Metade dos moradores de favelas de Uberlândia são jovens adultos

Cidade possui mais de 16 mil jovens adultos morando em favelas e comunidades urbanas; idade mediana da população é de 28 anos

, em Uberlândia

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A idade mediana da população residente em favelas e comunidades urbanas de Uberlândia é de 28 anos, segundo dados do Censo 2022 divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na última semana. O número divide a população em duas partes iguais, ou seja, separa a metade mais jovem da metade mais velha. A idade revela a estrutura etária desses territórios e representa uma grande concentração de jovens adultos nas favelas. A pesquisa também mostra que mais de 55% desse grupo é formado por pessoas pardas, cerca de 25% pessoas brancas e 17% pretas. Entenda qual é o perfil dos moradores dessas regiões.

Imagem mostra bairro Élisson Pietro, conhecido como Glória, considerado pelo IBGE como uma das favelas de Uberlândia
Imagem mostra bairro Élisson Pietro, antigo Glória, considerado pelo IBGE como uma das favelas de Uberlândia – Crédito: Juan Madeira

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População das favelas de Uberlândia

Segundo o IBGE, Uberlândia possui 32.033 moradores espalhados em 24 favelas ou comunidades urbanas. São mais de 5,1 mil habitantes por km² nessas localidades.

A idade mediana de 28 anos entre os moradores mostra que esses territórios têm uma população marcadamente jovem, composta sobretudo por adultos em idade produtiva – faixa etária com maior capacidade de trabalho. No entanto, essas pessoas possuem características sociais e demográficas diferentes do conjunto geral do município.

Segundo o professor de Geografia da Universidade Federal de Uberlândia (UFU) Hélio Carlos Miranda de Oliveira, a idade mediana dos moradores das favelas representa o que é chamado de população economicamente ativa e em idade reprodutiva.

“Para mim, o que chama a atenção a idade mediana de 28 anos é que, muito possivelmente, a gente está falando de um grupo de pessoas que não tiveram condições de ter acesso à habitação por outros meios, que seria a aquisição desse imóvel, seja compra à vista ou financiando […] Elas não tinham condições de comprar esses imóveis para suas moradias, então eles vão fazer ocupações irregulares”, comentou o professor universitário.

O geógrafo explicou que esses espaços urbanos de ocupação existem há cerca de 12 a 14 anos em Uberlândia. Supondo que o grupo de moradores não mudou muito durante esses anos, o professor explica que muitas pessoas deveriam ser mais jovens e morar em locais de aluguel em imóveis de habitação compartilhada, no início da sua vida adulta.

Isso significa que essas pessoas poderiam morar em casas com cerca de 10 pessoas. “Isso não é confortável. Então, elas veem a possibilidade na ocupação de, pelo menos, construir a sua moradia”, disse Hélio Carlos em entrevista ao Paranaíba Mais.

Como funciona a idade mediana?

É a idade que divide a população em duas partes iguais:

  • 50% das pessoas têm menos de 28 anos
  • 50% das pessoas (a outra metade) têm mais de 28 anos

O que isso representa?

  • a idade mediana evita distorções devido a extremos, como é o caso da idade média (na qual apenas um número maior ou menor pode aumentar ou diminuir a média), e retrata melhor a distribuição etária;
  • o dado mostra que há uma concentração de jovens adultos nas favelas em idade produtiva, ou seja, economicamente ativa.

Distribuição por cor ou raça

A população residente das favelas é formada, majoritariamente, por pessoas pardas, brancas e pretas. O percentual de indivíduos amarelos e indígenas é inexpressivo. Confira abaixo a distribuição por cor ou raça:

  • Parda: 56,38%
  • Branca: 17,92%
  • Preta: 17,92%

O que é favela para o IBGE

Para o IBGE, o conceito de favelas e comunidades urbanas são territórios populares originados de iniciativas da própria população para atender suas necessidades de moradia, diante da insuficiência e inadequação das políticas públicas e de investimentos privados dirigidos à garantia do direito à cidade.

O termo foi retomado pelo instituto em 2024, substituindo a denominação “Aglomerados Subnormais”, adotado em seus censos e pesquisas desde 1991. A designação “favela” já era utilizada historicamente pelo órgão desde 1950.

Imagem mostra bairro Élisson Pietro, conhecido como Glória, considerado pelo IBGE como uma das favelas de Uberlândia
Segundo o IBGE, município possui 24 favelas ou comunidades urbanas, dentre elas o Glória – Créditos: Juan Madeira

Quais são as favelas que existem em Uberlândia?

Segundo o IBGE, a cidade possuía as seguintes favelas e comunidades urbanas em 2022:

  1. Bom Jesus
  2. Carlito Cordeiro
  3. Esperança III
  4. Fidel Castro
  5. Glória (atual Élisson Pietro)
  6. Residencial Integração
  7. Irmã Dulce
  8. Lagoinha
  9. Maanaim
  10. Maná
  11. Monte Horebe
  12. Morada Nova
  13. Nova Renovação
  14. Pampulha
  15. Panorama
  16. Parque Maravilha II
  17. Rua Antônio Carlos Martins Ribeiro
  18. Rua Marginal
  19. Rua Nilo
  20. Rua Seis
  21. Santa Clara
  22. Santo Antônio
  23. São Pedro
  24. Zaire Resende 2

Segundo o professor Hélio Carlos, o IBGE denomina como favelas ou comunidades urbanas territórios nos quais predomina a existência de domicílios com diferentes graus de insegurança jurídica na posse. Isto significa que os moradores ocuparam o território e eles mesmos construíram moradias, mas, geralmente, não possuem posse da terra. “Então, você pode ter uma área em que as ruas foram abertas pelas pessoas e as casas foram construídas por elas, isso é o que é autoproduzido”, explicou.

No entanto, o IBGE não considera o bairro todo, mas sim os setores censitários, a menor unidade utilizada pelo instituto para fins de coleta estatística. Ou seja, quando a lista de favelas do instituto cita locais como o Pampulha, Residencial Integração e Lagoinha, a pesquisa não está se referindo a toda a extensão do bairro, mas setores censitários desses territórios que possuem irregularização.

Isso significa que pode ser uma rua ou um pequeno espaço do bairro que possui construções em insegurança jurídica na posse. Vale lembrar que o Censo foi realizado em 2022, data que pode ter sido anterior a mudanças em certos territórios de Uberlândia.

A luta pela regularização

Em entrevista ao Paranaíba Mais, Joana Gama, que mora na ocupação Fidel Castro há nove anos e faz parte da liderança do território, contou sobre as dificuldades que a população vive sem a regularização da região.

“Um dos fatos mais difíceis para a gente enquanto morador de ocupação, e falo isso pelo Fideu, é pela falta de infraestrutura, de uma energia de qualidade, de uma água de qualidade, porque nós gostaríamos de pagar nossa energia, nós gostaríamos de pagar nossa água, nós gostaríamos de pagar o nosso IPTU”, explicou ela.

Joana Gama cita ainda a falta de asfalto no local. Segundo aponta, os moradores sofrem com a poeira no dia a dia, e que se torna lama quando chove. Para a representante da ocupação, há falta de interesse público para que a comunidade seja regularizada.

“Nós queremos pagar pela nossa moradia, nós queremos transporte escolar para nossas crianças, que tem criança que anda mais de 800 metros para ter acesso ao transporte escolar, porque não entra dentro da ocupação. Porque segundo eles [o governo] aqui é irregular. Sabemos que é irregular, mas na Constituição diz que é dever do Estado e do Município arcar com as despesas na educação e na saúde”, comentou Joana Gama.