MP investiga possível contaminação por esgoto em lagos e canais do Parque do Sabiá
Inquérito foi instaurado após denúncia apontar indícios de despejo irregular; laudo técnico relata água escura, espuma e odor semelhante a “ovo podre” em pontos do parque
O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) instaurou um inquérito para investigar possíveis danos ambientais em lagos e canais do Parque do Sabiá, em Uberlândia. A apuração busca identificar indícios de contaminação por esgoto em áreas internas do parque, considerado um dos principais espaços públicos da cidade.
O procedimento foi aberto em fevereiro pela 10ª Promotoria de Justiça de Meio Ambiente de Uberlândia. Como parte das ações iniciais, o Ministério Público solicitou vistorias da Polícia Militar de Meio Ambiente e da Prefeitura de Uberlândia para verificar a possível presença de esgoto nos corpos hídricos do parque.

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A investigação é conduzida pela Promotoria chefiada pelo promotor Breno Litnz e não há prazo definido para a conclusão do inquérito.
Um dos principais documentos que embasam a apuração é um laudo técnico assinado pela bióloga Ana Lúcia Bonfim. O relatório foi elaborado após vistoria no local e aponta sinais considerados compatíveis com contaminação por esgoto.
Entre os indícios relatados estão alteração na coloração da água, turbidez elevada, presença de espuma e de uma espécie de “nata” na superfície. O documento também descreve um odor característico de sulfeto de hidrogênio, popularmente associado ao cheiro de ovo podre.
Segundo o laudo, as evidências observadas em campo indicariam possível lançamento irregular de efluentes sanitários nos lagos e canais do parque. A conclusão aponta que a situação pode estar relacionada a uma falha estrutural no sistema ou o despejo clandestino de esgoto no interior da unidade.
O relatório também recomenda que o Ministério Público solicite, com urgência, resultados de análises físico-químicas e bacteriológicas da água coletada no local, incluindo parâmetros como demanda bioquímica de oxigênio (DBO), demanda química de oxigênio (DQO) e presença de coliformes.

Imagens registradas em fevereiro mostram um trecho do parque com acúmulo de lixo e vegetação próximo a uma tubulação. No ponto, um líquido escuro com espuma escorre em direção a um corpo d’água que abastece um dos canais do complexo. A água turva e o mau cheiro chamaram a atenção durante a vistoria.
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A abertura do inquérito ocorreu após representação apresentada pela vereadora Amanda Gondim ao Ministério Público. No documento, ela aponta possível crime ambiental e degradação urbana no interior do parque.
Na representação, a parlamentar afirma que há indícios de despejo direto de esgoto e lixo na área de preservação, além de processos de erosão e possível comprometimento da biodiversidade local. Segundo ela, a instauração do inquérito é um passo para garantir apuração técnica e eventual responsabilização caso as irregularidades sejam confirmadas.
No procedimento, foram citados como representados a Fundação Uberlandense do Turismo, Esporte e Lazer (Futel) e a Prefeitura de Uberlândia.
Dmae identifica e regulariza ligações cruzadas no setor Leste de Uberlândia
O Departamento Municipal de Água e Esgoto (Dmae) informou, nesta terça-feira (17), que identificou e corrigiu ligações irregulares entre redes de esgoto e drenagem pluvial na região Leste de Uberlândia, após inspeções realizadas nos últimos dias.
De acordo com a autarquia, os trabalhos permitiram localizar pontos de obstrução e lançamentos indevidos de efluentes em áreas próximas ao bairro Grand Ville. Parte desse material, segundo o próprio órgão, chegou a atingir a represa artificial do Parque do Sabiá em fevereiro deste ano.

Em nota, o Dmae destacou que “foi possível identificar e regularizar pontos de obstrução de rede e de lançamento indevido de efluentes, em áreas próximas ao bairro Grand Ville, que chegaram a descer para parte da represa do Parque do Sabiá”.
Além da correção das irregularidades, o departamento também realizou a limpeza da represa, a pedido da Fundação Uberlandense do Turismo, Esporte e Lazer (Futel).
O órgão explicou que esse tipo de problema, conhecido como ligação cruzada, ocorre quando há conexão inadequada entre sistemas distintos, como o despejo de esgoto na rede de drenagem pluvial, e pode gerar impactos ambientais e operacionais.
Segundo o Dmae, a identificação dessas irregularidades exige um trabalho técnico complexo, que envolve inspeções em diferentes pontos da rede, já que a origem do problema nem sempre coincide com o local onde os efeitos são percebidos. A autarquia informou ainda que o monitoramento segue de forma contínua em toda a cidade, com apoio de novas tecnologias, como a videoinspeção das redes, o que amplia a capacidade de diagnóstico e correção de falhas.
Por fim, o Dmae ressaltou que as vistorias são realizadas de forma permanente e que a colaboração da população é importante para identificar e corrigir esse tipo de irregularidade.
Posicionamento Futel
Edson Zanatta, diretor da Futel, afirmou que o Parque do Sabiá continua sendo um espaço seguro para os frequentadores. Segundo ele, o problema registrado foi pontual e, assim que a situação foi identificada, o Departamento Municipal de Água e Esgoto (Dmae) foi acionado para realizar os reparos.
“O parque é um lugar com qualidade, conforto e segurança. O que ocorreu foi um caso isolado e, logo depois, acionamos o Dmae, que é uma instituição séria e resolveu a situação. Os frequentadores podem ficar tranquilos e continuar vindo para cá, porque não há nenhum dano”, declarou.