Minas tem quase 1 milhão de pessoas não alfabetizadas, apontam dados
Falta de vagas na educação de jovens e adultos e queda nas matrículas agravam cenário no estado; Minas é o 4º em cidades sem EJA
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Minas Gerais ainda enfrenta desafios no acesso à educação básica, especialmente entre jovens e adultos. O estado tem quase 1 milhão de pessoas não alfabetizadas, e parte desse público vive em cidades sem oferta de Educação de Jovens e Adultos (EJA).
Os dados foram apresentados em audiência pública realizada nesta quinta-feira (16), na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG).
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Número de pessoas não alfabetizadas preocupa em Minas
Mais de 980 mil mineiros não concluíram a alfabetização, segundo informações apresentadas na reunião. Desse total, cerca de 190 mil vivem em municípios sem oferta de vagas na EJA.

O cenário coloca Minas Gerais como o quarto estado do país com maior proporção de cidades sem vagas na modalidade, de acordo com dados do Ministério da Educação (MEC).
Matrículas em queda
Apesar da demanda elevada, a oferta de vagas vem diminuindo. Entre 2024 e 2025, o número de matrículas na EJA caiu quase 20%, o que preocupa especialistas.
A assessora do Conselho Estadual de Educação, Elaine de Amorim, afirmou que esse público não pode ser negligenciado.
“Trata-se de um público historicamente situado à margem do fluxo regular da escolarização, mas que não pode, em hipótese alguma, ser tratado como residual ou secundário.”
Regiões mais afetadas
Os índices mais elevados de analfabetismo se concentram no Norte de Minas e nos vales do Jequitinhonha e do Mucuri.
Em algumas cidades, os números são mais altos. Em Indaiabira, a taxa chega a 25,8%, enquanto em Fruta de Leite, atinge 27,2%.
Entre populações indígenas e quilombolas, os índices variam entre 14% e 16%.
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Cobrança por políticas públicas
Durante a audiência, especialistas criticaram a dificuldade de ampliar o acesso à EJA. A coordenadora do Fórum Estadual Permanente de Educação, Analise da Silva, questionou a necessidade de convencer gestores públicos a cumprir a legislação.
“Como assim sensibilizar o gestor para cumprir a lei?”, disse.
A representante do Conselho Estadual de Educação, Silvana Santos, contestou a avaliação de que a baixa adesão ocorre por falta de interesse dos alunos e defendeu mudanças no modelo de ensino para atender trabalhadores.
Governo aponta dificuldades
A Secretaria de Estado de Educação reconheceu entraves para ampliar a oferta. A diretora de Ensino Médio, Vanessa Nicoletti Gomes de Oliveira, citou dificuldades relacionadas aos horários e ao atendimento de populações do campo.
“Mas a legislação não ampara sistemas inovadores”, afirmou.
Metas ainda não foram cumpridas
O debate também indicou que metas previstas no Plano Estadual de Educação, em vigor desde 2018, ainda não foram alcançadas.
A deputada Beatriz Cerqueira (PT) informou que novas reuniões devem ocorrer para acompanhar a situação e cobrar medidas do poder público.