Morte de Maradona volta à Justiça após escândalo
Novo julgamento reabre caso após anulação e tenta esclarecer possível negligência na morte de maradona
A morte de Maradona volta ao centro das atenções com o início de um novo julgamento nesta terça-feira (13), nos tribunais da província de Buenos Aires. A retomada do caso, praticamente do zero, ocorre após a anulação do processo anterior, marcada por um escândalo. Sete membros da equipe médica do ex-jogador são acusados de homicídio por negligência.

📲 Siga o canal de notícias do Paranaíba Mais no WhatsApp
A morte de Maradona ocorreu em 25 de novembro de 2020, durante uma internação domiciliar após uma cirurgia no cérebro. Ele sofreu uma insuficiência cardíaca enquanto se recuperava em uma residência na província de Buenos Aires.
As suspeitas de negligência vieram à tona em 2021, após promotores designarem uma junta médica para analisar as circunstâncias da morte de Diego Maradona. O grupo de especialistas concluiu que a equipe responsável pelo atendimento atuou de maneira considerada inadequada, deficiente e imprudente.
Neste novo julgamento, a justiça tenta reorganizar um caso que já havia avançado por meses, mas acabou interrompido por irregularidades envolvendo uma das magistradas. Uma das três juízas do caso, Julieta Makintach foi afastada após suspeitas de quebra de imparcialidade ao permitir a gravação de audiências para um documentário. A revelação levou à anulação completa do julgamento, interrompendo depoimentos e invalidando provas já apresentadas.
A expectativa é que o novo processo consiga responder às principais dúvidas sobre os últimos dias de vida do ex-jogador e, principalmente, definir responsabilidades. Agora, com novos juízes à frente do caso, o Judiciário tenta recuperar a credibilidade.
Sete profissionais de saúde voltam ao banco dos réus, acusados de homicídio com dolo eventual. Eles negam qualquer irregularidade e afirmam que não houve intenção ou negligência capaz de provocar a morte do paciente. Caso sejam condenados, as penas podem variar de oito a 25 anos de prisão.
Estão entre os réus Leopoldo Luque (neurocirurgião), Agustina Cosachov (psiquiatra), Carlos Díaz (psicólogo), Mariano Perroni (supervisor de enfermagem), Ricardo Almirón (enfermeiro), Nancy Forlini (coordenadora médica) e Pedro Di Spagna (médico clínico).
A enfermeira Dahiana Madrid é a oitava acusada, mas, como solicitou julgamento por júri popular, será julgada em um processo separado, ainda sem data definida.
De um lado, a acusação sustenta que houve falhas graves no atendimento, com descumprimento de protocolos médicos durante a internação domiciliar. Do outro, as defesas argumentam que o quadro clínico era delicado e que o desfecho seria inevitável, independentemente das decisões tomadas.
Morte de Maradona entra em nova fase sob pressão
A morte de Maradona será reavaliada com base em um conjunto mais enxuto de testemunhas. Cerca de 100 pessoas devem ser ouvidas, número significativamente menor do que no julgamento anterior. O foco estará nos últimos 14 dias antes da morte, período considerado decisivo para entender se houve negligência.
Entre os depoentes estão familiares próximos, que devem reviver momentos delicados. O impacto emocional é um dos elementos que cercam o caso, que segue mobilizando a opinião pública mesmo anos após o ocorrido.
A expectativa é que o julgamento seja mais ágil desta vez. Advogados acreditam que a redução no número de testemunhas pode acelerar a análise das provas e a formação de um veredito. Ainda assim, a sombra do processo anulado impõe cautela a todos os envolvidos.
Outro ponto que amplia a complexidade é a necessidade de reavaliar estratégias jurídicas. Promotores e defesas terão que reorganizar argumentos, mesmo após já terem apresentado parte das evidências anteriormente. Isso inclui materiais como gravações, laudos e registros médicos.
O novo julgamento também será acompanhado de perto por sua repercussão institucional. Há uma percepção de que o resultado poderá impactar a confiança no sistema judicial local, especialmente após o episódio que levou à anulação do processo anterior.
No fim das contas, o caso ultrapassa o campo jurídico. Diego Maradona foi um dos maiores nomes da história do futebol, protagonista da conquista da Copa do Mundo de 1986 e dono de uma trajetória marcada por genialidade dentro de campo e uma vida intensa fora dele. Sua morte não apenas comoveu milhões, como também deu origem a um dos processos mais complexos e acompanhados do esporte mundial.