturas. O fenômeno, porém, ainda é objeto de acompanhamento e investigação pelos órgãos envolvidos.
O que pode acontecer com o abastecimento de Uberlândia?
O cenário ainda não significa que o abastecimento da cidade será interrompido. O DMAE, porém, reconhece que há risco de comprometimento da captação caso a vegetação avance até as estruturas do Sistema Capim Branco.
Por isso, o órgão monitora continuamente o deslocamento das macrófitas e avalia medidas operacionais para reduzir eventuais impactos.
A preocupação é especialmente relevante porque o sistema atende uma parcela significativa da população de Uberlândia. Caso a captação seja afetada, o problema poderá exigir mudanças na operação e aumentar os custos de tratamento e manutenção.
As instituições envolvidas afirmam que trabalham de forma integrada para tentar impedir que a vegetação alcance o ponto de captação.
Continue acompanhando o Paranaíba Mais para saber se novas medidas serão adotadas e como fica o abastecimento em Uberlândia e Indianópolis.