“Alto risco”: entenda por que Inglaterra x Argentina preocupa o FBI

Confronto entre ingleses e argentinos pela semifinal em Atlanta reúne tensão histórica, memória da Guerra das Malvinas e esquema reforçado de segurança na quarta-feira

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O FBI classificou o duelo entre Inglaterra e Argentina, válido pela semifinal da Copa do Mundo, como a partida de maior risco de todo o torneio disputado nos Estados Unidos. A avaliação surgiu depois de um encontro entre representantes da FIFA, policiais locais e agentes federais realizado às vésperas do jogo, marcado para esta quarta-feira (15) no Mercedes-Benz Stadium, em Atlanta.

Diego Maradona enfileirava ingleses e consagrava "La Mano de Dios" (inglaterra x argentina)
Nas quartas de final da Copa de 1898, Diego Maradona enfileirava ingleses e consagrava “La Mano de Dios” – Crédito: Reprodução/Redes Sociais

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A informação foi divulgada originalmente pelo jornal britânico talkSPORT, que também transmite a partida ao vivo. Segundo o veículo, o apito inicial antecede um cenário de segurança reforçada nunca antes visto nesta edição do Mundial.

Por que Inglaterra e Argentina viraram sinônimo de alto risco

A classificação de maior risco não nasceu de um capítulo isolado. Ela é resultado de décadas de rivalidade que muitas vezes extrapolaram as quatro linhas. Cânticos entoados por torcedores e jogadores argentinos fazendo referência às Ilhas Malvinas voltaram a circular durante esta Copa, reacendendo uma disputa que remonta ao conflito de 1982. Outro ingrediente histórico é o gol de mão marcado por Diego Maradona em 1986, batizado de A Mão de Deus, ainda hoje citado como símbolo da relação conturbada entre as duas seleções.

Imagens de atritos entre torcedores em Miami, registradas após a vitória Inglesa sobre a Noruega nas quartas de final, também pesaram na avaliação das autoridades norte-americanas. O episódio acendeu um alerta e acelerou a definição de protocolos extras para o duelo desta semana.

Esquema de segurança reforçado em Atlanta

Diante do cenário, medidas adicionais foram anunciadas para o dia do jogo entre Inglaterra e Argentina. Os torcedores de cada seleção entrarão no estádio por portões separados, embora não haja segregação de setores durante a partida. A atenção das autoridades estará concentrada nas áreas de circulação comum, onde a mistura entre as torcidas é mais provável.

O Departamento de Polícia de Atlanta confirmou, em comunicado, que ampliou sua postura de segurança pública na cidade para receber o público extra atraído pelo Mundial. A corporação afirmou que pessoal e recursos adicionais já foram mobilizados e continuarão sendo distribuídos estrategicamente nos locais de eventos, nas áreas de entretenimento e em outros pontos de grande circulação, com o objetivo de garantir uma experiência segura para moradores e visitantes.

As seleções de Argentina e Inglaterra chegam praticamente com força total para o duelo desta quarta-feira (15), em Atlanta Estados Unidos), que vai definir o segundo finalista da Copa do Mundo de 2026
As seleções de Argentina e Inglaterra chegam praticamente com força total para o duelo desta quarta-feira (15), que vai definir o segundo finalista da Copa do Mundo de 2026 – Crédito: Reprodução/Redes Socias

Apesar do reforço policial norte-americano, o Reino Unido não enviará agentes adicionais aos Estados Unidos para acompanhar a partida. A FIFA, por sua vez, informou ao jornal americano The Athletic que medidas abrangentes seguem em vigor em todas as fases finais da competição, destacando que não houve incidentes graves até o momento e que espera manter esse espírito de respeito entre as torcidas.

Uma rivalidade que atravessa décadas

O duelo entre Inglaterra e Argentina por uma vaga na decisão carrega um peso que vai muito além do futebol. Os dois países já se enfrentaram cinco vezes em Copas do Mundo, e cada encontro ajudou a moldar essa relação intensa entre nações separadas por milhares de quilômetros e pelo Oceano Atlântico.

O primeiro capítulo aconteceu em 1962, no Chile, quando os ingleses venceram por 3 a 1 ainda na fase de grupos. Quatro anos depois, já em solo inglês, o confronto nas quartas de final ficou marcado pela expulsão do capitão argentino Antonio Rattín, que se recusou a deixar o campo após não compreender a decisão do árbitro alemão por conta da barreira do idioma.

A confusão só terminou com a intervenção da polícia e acabou impulsionando a criação dos cartões amarelo e vermelho, adotados oficialmente na Copa seguinte. Rattín morreu no último sábado (11), aos 89 anos, e foi lembrado pela seleção argentina com uma faixa de luto durante a partida contra a Suíça que garantiu a vaga nas semifinais de 2026.

Guerra das Malvinas e o duelo mais lembrado da história

Entre os dois primeiros encontros em Copas e o episódio mais lembrado da rivalidade, um capítulo bélico separou os dois países. A Guerra das Malvinas, travada entre abril e junho de 1982 pelo controle das ilhas localizadas próximas à costa argentina, resultou em 904 mortos, a maior parte deles argentinos. O arquipélago havia sido tomado pelos britânicos ainda no século 19 e foi reivindicado pela Argentina durante o período ditatorial do país.

Foi justamente na Copa seguinte, em 1986, no México, que Inglaterra e Argentina protagonizaram um dos jogos mais lembrados da história do torneio. Diego Maradona marcou duas vezes na vitória argentina por 2 a 1: primeiro com a mão, sem que a arbitragem percebesse, e depois em uma jogada individual considerada uma das mais bonitas já vistas em Copas do Mundo.

Segundo a agência de notícias AFP, torcedores ingleses chegaram a emboscar argentinos em uma avenida próxima ao estádio após a partida, dando início a uma nova briga que passou a contar também com torcedores mexicanos e deixou dezenas de feridos.

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Os confrontos mais recentes entre as seleções

As seleções voltaram a se cruzar nas oitavas de final da Copa de 1998, na França, em uma disputa marcada pela expulsão do inglês David Beckham após um desentendimento com Diego Simeone. Argentina e Inglaterra empataram por 2 a 2 no tempo normal, e os sul-americanos avançaram nos pênaltis.

Quatro anos depois, na Copa de 2002, o roteiro se inverteu. O próprio Beckham converteu um pênalti que garantiu a vitória inglesa por 1 a 0 na fase de grupos, repetindo o resultado registrado em 1962 e eliminando a Argentina de forma surpreendente. Desde então, os dois países só voltaram a se enfrentar em um amistoso disputado em 2005, vencido pela Inglaterra por 3 a 2, com dois gols de Michael Owen no fim do jogo.

Vale destacar que Lionel Messi nunca disputou uma partida contra a Inglaterra pela seleção argentina, sendo o único craque entre as equipes campeãs mundiais que nunca cruzou o caminho dos ingleses em campo. Ainda assim, cinco titulares argentinos nesta Copa atuam justamente no futebol inglês, casos do goleiro Emiliano Martínez, dos zagueiros Lisandro Martínez e Cuti Romero, e dos meio-campistas Enzo Fernández e Alexis Mac Allister.

Agora, na noite desta quarta-feira, Inglaterra e Argentina voltam a se encontrar em um dos jogos mais aguardados desta edição da Copa do Mundo, com uma vaga na final em disputa e todo o histórico das últimas seis décadas pesando sobre o gramado do Mercedes-Benz Stadium.